O
meu estendal subtrai-se ao calendário dos homens, não lhe existem dias santos,
feriados, fins de semana. Braços abertos
e eternos, aguarda que a roupa lhe chegue. Espera. Como a palavra no poema de
Eugénio, “até que passe um vento que a mereça”. Paciente com os elevadores postiços
que já foram suporte de cortinados, a escutar-lhes as queixas e um ou outro
parafuso esquecido que concorda num tremelique de cabeça, ao que nós chegámos;
tão estimados que estávamos na sala e agora...isto. E os parafusos tremendo de
leve pelo aguçado do bico. E isto são pormenores matinais, coisa mais agradável que a roupa que escapa das mãos e se
suja, o inferno das molas que parecem enguias, o cão que se enrola nas pernas e
quase me faz cair quando não preciso dele para isso sou bem capaz de queda sem
ajudas.
E
volto. Pondero segundo pequeno almoço. Desisto. Abro a janela, aqueço o corpo e
a alma. Zanzo. Mosca que tenta não incomodar. Coisa impossível é ser mosca sem
incomodar. Visito a entrada de cada um. Tudo tão sereno. Em algumas florescem
palavras novas. Noutras, dura ainda o sono de véspera ou prolongam a longa
letargia do inverno. É triste uma casa assim sem efeitos de vassoura, um aceno de
mão, uma flor à espreita. Vou andando. Andando. Oiço aqui uma música, leio ali
um artigo, deixo além um sinal de presença. Entretanto, listo mentalmente as
compras. Tanto recado precisamos cumprir para que o trem não saia dos trilhos. De
novo em casa, preparo um almoço simples e rápido e começo a ajeitar casa e mesa
para receber uma visita. Mais um arroz doce e fatias douradas e a estrear que
não saíram muito bem, tenho de estudar este assunto. Mas quando a visita chegou
carregando mais uns acréscimos para o lanche,
a casa estava quente, o chá pronto, as fatias e o arroz doce na mesa. Depressa passou
o bocadinho de languice que nos permitimos. Noitinha, palavra que é título de
um poema de Florbela, “a noite sobre nós se debruçou...”. Mas o jantar. Mas a
sopa. Mas a mala com os pedidos e os devidos. Mas o meu cachecol vermelho que
está quase quase. E uma amiga a ligar-me, coisa boa. Fecho a janela, já não dou
mais para este dia.
Agradecer a sua visita e o tempo que levou a ler o meu desabafo é o que me traz aqui agora.
ResponderEliminarQuanto ao resto...
nem vou perder muito tempo a explicar
Porque a Bea não sabe a minha Vida, para discordar do que eu AFIRMO.
Se o digo, e quem me conhece (como pode ver ninguém mais veio contestar as minhas afirmações)
sabe que sim...não só por isso, mas também por isso
Por não ter uma MÃE PRESENTE tenho sido espezinhada
OK
ainda bem que confirmou:
E outras coisas que eu não sei mas a túlipa sabe:)
Só faço uma avaliação anual na última semana do ano
e, mesmo esta que está MUITO LIGEIRA
Para o MAL que tenho
A BEA ACHOU QUE EU EXAGEREI
OUTRA coisa que não gostei e acho que tenho o direito de o dizer, qualquer pessoa sabe que É VERDADE
os CANCROS NÃO SE COMPARAM
quantas mulheres têm cancro de mama
quantas morrem e quantas sobrevivem?
Enfim, muito mais haveria a dizer
Mas não uso os meus blogues
para falar dos problemas da minha vida
Como já disse, só o faço 1 x por ano, foi agora.
AH...ainda bem que também escreveu:
"Com sorte, breve se vê livre."
Pois, mas nem sempre a sorte está do meu lado.
OUTRA EXPRESSÃO SUA:
(o meu ainda não chegou ou então anda por cá muito caladinho).
AH pois é...
e, no dia que chegar, gostaria de saber se vai estar assim tão animada da vida!!!
Quanto a fazer o bem e merecer uma vida melhor...
infelizmente NÃO FOI ISTO que quis dizer
e, não o faço com essa intenção.
Realmente a língua portuguesa é muito traiçoeira.
Cada qual interpreta como lhe dá jeito.
OUTRA questão que colocou:
Afinal, quantas horas gastou na vida para agradar a sua sobrinha com alguma coisa, uma viagem, uma roupa, um livro....sei lá.
É que nem ponha em causa isso!!!
Como já aqui disse,
não uso os meus espaços para falar das minhas desgraças
Daí que nem lhe vou responder.
A MINHA RESPOSTA a esta sua afirmação, é:
Se não ajudei, paciência. Mas creia que a entendo.
EU NÃO FIZ O POST à espera de AJUDA
pois já sei com que ajudas conto.
Depois dizer que me entende, é duvidoso
caso contrário, não teria puxado aqui certos assuntos.
Qualquer das formas agradeço o tempo que dedicou ao meu blog
e, peço desculpas se não gosta da minha resposta
mas, a vida é assim,
nem sempre conseguimos AGRADAR A TODOS.
BOAS FESTAS para si e os seus.
Nada acontece por acaso, segundo dizem
ResponderEliminare, a sua visita ao meu blogue trouxe-me aqui
Penso ser um blogue que eu desconhecia
Acho interessante a forma como escreve, usa-o como se fosse um diário da sua vida.
Realmente muito original.
Hoje já é dia 21
agora estou curiosa de ler o que vai escrever para este dia.
No dia de ontem...
A lida da casa, estendal e roupa
muito a propósito essa frase, que eu desconhecia:
“até que passe um vento que a mereça”.
cortinados,
parafuso esquecido
pormenores matinais
o inferno das molas
o cão que se enrola nas pernas
Pondero segundo pequeno almoço.
Desisto.
Abro a janela, aqueço o corpo e a alma.
uma flor à espreita.
Vou andando. Andando.
Oiço aqui uma música
listo mentalmente as compras.
Os afazeres do seu dia.
MUITO INTERESSANTE
a sério, que lhe dou os PARABÉNS merecidos pela sua forma de escrever.
Agora mais lhe digo.
e...uma visita que chegou E uma amiga a ligar-me, coisa boa.
Pois é Bea
eu não tenho visitas que cheguem, nem amigas que me liguem
e, a Bea ainda assim quer
que eu me sinta FELIZ
Eu não quero que se sinta feliz. Eu desejo. O querer tem de ser seu.
Eliminar.
ResponderEliminarBoa tarde. Passando, lendo, vendo, apreciando, gostando, e deixando votos de um Natal Muito feliz, extensivo a toda a família e amigos.
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hoje: *Teus lábios, de amor, queimando*
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Obrigada:).
EliminarEste dia,mesmo com estendal ( e eu sou das que tem muitas vezes estendal), já cheira a Natal. :)
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