Sou
um desastre a comprar produtos de beleza. Talvez por desábito, mas inclino-me
mais para desorientação e falta de jeito congénitas.
Em final de férias, sobrou-me moeda estrangeira e, por via disso, adquiri-os num free
shop de aeroporto. Incentivada por um extra de apuro feminino, fui a uma marca de preços
módicos, que a carteira ordena-me sobre o gosto. Cheirámos daqui e dacoli. Optei por um perfume que me pareceu de suave aroma cítrico. Entretanto, juntámos
as nossas últimas e conjuntas moedas e trouxe mais um artigo: um creme perfumado para
o corpo que, segundo ela, é por demais hidratante e, para o cloro da piscina,
não existe melhor. E lá vim com dois artefactos jeitosos a priori, pensando que
a vida me desabituou de perfumes e cremes de corpo, que talvez não seja boa ideia reactivar o hábito, e etc. Já em casa, apresso-me a experimentar o body cream. E não é que me sai um açúcar?! Um
açúcar?! ó Deus, se nem sabia que isto existia no mundo da beleza! Afinal, depois de investigações, é um açúcar esfoliante (lá se foi a hidratação superior e
cheirosa). Bom. Entretanto, pensei que um mimo, mesmo pequeno, me caía bem. Que o merecia.
Mal tive oportunidade, já em Portugal, procurei a mesma marca. Cansadíssima. Liga-me
uma colega daquelas com vagar e conversa que não acaba. E eu lá. Dores de
costas sem fim, a pôr mãos aqui e ali para amparar o corpo. A deitar bençãos à materialização de um banquinho, uma cadeira, o fim da ligação. Nada. Às tantas, a empregada - não quero pensar na intenção da jovem - trouxe-me
um copinho de chá. Eu queria era uma cadeira. Bebi o chá. E ainda sem coragem de
terminar a ligação, que bastava um falamos amanhã que estou que nem posso. E
quanto tardei a dizê-lo, sempre na mira do fim de uma conversa sem quês, das que
podem acabar mal começam. Enfim livre, desejando a casa com toda a alma que me
pertence, senti-me na obrigação de satisfazer o desejo com que ali entrara (foi
também para conseguir ouvir, o barulho nos centros comerciais piorou), comprar
o tal creme de corpo super super. Cheirei, experimentei, mas já estava um tanto
impaciente. Optei por um cítrico (só havia dois e o outro era de cheiro bem
penetrante), pensei até que conjugava com o perfume, cujo, descobri, deve ser meio
árabe porque me deixa manchas gordurosas e peganhentas na pele. Acerca da minha opção, a empregada ainda acrescentou : é de verão, deixa um
certo brilho na pele. Pensei que o brilho seria consequência da forte hidratação e me daria o ar de saúde a que sou eterna aspirante.
Retorqui que me dava jeito. Comprei e pronto.
No
dia seguinte, repeti o gesto onde descobrira um açúcar e espalhei creme por todo o lado. Ora bolas. É que
tem mesmo partículas brilhantes. Fiquei que nem uma lantejoula. Nada de ar
saudával. Nada de cheiro fresco que perdura. Até julgo que me suja com os
brilhos. Empalmando as duas compras, quase comprava um frasquinho de 100
mililitros de uma qualquer coisa de jeito. Sou uma naba, é o que é.