Pois era. O Verbo. Hoje,
sou apenas eu. Só eu e as minhas impressões diarísticas e esotéricas. Avante,
que isto de escrever quer prática e linhas cheias de sinais. Ocorrem-me monges
silenciosos e monjas de joelhos siliciados em asperezas de laje. Move-os o amor
ao verbo, ditosa contemplação no rarefeito encontro com o indizível. Ou, como
santa Teresa, imergem na oração e extasiam, levitam. Por vezes, nós, os humanos
e comuns mortais, vivemos essa união mística. Não creio que seja apenas um auge
de amor dirigido, seja ele físico ou apenas mental como o da santa. É um
trâmite que se alcança por conjugação de mente e sentidos, isso sim. Uma
espécie de glória da sensibilidade que, mercê da mente, se isola e derrama de
forma própria. Para além da especificidade do sujeito – não é elemento
comum de todos -, há ingredientes gratuitos mas imprescindíveis à relação
sujeito-objecto: tempo e silêncio. E um princípio básico e primário, a
entrega absoluta do sujeito e perda momentânea da identidade. Pode vir pelo
sexo. Pode e vem, mas reduzi-lo a tal dimensão excluía muita gente e a
diversidade de situações que a afecta. Cada homem conhece as suas, sabe a quê e
a quem se entregar preservando a sua condição.
Extasiar
com a vida normal e comezinha que se oferece em cada hora. Sentir o enorme
prazer de palpitar.