De
hoje a uma dúzia de dias é consoada. Viva! Podem vocês dizer em meia troça, quantos
dias para preparar umas horas. E dizem bem. Mas, assim conquistadas a pulso, são
horas mágicas. É magia tudo que se põe na mesa e foi cozinhado durante a tarde,
apurando em lumes brandos, os azulejos da cozinha a escorrer vapores que não se
aguentam e condensam em mudez lacrimosa que desliza vidrado abaixo. Vai parecer estranho consoar ao domingo.
Estranho mas bom, porque contraria a catástrofe da segunda-feira. Haver Natal à
segunda é fenómeno quase anedótico, mas,
este ano, verdadeiro. Caso que merece dupla celebração.
Entretanto,
ninguém espera parado. Há um ou dois tricots que vão avançando devagar, os
cartões de Natal e o embrulhar das prendas ainda em pousio. E há que enfeitar a
casa: primeiro as caixas rotuladas descem do sótão; depois de abertas, as peças maiores deitam-se a arejar; em
seguida, há que passar a ferro laços e cortinas e subir a escadotes para
montagem. Na janela de hoje já desponta certa beleza de época.
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