terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Dia Doze

De hoje a uma dúzia de dias é consoada. Viva! Podem vocês dizer em meia troça, quantos dias para preparar umas horas. E dizem bem. Mas, assim conquistadas a pulso, são horas mágicas. É magia tudo que se põe na mesa e foi cozinhado durante a tarde, apurando em lumes brandos, os azulejos da cozinha a escorrer vapores que não se aguentam e condensam em mudez lacrimosa que desliza vidrado abaixo.  Vai parecer estranho consoar ao domingo. Estranho mas bom, porque contraria a catástrofe da segunda-feira. Haver Natal à segunda é fenómeno quase  anedótico, mas, este ano, verdadeiro. Caso que merece dupla celebração.

Entretanto, ninguém espera parado. Há um ou dois tricots que vão avançando devagar, os cartões de Natal e o embrulhar das prendas ainda em pousio. E há que enfeitar a casa: primeiro as caixas rotuladas descem do sótão; depois de abertas,  as peças maiores deitam-se a arejar; em seguida, há que passar a ferro laços e cortinas e subir a escadotes para montagem. Na janela de hoje já desponta certa beleza de época.

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