sábado, 23 de dezembro de 2017

Dia Vinte e três

À medida que se aproxima o Natal,  os afazeres e tarefas vão caindo sobre ele e exigem, subterrando capacidades de apreciação. Ao longo do dia, preparam-se carnes e doces; revêem-se ingredientes, fazem-se as últimas compras e embrulhos, dá-se um retoque na casa. Na corrida de à rua, as noites perdem o encanto gelado. Falta tempo para o brilho encantatório e longínquo das estrelas, o sugestivo dos enfeites, o sossego frio da escuridão. Tudo acontece no interior das casas.
Ao modo da outra gente, também ultimei compras e embrulhos. Que, no resto, a surpresa mudou-me o itinerário. As visitas anunciaram que chegavam para jantar e fizeram-me uma revisão ao frigorífico e ao programa do dia. Em vez da mansa execução de  doces foi um ver se te agrado no fogão, seguido de um jantar demorado. Depois, esgotada por três noites alimentadas a migalhas de sono, desvaneci. E por isso hoje é domingo mas vai ser sexta. Desço para um pequeno almoço de café com leite vigoroso, ligo o turbo e os doces têm de sair; temo a falta de tempo para o vagar amoroso com que me habituei   a alimentá-los. Mas há que tentar. Apesar de um almoço e um jantar de festa. Que o Natal me chegou sem aviso e de véspera. Mas de brilho superior. Tudo se há-de fazer. O menino Jesus espreita-me das almofadas, nuzinho e divertido, nem um pelinho eriçado no corpo roliço, que um deus paira sobre as minudências. Pode que me dê uma mãozinha.
E à noitinha a casa enche como ovo, a cozinha numa azáfama de tachos e lumes e cheiros insidiosos, os homens na sala abrir a mesa e carregar cadeiras, a compô-la de copos e pratos comandados pela menina da família. Tão bonita uma mesa cheia de festa, debruada de gente!

Há-de ser.

2 comentários:

  1. E foi certamente... :) Também pelos meus lados o Natal foi atarefado e cheio de aromas que saíam da cozinha. O mundo dos blogs ficou, para mim, mais paradinho.
    Continuação de Boas Festas, bea!

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  2. Obrigada:). Não houve mesmo tempo para postar ou blogar. A realidade concreta é por vezes premente. E vale a pena.
    Boas Festas também para si, Luísa.

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