Este ano não espero pelo ímpeto natalício. Parto sem ele para desempacotar os sinais da época festiva. Já cortinas e folhos me espreitam desenrugados e festivos, todos leveza cuidadosa pousada nos sofás da sala. Começa cedo quem pouco pode e muito deve.
Olha, meu Menino Jesus, talvez seja extemporâneo pôr-te mesmo à beirinha de mim. Talvez haja outra forma de me dares a tua mão e irmos em frente. Mas é vendo-te dia a dia que me embebo de Natal, a idade levou-me o voluntarismo que já tive; ficaram os rituais. Portanto, queda-te aqui, simples presença que reconforta. Basta-me passar e ver-te de perninha ao léu, bochechinha de barro, moreno qb (foste cozido em demasia, talvez), vindo das mãos de alguém que te passou para mim com o amor que uma amizade profunda pode conter. Alguém que ainda vive e a quem dou lembrancinhas pelo Natal e não só; alguém que sei de fonte segura me tem essa amizade que não quebra e tanto te/lhe sou grata.
É Dezembro. E sabes da minha alegria extra. Só tu conheces a funda saudade daquele sobrinho que há anos não vejo e já sei quando chega. Pois fá-lo chegar que, sem ele, não é o mesmo natal e, mais que eu, a mãe o precisa. Só tu podes avaliar a alegria que sinto pelo outro sobrinho que nos falhou durante anos na consoada e, finalmente, volta acompanhado; e sabes quanto comoveu o meu coração com o fundo abraço de uma vez, reconciliação para que não houvera zanga, “querida tia, eu sei que entende, querida tia”. O que as pessoas precisam às vezes para serem sinceras! E agradeço-te os sobrinhos que, natal sim natal não, estão connosco, e este ano nos calham; o que eu gosto dessa nova sobrinha não é dizível, nem tão pouco a alegria de tê-los em família. E da presença infalível e determinada da minha princesinha, também ela num caminho difícil onde sempre estaremos de braço dado. Mas também sabes quanto gostaria de ver assim os meus filhos que, por motivos diversos, chegam sós. Tudo tem o seu timing. Talvez ainda haja tempo para vê-los chegar acompanhados. Ou não. Tu dirás (ou serão eles?).
Vai ter um Natal em grande, Bea, cheio de gente, familiares queridos.
ResponderEliminarE havendo saúde, alegria e harmonia, as canseiras que pois claro sempre as há, moem menos.
Hoje em dia há muita família que encomenda de fora uma parte substancial da ceia, sempre é uma ajuda. Nós por cá fazemos tudo ou quase tudo, só um ou outro bolo é que compramos.
Na casa de meus pais era hoje que entrava o primeiro bolo-rei, coincidindo com o aniversário de meu pai. Hoje faria 90 anos. Foi com ele que aprendi a gostar de bolo-rei e hoje cá em casa sou o único apreciador.
Como entendo o abraço fundo do seu outro sobrinho, conciliador e substituto de palavras que por vezes não aparecem. Embora não pareça, sou um homem de gestos, prefiro o gesto à palavra, quando aquele cumpre o pretendido. Para bom entendedor é quanto basta.
Hoje ficamos por aqui. Uma boa noite, Bea.
Vai ser um natal com mais gente. Parte da ceia de natal já vem de fora, mas ainda fazemos algumas coisas, as que fazem parte da nossa tradição. Havia em casa de meus pais dois traços natalícios: pôr o sapatinho na chaminé e só conhecer as prendas na manhã do Natal; e os fofos de abóbora que pouco nos agradavam e a que chamávamos brinhóis. É um tempo já muito longe, talvez para sempre ultrapassado.
EliminarBoa tarde, Joaquim
Natal é isso mesmo - família reunida.
ResponderEliminarTudo o resto é só foguetório.
Bfds
O resto não me existe, Pedro. E nunca me existiu.
ResponderEliminarMas se ao resto chama amigos e gente de quem gostamos; a esses que nem sempre podem estar connosco, mas nos importam; que não sendo família tomamos como tal; digo-lhe que também participam.
Olá Gina, vejo que estás a viver cada dia de Dezembro com grande intensidade! Não só pelos preparativos para a festa mas também com a felicidade de já teres junto de ti, ou de ires ter em breve, as pessoas de quem mais gostas.
ResponderEliminarDesejo que assim seja e que esses dias se demorem em ti!
Um longo e feliz Dezembro para ti !
A família está contente. Eu sou apenas a que gosta de escrever o contentamento; senti-lo é comum. Vários factores se conjugaram. Vamos ver se nenhum desconjuga:). Porque na nossa idade há surpresas nem sempre agradáveis.
ResponderEliminarObrigada pelos teus votos, Prosa. Deseja-me que aguente Dezembro.
Natal para nós, durante muito tempo, foi sinónimo de aldeia e avós 🌟
ResponderEliminarHoje, somos poucos e há uma criança, e é por ela que vamos criando memórias a cada natal!
Bom fim-de-semana 🫂
Eu sempre adorei ter a família toda junta à mesa. Em casa dos meus pais... Depois fomos perdendo os avós, o contacto com familiares que pelos vistos não interessam...
ResponderEliminarMas este ano, com dois bebés, vai ser giro :D
Cláudia - eutambemtenhoumblog