Este natal não vejo o costumado movimento nas lojas, não encontro pessoas com embrulhos. Não vi senão um grande laço a espreitar na boca de um saco. O poder de compra será assim tão curto? Os portugueses andam assustados, receiam uma guerra? Ou apenas estão “nas tintas” para o Natal como época de lembrar quem queremos bem e por isso lhe comprarmos uma prendinha agradável?! Talvez seja a mescla que vai minando a tradição.
Depois de verificar a abulia da minha cidade, resolvi ir a Lisboa cheirar o natal, reparar nos livros e trazer alguns. Dei mesmo uma volta pelas lojas com preços acessíveis e que costumo encontrar cheias. Viajei no metro à cunha, mas a gente que havia não carregava presentes; cruzei imensas pessoas nas ruas da Baixa, assisti aos turistas na esplanada da Brasileira, entrei na Bertrand mais antiga de Lisboa onde duas meninas com idade para serem minhas netas me atenderam tão simpaticamente que mereceram o elogio. Não havia ninguém a embrulhar presentes. Nem talvez a comprá-los. Bom, estava lá eu.
Só nas ruas o natal se espraia feito tecto. Imagino que, mal escureça, fiquem bonitas. Nas pastelarias já campeia o bolo rei e tem muita saída. Assisti mesmo a várias encomendas.
Tenho saudade dos rostos satisfeitos e sorridentes de gente que saía das lojas com vários embrulhos, havia um ar de festa que lhes passeava na figura e as fazia mais bonitas. No natal, Lisboa apetecia. E agora?!
Talvez sejam como eu - fica para a última hora.
ResponderEliminarBfds
Apesar de já não poder assistir, desejo muito que seja como diz, Pedro.
ResponderEliminarBom fim de semana
Penso que este Natal as prendas são tão pequeninas, que são embrulhadas em casa:)
ResponderEliminarOra então a propósito de livros...
Numa livraria, quando pego num livro, leio sempre na contracapa uma sinopse da obra e na primeira orelha um breve currículo do autor. Reparo que estas súmulas do currículo são sempre admiráveis e prestigiantes onde o escritor sai sempre altamente beneficiado. As coisas boas estão lá todas e as más, a haver, são omitidas.
A Bea acha que alguém publicaria um livro de um autor com o seguinte cardápio?
Foi nascer ao bairro da Mouraria há mais de sessenta anos, embora nunca lá tenha vivido. Foi um aluno sofrível tendo completado o curso complementar dos liceus à segunda tentativa.
Mais tarde e em regime pós-laboral tirou uma licenciatura com nota mediana, nunca tendo chegado a exercer.
Não viveu a guerra colonial, tendo feito o serviço militar numa enfermaria do hospital militar onde lhe foi diagnosticada uma tuberculose pulmonar e ao fim de um ano dado como incapacitado para todo o serviço.
Foi empregado de escritório em empresas de média dimensão, nunca tendo atingido o topo da hierarquia.
Este é o seu primeiro livro.
Bom fim de semana, Bea.
PS: O pouco que aqui lhe vou deixando de mim em papelinhos, tudo cozido, daria o livro da minha vida, livro pequenino, talvez de quarenta páginas para não maçar!
Raramente leio a sinopse dos livros, estraga-me a surpresa. E, por vezes, induz em erro.
EliminarE também não leio sobre o autor senão depois de ter lido o livro e porque fico curiosa se tiver agradado. Por norma, o título diz-me alguma coisa e, se sim, leio um bocadinho do princípio e, por vezes, mais à frente. E decido. Isto se não conhecer nada do autor.
Bom, o que se diz do autor, além de dados biográficos essenciais, resume a sua vida na escrita; os prémios que ganhou, o que os entendidos acharam da obra ou do métier do escriba. Não me parece que esteja o Joaquim falando sério ao apresentar esse resumo de vida que nada interessa ao leitor. E contudo tem razão, são dados que pretendem propor a leitura de um livro; não serão admiráveis, mas pretendem ajudar a comprar. Têm de ser lisonjeiros (sem abusos) sem ser mentirosos.
Não. O que aqui deixa não é a sua vida. É só alguma coisa que escreveu e nunca a dirá. A nossa vida é o que vivemos e, por mais que o desejemos, não somos capazes de o escrever. A realidade transcende largamente qualquer escrito sobre ela.
Ainda assim, há quem goste de contar. Ganham os leitores.
Por acaso também não tenho reparado em grsndes prendas, nos outros. Mas é provável que depois, chegue a 01h da manhã e se vejam os caixotes do lixo a abarrotar. É o costume.
ResponderEliminarTambém pode vir tudo online. Agora é o que dá mais jeito.
Cláudia - eutambemtenhoumblog
Também já pensei que pode ser isso, Cláudia. Há muito quem encomende tudo na net. E até quem encomende só um artigo de que pede x unidades e resolve tudo de uma vez. Não acho piada.
EliminarÀ uma da manhã já existem caixotes do lixo a abarrotar?! Quem é que se dá ao trabalho de despejar o lixo na noite de Natal?! Bom, os meus contentores caseiros ficam quase cheios depois da ceia...
A questão é que já não se embrulham prendas nem se colocam laços, as lojas despacham tudo nuns sacos de papel da própria marca, ganhando em publicidade gratuita. Só conheço uma ou duas livrarias que ainda fazem belos embrulhos e escolho-as por isso. E assim, pouco a pouco, as coisas perdem a graça que, pelo menos para nós que as conhecemos, tinham.
ResponderEliminarBem verdade, CC. Mas nem esses embrulhos normalizados eu vi:). Porque, convenhamos, são práticos.
ResponderEliminarOs meus livros trouxeram embrulho a gosto: de beleza discreta.
Sem fazer generalizações...ao porteiro do meu prédio chegam todos os dias montes de encomendas compradas online. Já o chamamos de Pai Natal, porque depois anda de porta em porta a entregar o que chega durante cada dia.
ResponderEliminarCreio que vivemos outros tempos e que começa a existir um novo padrão na forma de fazer as comprar de natal e durante todo o ano. As pessoas não estão para grandes confusões, trânsito, etc. E muitas fazem isso, especialmente as novas gerações.
Até eu, na terceira idade, utilizo esse método em diversas ocasiões. Mas também continuo a gostar de as fazer ao vivo!
Infelizmente... ainda se nota compras desenfreadas!!! Bj
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