Hoje é o dia dos célebres 40! Alguém os lembrou?! Pois. É que não é só um dia acrescentado à Black Friday (este ano acho que a dita friday, em claro contrassenso, se estende a todos os dias da semana; e, e...). E também não chega lembrar que é o primeiro dia do mês do Natal, data que muitos preferem apesar do frio, do trabalho extra e de tanta coisa que devia ser e não é. Em mim é, sobretudo, o Primeiro de Dezembro, Dia em que se comemora a primeira revolução de que tive notícia: a revolução de 1640. E de que me lembrei quando nos meus desatinados 18 anos me disseram ter havido uma revolução em Lisboa. Fiquei parva. Quero dizer, mais abalholhada que o normal. E, imaginem o que me veio à mona: a duquesa espanhola a fugir para Espanha; sempre a tinha imaginado a pegar nas saias tufadas e compridas e fugindo a pé por montes e vales, a esconder-se nas moitas como podia, mal assestava de ver alguém. Era a minha versão. Pois do que me lembrei eu, que, na escola, até rezava por Salazar e lhe pedia bolsas de estudo nos intervalos da vida (já contei que não fazia ideia do que fosse tal coisa, mas pedia na mesma e escrevia em folhas A4 e a que chamava folhas de desenho, com uma folha de 35 linhas por baixo para não entortar a letra). Dizia eu que, em 1974, desconhecia qualquer duquesa espanhola pavoneando-se por terras portuguesas e julgava que em Portugal só tinha existido um traidor, aquele Miguel de nome bonito e tão mau rapaz que foi defenestrado. Toma! Deve ter aprendido que não se atraiçoa a pátria, mas como morreu, nunca teremos a certeza sobre tal assunto. Pois. Então eu pensei que traidores não havia e nem duquesas. O que seria então essa coisa de haver outra revolução? Se já nem havia rei, nem nada… Levei um ano inteiro para descobrir semelhanças e diferenças entre as duas revoluções.
Pronto: cumpri o meu dia revolucionário andando em cima do estendal da roupa - cada um luta por onde e como pode - porque vem chuva de novo e me esqueço com frequência que tenho uma secadora. Dou daqui um viva solene aos quarenta conjurados sob o comando de D. Antão Vaz de Almada (não tenho certeza do nome, mas acredito na memória) e eu a imaginar uma espécie de exército a marchar para o Paço Real, quarenta nobres armados de boas intenções e espadas e isso. E depois, Viva el rei D. João IV!, gritado talvez da mesma janela de onde empurraram o tal Miguel, a duquesa em fuga, ainda para aí na Mouraria, que por acaso não sei onde é, mas que, sendo mulher os conjurados deram de ombros e nem lhe fizeram caso (seriam machistas?!). Não me pareceu bem isto de aclamarem um rei sem ele saber, o que a professora nos contou foi que D. João era duque, e vivia em Vila Viçosa num palácio. E está visto que os conjurados estavam a atirá-lo para o trono. Mas tudo bem.
Portanto, já devem ter compreendido que revoluções é comigo. E como pregar o amor é sempre revolucionário, e novo, e bom, este é o meu primeiro post do calendário de Natal.
Viva o 1º de Dezembro! (data que, na cidade de Évora, é célebre pelas serenatas)
Assim, sim, dois posts quase seguidos. Depois de uma semana sem uma luzinha sequer na sua janela, sai-nos uma crónica muito bem disposta e cheia de história. História com humor.
ResponderEliminarEu já estava a pensar que o frio lhe tinha congelado a veia, com os seus (fiéis) seguidores a regressarem sem pão e de boca vazia, de cada vez que passavam à sua porta.
E já que fala da revolução de 1640 e das serenatas de Évora, segundo o Mr. Google, a Revolta do Manuelinho, também referida como as Alterações de Évora, foi um movimento de cunho popular ocorrido no Alentejo, no contexto da Dinastia Filipina, que questionava o aumento de impostos e as difíceis condições de vida da população provocadas pela governação Filipina.
As revoltas contra o domínio castelhano tiveram como antecedentes, entre outros, o Motim das Maçarocas, que eclodiu no Porto em 1628 contra o imposto do linho fiado, mas a Revolta do Manuelinho foi o antecedente mais importante do golpe de estado que levou à Restauração da Independência.
PS - A Revolta do Manuelinho está representada num painel de azulejos de Jorge Colaço na estação de Évora.
Uma boa semana Bea.
Da revolta do Manuelinho já tinha ouvido falar, vinha nos livros de história da escola, não recordo se em notas de rodapé, que eu lia o livro de ponta a ponta. Que estivesse documentada na estação - ferroviária? -, desconhecia. Mas desde que li o poema pial de Pessoa para Ofelinha, escrito entre Casa Branca e Barreiro, acredito em pleno no poder da ferrovia:).
EliminarAgora vão ser posts diários. Nunca se sabe quando é que se nos acabam os natais, o mundo treme e treme e nós com ele. É vivê-los. Cada um como se fora o último.
Contei o que me passava na mente. Gostava qb de ser bem humorada, inventar alegrias breves, graças que dispõem, mas é que é tudo o realmente do meu pensar obtuso.
Bom Dia!
Outrora festejado por estas bandas, hoje em dia já nem os poucos Monárquicos que por aqui restam o comemoram.
ResponderEliminarQue Malandros Desmemoriados! Então é assim que se esquece a independência?! Pensava eu que só Miguel Sousa Tavares, a quem ouvi desejar ser espanhol, não gostaria do 1º de Dezembro.
ResponderEliminarBom Dia, Pedro
Meu Deus, a Black Friday é o mês inteiro. Haja paciência.
ResponderEliminarE bom lembrar acerca do dito feriado.
Cláudia - eutambemtenhoumblog
Não entendo estes saldos falsos. Haja paciência.
ResponderEliminarÉ sempre bom relembrar! Gosto do dia pois nasceu um afilhado que me é muito querido! 👏😘
ResponderEliminarTambém gosto da data, Gracinha. Portugal faz anos que renasceu:).
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