Há filmes que tenho enorme prazer em repetir. Pelo realizador, pelo tema, pelos actores. De tantos que já vi, um dos que revejo com olhos primeiros é Cinema Paraíso. E é sempre o mesmo encanto. Move-me. E revejo-nos – aos portugueses como os conheci – naquela gente. Ganhou vários prémios, mas julgo que ao garoto ninguém deu um; talvez seja de lei não premiar gente de palmo e meio. Mas o miúdo merecia, é actor de excepção e excepcionalmente bem escolhido. E depois há a qualidade musical de Ennio Morricone a debruar as cenas, a injectar-lhes intensidade por sentimentos e emoções. Sobre esta fita poderia escrever umas páginas e ficaria incompleta a minha admiração pela obra de arte que Tornatore criou e permite leituras plurais.
Este é um calendário de Natal. Mas Cinema Paraíso é um filme de natal - apela ao que temos de melhor, chama pela inocência do que fomos, pela amizade que impulsiona sonhos e salva vidas, pela vida que se vê desfilar paralela às fitas. Sem pregação ou moralismo expressos, serve a muita lição.
Fernando Pessoa tinha um Menino Jesus fugido céu e que carregava no colo, “num ritual todo materno”. Eu tenho um filme, uma amável e amorável fantasia que, bem vistas as coisas, anda comigo por todo o lugar e foi a primeira prenda de Natal que me ofereci neste ano (obrigada, rtp play).
Sou eterna e humildemente grata a todos os que participaram ou contribuíram para a qualidade intemporal de Cinema Paraíso.
Benditos sejam.
Concordo totalmente consigo, o filme Cinema Paraíso é isso tudo que escreve e mais não acrescento para não estragar.
ResponderEliminarSe não se importa, vou andar um bocadinho atrasado, vou voltar ao post de ontem, porque a matéria era muita e boa e não a esgotei num dia, nem se calhar em dois.
Também me esqueço muito do que li, outras vezes não, dizem que a nossa memória é selectiva.
Mas tenho memória suficiente para lembrar, num seu post em um qualquer ano lá atrás, nos ter dito que em todos os Natais a Bea recorda e pensa em momento de profunda interioridade, na sua mãe, enquanto os demais conversam alegremente e saboreiam as iguarias sobre a mesa.
Não me esqueci, porque não se esquece o que nos comove.
Vem isto a propósito de ontem ter dito:
"Talvez ao Natal devamos acrescentar a celebração do que fomos, essas crianças desvalidas que alguém cuidou e amou como à própria vida. É bonito pensar assim e ter a certeza, saber que foi verdade. Merece celebração".
Muito bem visto, concordo plenamente, contudo, faço a pergunta que uma vez lhe formulei: quem hoje se lembra de mim pequeno?
Ainda de ontem um bom tópico: o que levaria eu para um lar? Depois dos estafados "os livros da minha vida" ou "que livros levaria para uma ilha deserta", aquele tópico está mais consentâneo.
Ora aí está, o filme Cinema Paraíso era uma excelente escolha, assim a directora permitisse. Talvez em cassete ou DVD - ainda se usa isto? O que eu para ali tenho a ocupar espaço e a ganhar pó, é como os livros, mas sou incapaz de deitar fora. Fazer o quê? As bibliotecas estão cheias, às vezes deixo alguns nos ninhos da troca espalhados pela freguesia "Traga Um Livro Leve Outro". Conhece?
Falou na sua Montblanc, deduzo que para a correspondência. Ainda há quem escreva cartas?
Boa noite, Bea.
Minha mãe e meu avô, com quem muito ela se parecia de carácter e fisionomia, são as figuras mais fundas da minha vida. Foram, seguramente, as que mais me amaram, protegeram e deram atenção. Dezembro é esse mês de profundidade e silêncios por entre o ruído. Reconheço que minha mãe ressalta em maiúsculas e a bold. Que existimos juntas e vive através de mim o tanto que lhe faltou em vida. Sou duas. O Natal aproxima-nos mais e em cada um damos as mãos, meu pai já a seu lado. E sim, Joaquim, o amor que recebi é uma das poucas certezas da minha vida: nasci condenada a morte breve e só o seu amor me salvou; tudo que sou de bom tem a sua marca; a profissão que sonhei como se fora quimera, só por meio dela se concretizou, foi sonho mútuo, o último: na benção das pastas vestia luto carregado, metafórica e literalmente. Sinto grande mágoa por meus filhos não a terem conhecido e sei-me privilegiada pelo incomparável amor materno de que usufruí e que imito sem igualar.
EliminarQuanto à sua questão: não julgo importante que alguém se lembre da minha infância. Ainda que me comova encontrar alguns mais velhos - não restam senão uns dois ou três - que mo recordem. De uma forma ou de outra, eu sou aquela, no mais fundo de mim ("mãe, eu sei que traí"), continuo sendo a mesma. A vida leva-nos a construir um eu público e couraçado, mas, se o permitirmos, as crianças que fomos e continuam lá no fundo, amenizam esse eu objectivo. Dezembro é o mês de aliviarmos a pressão a que as obrigamos tanta vez. Deixar que os sentimentos mais nobres aflorem é sempre abrir portas à infância. Não sei se concorda.
Trago livros da biblioteca, são oferta. Têm demais e em duplicado, já não aceitam doações e os que faço meus vêm dessas pessoas que não sabiam o que fazer dos livros. Os meus filhos não vão querer os meus livros. Um porque tem mais ou menos os mesmos. O outro porque tem outros interesses. Talvez a nora queira um ou outro , é leitora voraz. Mas esse já não é problema meu. Desconheço o "Traga um livro leve outro".
Tal como a bolsa dos óculos e que devia ser dos lápis, a minha Montblanc tem muita memória dentro. Uso-a em todos os natais. Quanto a correspondência...não sei se pode chamar-se correspondência ao que raro tem resposta. Responder com um telefonema a uma carta é correspondência?! corresponder é admitir uma troca de mensagens - julgo eu que do mesmo teor. Mas hoje não há tempo. Só eu e uma amiga dos tempos de estudante nos prendemos ainda ao manuscrito que segue por correio. E nem sei que justificação teremos. Mas perseveramos. Ela é, além de meu irmão, a única presença na minha mesa de cartões de Natal. E a história de cada um dos cartões que já ali estiveram e faltam, dava também um post. E poderia fazer outro com os cartões que ali desejaria e não estão nem estiveram. Coisas que não são para aqui chamadas:).
Bom dia, Joaquim
Um filme extraordinário.
ResponderEliminarÓ yé!:)
ResponderEliminarBom Dia, Pedro
Nunca vi... Mas por acaso ontem foi dia de maratona de filmes de Natal e nunca tinha visto o Die hard e vi. Foi interessante. No total, foram 4 filmes vistos. Nada mau :P
ResponderEliminarCláudia - eutambemtenhoumblog
Assino por baixo. Adoro esse filme!
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