segunda-feira, 28 de agosto de 2017

No Princípio era o Verbo...

Pois era. O Verbo. Hoje, sou apenas eu. Só eu e as minhas impressões diarísticas e esotéricas. Avante, que isto de escrever quer prática e linhas cheias de sinais. Ocorrem-me monges silenciosos e monjas de joelhos siliciados em asperezas de laje. Move-os o amor ao verbo, ditosa contemplação no rarefeito encontro com o indizível. Ou, como santa Teresa, imergem na oração e extasiam, levitam. Por vezes, nós, os humanos e comuns mortais, vivemos essa união mística. Não creio que seja apenas um auge de amor dirigido, seja ele físico ou apenas mental como o da santa. É um trâmite que se alcança por conjugação de mente e sentidos, isso sim. Uma espécie de glória da sensibilidade que, mercê da mente, se isola e derrama de forma própria.  Para além da especificidade do sujeito – não é elemento comum de todos -, há ingredientes gratuitos mas imprescindíveis à relação sujeito-objecto: tempo e silêncio.  E um princípio básico e primário, a entrega absoluta do sujeito e perda momentânea da identidade. Pode vir pelo sexo. Pode e vem, mas reduzi-lo a tal dimensão excluía muita gente e a diversidade de situações que a afecta. Cada homem conhece as suas, sabe a quê e a quem se entregar preservando a sua condição.
         Extasiar com a vida normal e comezinha que se oferece em cada hora. Sentir o enorme prazer de palpitar.