Parece
que houve uns países, entre os quais Portugal, que se juntaram para dar nomes a
ventos fortes e outras desregulamentos naturais. Isto, é claro, para não ficarem
atrás dos EUA que põem nome aos furacões como se dessa forma lhe deitem arreata
e os domem. Nada disso, chamá-los pelo nome – que não é o deles, são apenas
furacões – não adianta nem atrasa que a calamidade não lhe faz qualquer caso e
nem se cinge a nome de pessoa, ela é um fenómeno natural de destruição maciça e
tenho para mim que mais irritadiça se torna com a cena do baptismo. E agora nós,
feitos macaquinhos de imitação, zás, um nome qualquer no vento de hoje. Mania de
copianço.
Bom,
que eu hoje me postei a fazer uns rabiscos de natal no que pomposamente chamo
cartões de navidad e reparei que, quem os recebe, pode bem julgar que também os
copio, já que todos os anos são o mesmo. Mas é que não. A minha mão é que,
segundo julgo, apenas sabe essa vereda; é que não a esquece, passa um ano e ela
retoma tudo igual como se fosse ontem ou esteja diária numa fábrica de
porcelanas a pintar flores em série. Azar. Imagino que os meus amigos, se me
guardam os cartões - não que mereçam tal honra, mas há gente capaz de guardar
tudo -, os olhem a sorrir pensando, esta não sabe fazer mais nada. E têm razão,
nem sequer quero pensar nisso. O facto é que a técnica é do mais simples,
agarro no lápis ou no pincel, penso na pessoa e risco. E são muito iguais para
as mesmas pessoas; por vezes mudo as cores, mas afianço, tenho de me
contrariar.
E
agora o vento insufla portas e janelas e é tudo um batuque desgraçado e há a
chuva que cai e portanto a minha mão recusa-se a riscar o que for, diz que
desconcentrou e que assim não vale. Amanhã há mais.
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