Pois meu Menino Jesus estou contente, comprei as últimas prendas de Natal. Estive quase duas horas a experimentar roupa, mas saí feliz da vida. Desejo mesmo que as minhas prendas agradem. Mesmo, mesmo.
Olha, esqueci de olhar a iluminação da Rua Augusta, mas a da Prata, do Ouro e dos Fanqueiros estão amorosas e simples. Quero crer que a iluminação da Rua Augusta supere a das outras e os tais pára-quedas iluminados sofram forte mutação (ou os tenham retirado).
Fui ouvir Martim Sousa Tavares que vive em Évora (disse ele) e veio a Lisboa dissertar sobre o livro que escreveu e autografou. Ou, com mais acinte: veio falar da beleza de três cidades e que não divulgo, a ver se adivinham ou pelo menos ficam curiosos. Prometeu que faria uma dedicatória e não um autógrafo a quem comprasse o livro logo ali. Se desejar "boas leituras" é dedicatória, devia ir ler as que fez o Alvim quando veio a Cabrela. A minha tem uma página, o rapaz esmerou-se e personalizou. Tinha pensado comprar o livro por admirar o autor e gostar do título “Falar Piano e Tocar Francês”. Foi hoje. Mas assistir uma conferência de pé, não se faz. À boca da noite o esqueleto já se queixa por tudo quanto é sítio. Para mais, cheguei carregada que nem mula de carreira, ou mesmo tendeira de mercado mensal. Vi-me forçada a arriar a bagagem e pedi, julgo eu que com olhos encarecidos, um espacinho a uma jovem pouco disposta, para poder encostar-me à parede. Estávamos ali num aperto daqueles, sem lugar onde pôr as mãos ou espaço para mudar os pés feito galinhas, ora numa pata ora noutra; toda a gente queria a parede. Mas foi o que me salvou do desmaio, tenho esse mau hábito se estou parada de pé e sem apoio durante algum tempo.
Ressalvo um encontro tão imediato como inesperado que penso ter sido um encontro de Natal. Maravilhosa surpresa essa a de revermos alguém de quem gostamos e nos desejarmos mutuamente Boas Festas, coisa que já tínhamos feito na imediatez dos sms (mas não é a mesma coisa, pois não?). Aconteceu. Sem combinação prévia e só por estar escrito nas estrelas. Ainda bem que as estrelas têm destes apontamentos (longo suspiro de alívio e gratidão).
Neste momento, e depois de viagem solitária - está visto que os alentejanos se fecham em casa ao escurecer -, depois de inflectir para Sul não sem pensar, e se fosse para Norte? ou já na via certa: E se mudasse de faixa e fosse por exemplo para o Oeste? E logo deslizo pela ponte a inventar presépios e águas que me acompanham ao destino; ainda assim, mal saio do "Montijo cidade aberta", logo que a iluminação de beira de estrada cessa, invento lugares desconhecidos por onde vou passando, sítios mágicos rodeados de escuridão onde me sinto invasora de sobreiros imbuídos em frio e silêncios repousados. E peço-lhes desculpa, perdão por perturbar o vosso sono. Pegões quebra-me a fantasia com suas pipas rotundas lembrando ofício da terra. Passo numa pizzaria admirada, olho aberto a desoras e uma linha de luzes natalícias sobre a escâncara da porta. Pertence a um indiano; saber de experiência feito, mantêm a síndrome da porta aberta. Sorri. Qual será a razão de um indiano se deitar a fazer pizzas?! Mas noto neles o desejo de integração cuja prova está na breve linha luminosa.
Chego bêbeda de sono e cansaço, palavras e linhas já me dançam. Portanto, meu Menino, dorme bem que inda estás na barriga de tua mãe e, de certeza, não vais ter melhor vida. Se acaso te perguntassem, acharias tu que a vida te foi feliz? Ou vieste apenas cumprir destino, o fado que te pertencia.
Nota: desculpem qualquer erro no texto. O sono não dá para mais.
Parabéns Bea, só espero que amigos e familiares que recebam prenda sua, se apercebam de quanto de si colocou no propósito. Desde a ideia inicial, o pensar qual a melhor opção, o planeamento, as deslocações, a escolha da loja, o encontrar o que se deseja, o carregar para casa, o embrulho, o postalinho, os dizeres, o amor que coloca no presente e o prazer de oferecer. Perante tudo isto, acredito que o pagamento seja o que custe menos.
ResponderEliminarJoaquim, não me fale nisso. Porque compro prendas a que descubro depois um descosido, um botão meio zonzo e tenho estado a remediar pequenos males, a passá-las à lupa e embrulhar, a escrever umas letrinhas, a cortar linhas soltas, a lavar e engomar, etc. Não sei se quem recebe se apercebe ou não. É prazer bastante cansativo, sim. Mas já tive feed back de algumas e parece que agradaram. E isso é consolador. Amanhã terei um almoço por minha conta e mais algumas irão ao destino e em mão. Mas até lá há muito a fazer. Hoje começou oficialmente a maratona chamada Natal:).
ResponderEliminarClaro que não me custa pagá-las. Gostaria até de pagar mais. Mas a vida é como é.
Um abraço
E eu ainda tenho que ir confirmar se tenho mesmo tudo.. Se não, lá vou ter que ir este fim-de-semana sem falta, tratar disso.
ResponderEliminarQuais erros, só sei que até ri. Mais um bom texto =)
Bom fds
Ainda temos a 2ª feira para colmatar esquecimentos de última hora (para a consoada), não é Cláudia?
EliminarSim, tinha aí umas coisas meio tontas mas no dia seguinte fiz a em emenda; e a Cláudia nem as viu:).
BFS também para si
Há tantos anos que não vou ver as iluminações de Natal a Lisboa...ainda bem que não apanhou o dia em que a Climáximo as desligou...as minhas dúvidas quanto a estas coisas são tantas, enfim. Se não nos virmos boas festas:)
ResponderEliminarNão pense nas dúvidas, CC. Pense só na beleza. Temos mais trezentos dias para duvidarmos, reflectirmos, pormos em causa.
ResponderEliminarO momento é de união. No meu caso também de trabalho.
Boas Festas, CC. Sou Hamster dentro da roda de Natal:)
Este ano...como vem sendo hábito nada de presentes! O melhor presente é "estar presente'!!! Quanto à iluminação... só espreitei Matosinhos! Bj
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