quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Dia Sete

A Baixa iluminada. E a beleza da cidade a ressaltar no frio de Natal, palpitando em luzes de festa e gente que passeia agasalhada, abafos, gorros e cachecóis ao despique. Em apoderação natural, a espanholada evolve, é onda cantante e bem disposta - possivelmente em gozo de férias -, halo que cruza ruas e transversais, de bico para a discrição inglesa, alta e loura como compete. E há aquela senhora fina de gestos, fina de ela só, a aconchegar o casaco de bom corte e pura lã, saltos apressados subindo a rua para a apresentação do livro da amiga. Vive em Cascais ou nos Estoris, e vem a Lisboa fazer turismo, aluga quarto, visita museus e exposições, anda a pé pela cidade que não há pressas quando se é turista. Experimenta restaurantes bem referenciados, degusta. Há vidas assim. Que observo do meio do frio. Lembra-me a actrizinha de Cesário, sobressai no conjunto. Mas tem, como toda a gente, um telemóvel. Que chama de dentro da malinha de pele. Pára e entrega-se ao aparelho, a bota de couro fino movida por inconsciente nervosice.

Mas eu abraço um saco plástico e uma prenda barata, espera-me o aperto no metro, tenho o jantar por fazer em casa por esquentar. Decididamente, pertenço a outro lote de preocupações. Contudo, agrada-me assistir a esta diversidade. E que vivamos no mesmo calendário.

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