segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Menino Jesus

 

        Tens de desculpar, mas ainda não é hoje que sigo com a tua história; atrasou além do previsto. Bom, se não quiseres, não desculpes. A minha parte está feita, o resto, como dizem(?) os ingleses, “it’s up to you”.

        Pois tenho a dizer-te que me deixei dessa coisa do espírito de Natal e vou fazendo o que me cabe – e é bastante - com mais ou menos vontade. É para fazer, faça-se. Sim, sim, com a alegria possível e a velocidade que a idade permite.

        E digo-te mais, essa coisa da Lapónia não está com nada. Tu que é que tens a ver com pais natais e renas com nome de gente, hã??! Que confusão, nem sei como é que as crianças se desenrascam com prendas de pais natais ajoujados por sacos de brinquedos muito maiores que eles – é que são velhos, ouviste? -, e prendas no sapatinho de Meninos-Jesus-criança que entram pela chaminé, também eles carregadíssimos. Em meus tempos de desvario fantasioso inventei que o pai natal vinha ajudar o Menino Jesus; ele, criança como é e com um mundo inteiro de gente à espera de presentes, muito sapato, muita bota e etc, não dava conta sozinho. E ficámos assim.

        Mas pronto, escrevo a contar que, finalmente, conheci mercados de natal e não são nada de especial; vendem, quase em exclusivo, comida. Sofri temperaturas abaixo do hábito (sofrer é o termo exacto); não bebi vinho quente por elevada probabilidade de me dar uma tartarinha gástrica logo ali, e porque o vinho tinto, bem sabes, cinjo-o ao “tinto de verano”. Pior, bebi um chocolate quente que não chega aos calcanhares do que fazia aqui em casa com as tabletes espanholas de cacao à la Taza. Aquele era um leite com chocolate em pó normalíssimo e que não me assentou, estou em crer que adquiri vísceras de cristal. Espectáculo.

        Parece-te que nada me agradou?! Falso. Gostei da cidade toda vestida de Natal. Em festa. Os parques estão uma beleza – conjugam a natureza com o artifício. Senti-me dentro de um conto de fadas. E gostei um imenso do estúdio de pernoita, era tão lindinho e confortável que terminei a metade do livro “Toda a gente tem um Plano” que tinha deixado para ler no regresso. E viajei aborrecidíssima sem leitura, papel ou caneta.

        Cada vez admiro mais Bruno Vieira Amaral e seus demónios. Talvez porque vivemos num mundo muito parecido, conheço quase todos os lugares e bairros que descreve. Sei aquelas ruas, as varandas, as paredes desfalcadas de tinta, os grafitis sem estilo, porcos. Sei as lojecas de pobre e o rosto de quem vende e de quem compra. Sei a pobreza mais pobre de tudo, o ambiente “pouco recomendável”.

        A minha alma enche-se de alegria e orgulho porque o Bruno conseguiu singrar no mundo das letras. Um menino vindo do Vale da Amoreira. Ele e Itamar Vieira Júnior são a minha aposta maior. Haverá outros. Mas é a eles que pertenço.

        E já agora, Menino, protege os meus amigos, atenta especialmente nos do campismo e que hoje estão dispersos pelo mundo, ocupados a viver a vida que lhes coube ou que escolheram - é bom pensarmos que fazemos escolhas; mera vaidade, mas soa bem, outorga-nos poder. Protege quem participou na mais linda surpresa da minha vida.

6 comentários:

  1. Aqui o Menino dá as boas vindas ao novo Executivo na celebração dos vinte e cinco anos da RAEM.
    E o Presidente vem cá celebrar.
    Uma semana de férias, feriados e compensações.

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    1. O nosso Presidente anda por aí celebrando. Um destes dias recebi de uma amiga a notícia . e as fotos, claro - da sua estadia pela Holanda que agora se chama outra coisa:).
      A vida parece correr bem em Macau. Desfrutem.
      Boa semana, Pedro. Com ou sem presidente.

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  2. Este texto achei-o muito rezingão e a letra muito pequenina que já nem vai lá com óculos, no android.
    A propósito dos seus filhos não ligarem ao presépio, assim como a minha não ligar à leitura, não podemos pedir às pessoas do nosso sangue que sejam como nós, embora os tivéssemos educado segundo o nosso padrão. Coisas...

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  3. :))) E não pode uma pessoa vir aqui numa de bad mood?! Ora essa, Joaquim. Além do que sou mesmo, por natureza e feitio, uma rezinga.
    E de onde retirou a ideia de que afino por meus filhos não ligarem meia ao presépio? Eu quero que liguem é à família e a mim concretamente. Do que por cá fica quero lá eu saber. Pois se já nem existo...mas vão ter uma trabalheira, isso vão.
    Quanto à mudança de letra, palavra que não sei o que se passa com o portátil; dantes obedecia-me; agora nem por isso. Também dei por tais diacronias, mas não me apetece apagar tudo e refazer. Fica assim, escrita imperfeita como a vida.
    Desejos de um dia bom.

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  4. Achei graça à Rena com nome de gente. Pois que é bem verdade :)

    Ai e leituras... Desde que descobri a gravidez e fiquei enjoada, deixei de ler. Mas bem, acho que já li livros suficientes este ano :P

    Bom dia

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  5. O apetite da leitura vai voltar, Cláudia. Mas prepare-se porque também vão existir horas em desejaria estar a ler e não tem tempo para tal:). Aproveite da gravidez o que tem de melhor (e não é de certeza a má disposição).

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