Às
vezes há janelas contíguas. Num dia lembro os almoços e jantares de Natal. Na
manhã seguinte abro nova janela e o que me há-de surgir?! Um convite. Portanto,
à míngua de almoços natalícios não vou morrer. Deixo-me seduzir pela ideia
deste almoço, perspectiva solarenga que, quem sabe, veio a desejo.
Hoje, na minha janela, havia um saco de prendinhas
embrulhadas em sorrateiro espreitar. Que viajou
até ao destino e fez feliz alguém que recebe um minguado de mimos e vive em
decréscimo porque a ronda da morte coíbe os homens.
Na volta, o pôr do sol no mar, a beleza da paisagem, a
saudade inscrita na estação onde nunca mais desci. E aquela descarga dolorosa,
súbita e rara, a invadir-me os olhos lá bem atrás, mal lhe li o nome. Tantos e
tão grandes impossíveis nos existiram. E como então eram possíveis!
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