Há pequenos brilhos na blogosfera, podem ser pedrinhas sem valor que emitem luz, opalas rigorosas ou safiras disfarçadas. É claro que falo de quem conheço deste meio e em
palavras que confio. Refiro, portanto, relações mais ou menos longas.
Aprecio e
recomendo A página negra de Manuel da Fonseca que sucede ao blogue mais ou
menos colectivo, Escrever é triste. É uma página sábia e crítica, matreira, cinéfila e
com aroma de alma silvestre e um bocadinho brincalhona que por vezes também nos
dá música. Gosta de falar sobre livros e entende-se porquê, mas julgo que seja sobretudo porque é um bom leitor. Deve ser ainda outras coisas, mas estas bastam para acicatar
curiosidades. O Manuel não se importa que comentemos e até nos responde de vez
em quando. Percebe-se que é pessoa educada e ocupada e que Antónia ocupa o seu altar privativo. Há lados
dele que são muito públicos e não faz falta lembrar. Para mim, é bloguer de
qualidade. Voto nele sempre que precise e mesmo que não. E recomendo.
Sem
desprimor para ninguém, há outro blogue que considero. Sei do autor (pode ser
uma autora) apenas o nickname, xilre. De postagens regulares, tem alguns
personagens cativos e dos quais sou íntima: uma brasileira que tira cafés e o
lugar onde os tira e que xilre frequenta; um reformado erudito, Eustáquio de
Andrada e sua mais que tudo Orchidée, cujo escreve a xilre missivas hilariantes
e todas muito nove horas, sempre preocupado com a saúde e bem estar do amigo
(a); um pássaro no beiral que ora lhe tira o sono por cantar cedíssimo, ora
porque desaparece e o apoquenta a falta de gorjeio matinal. E há mais artigos
avulsos; também nos dá música e, por vezes, ataca-o (a) uma veia romântica que
muito prezo e me comove. Xilre é original e usa de economia na escrita. Saliento as publicações do dia
vinte e nove de Julho.
Recomendo pois estas duas pequenas maravilhas lançadas à praia. Serão conchas ou búzios, restos de fundo
de mar e coral que valem a pena neste mundo que nem de papel é. Será de nuvem.
Ou coisa assim.