quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Dia Seis

Às vezes há janelas contíguas. Num dia lembro os almoços e jantares de Natal. Na manhã seguinte abro nova janela e o que me há-de surgir?! Um convite. Portanto, à míngua de almoços natalícios não vou morrer. Deixo-me seduzir pela ideia deste almoço, perspectiva solarenga que, quem sabe, veio a desejo.
         Hoje, na minha janela, havia um saco de prendinhas embrulhadas em sorrateiro espreitar. Que viajou até ao destino e fez feliz alguém que recebe um minguado de mimos e vive em decréscimo porque a ronda da morte coíbe os homens.
         Na volta, o pôr do sol no mar, a beleza da paisagem, a saudade inscrita na estação onde nunca mais desci. E aquela descarga dolorosa, súbita e rara, a invadir-me os olhos lá bem atrás, mal lhe li o nome. Tantos e tão grandes impossíveis nos existiram. E como então eram possíveis! 

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