Olha meu Menino Jesus, tu desculpa, mas ontem não tive nem uma vontade pequena de te escrever. É verdade que, por norma, vou lá todas as sextas. Que só quando a vida me troca as voltas mudo o dia da visita. Que, embora não pareça, saio um tanto acabrunhada. E que depois a vida tem de retomar o ritmo e me encho de tanta coisa para “esquecer” a degradação a que chega um corpo que já não se sustenta, mas pensa e sente e vê.
A um Deus que tudo sabe, o que posso acrescentar?! O que se diz de um caso insolúvel a que só a morte põe fim? Mas a morte vem vindo tão devagar para quem sofre! A morte teima em passinhos de bebé, oscila, pára e recomeça. Anos nisto. Que respondias tu a quem deseja morrer e não sabe sequer mover-se, levantar uma colher para levar à boca, assoar-se, aparar a baba que escorre. Vá...que farias?!
O que são as estrelas de Natal quando todo o sentido esvaiu, a doença deixa apenas o passado e mesmo ele vai-se confundindo, misturando e perdendo importância - esquece-se o nome do gato ou o movimento dos lábios para beijar; tudo se deixa cair no fundo poço da doença. Não há querer que a alcançe.
Um pensamento que me persegue. Uma discussão sempre adiada, escamoteada por falsidades religiosas. Tempo de tanta dor, para os próprios e para os outros. Lamento. Abraç Bettips
ResponderEliminarNão sei que dizer Bettips. O hoje foi pior que o ontem. A morte rouba tudo
ResponderEliminarA morte rouba tudo e há quem ainda não acredite nisso! Bj Bea
ResponderEliminarFelizmente, Gracinha, vivemos como se fôssemos imortais.
ResponderEliminarTudo que pertence à vida, a morte leva. É um fim. Mas, em alguns de nós é fim que se compraz em si mesmo, dura, dura, dura.
O menino Jesus não se chateia de certeza :)
ResponderEliminarA morte põe fim a muita coisa... e quando acontece nestas alturas, acho que é sempre pior ou associamos logo, nos anos a seguir, uma coisa à outra. É complicado.
Cláudia - eutambemtenhoumblog