Ontem
foi mesmo de janela fechada. Sem calendário. Porque sim. Sorry, sorry, sorry.
Apenas estive a ver “O Leopardo”, filme jamais visto em versão integral. Visconti como só ele. E a formidável interpretação de Burt Lancaster. Mestria
suprema do cinema italiano. A prender-me, a prender-me, a prender-me. Mau grado
o sono que me arrasava as ideias e nos intervalos me fechava os olhos. O encanto
de ver cinema de desmedida classe.
Como
eu gostei do Burt/Leopardo! Da sua inteligênia pensativa, algo filosófica; do
jeito elegantemente tristonho de quem sabe o que é e conhece que não há mais
caminho para poder sê-lo. Do realismo conhecedor
que lhe clarifica as ideias. De não ser um filme a rebentar de sexo e sangue e
por isso estar mais próximo do que vivemos do que os filmes empolados que vivem
da imagem que choca ou apela à força das pulsões mais primitivas. Amei aquela
elegância decadente e nostálgica, tristemente sábia, a lembrar Palmira Bastos
em, “As árvores morrem de pé”.
E
quanto aquelas horas valeram! Portanto, é hoje que me dedico sem falhas a
escrever no que andei pintando. Urgência de completude e partilha no Natal que é de praxe e faço gosto. Muito
gosto mesmo.
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