Há
quem viva o advento a preparar o Natal, a trabalhá-lo desde as fundações. Sem esquecer
aquele Cristo Menino que nasceu não se sabe quando, mas convencionámos ser benção
dessa noite feliz. É como afirma e sublinha o Papa Francisco: sem o nascimento dEle a
festa não existia. Que um Deus aceitar ser homem não é coisa vulgar, os deuses
têm a divindade em grande apreço. Mas o nosso Deus prescindiu dela (só parcialmente)
e deu-se ao trabalho de nascer, viver e morrer como qualquer ser vivo. Como
qualquer, não. Como um homem que é mais que homem. Cristo foi o homem perfeito,
qualidade que não existe senão nEle.
Bom,
mas eu não vinha por uma aula de catequese. Vinha mesmo para pensar o pós-natal
dessa gente bem aventurada que tece a teia natalícia com arte e paciência. O
que lhe acontece quando passa a quadra? Fica ainda imbuída do espírito e prolonga-o
muito para além do Dia de Reis? esvazia como balão? Ou nada disso? Tenho para mim que é um pós parto difícil, as
mudanças de paradigma não se fazem sem luta. Julgo mesmo que nos dias subsequentes
zanza sonâmbula e lhe falta chão, desirmanada da casa ainda em traje de festa. Entre
o Natal os Reis, a recuperação tarda. Reapossa-se de si tacteando, como quem vem
de sono profundo e ainda não domina e nem lhe apetece o menu do corpo e da vida
que lhe coube. A vontade que antes enfileirava resoluta, agora inibe, receia,
desapetece.
E
ao invés de nuestros hermanos, o Dia
de Reis apanha os portugueses já de costas para o Natal. É dia de arrumos e o infiltrado
espírito de serviçal comanda as operações. Frio. Cego. Eficiente. Esquecido da
ternura desembrulhada em cada objecto, uma
saudade amorfa e prestativa a orientar o quadro de ano inteiro.
Breve, breve é tempo de arrumar os enfeites e de mudar a dieta. Uma pena sobrarem ainda tantas coisas doces e calóricas. :) Quanto ao espírito, faremos por mantê-lo.
ResponderEliminarBom Ano, bea!
Sim, que não se aguenta por muito tempo comer assim:). Mas quanto a doces...em minha casa quase não sobram; se agradam, evaporam. Digamos que andam por aí uns espanholitos de maçapão que vão terminar os seus dias no caixote do lixo. Que o resto criou asas no paladar. Não sei se pretendo sequer manter o espírito de Natal.Exige demais e gosto de preguiçar:).
ResponderEliminarBom ano também para a Luísa.