Olha meu Menino, sinto a consciência pesada por não dar seguimento diário ao proposto: o calendário de Natal. Mas como é meu e ninguém conta os dias por ele – Graças a Deus – Tens de o aceitar desdentado porque, deve ser o peso dos anos, a noite apanha-me em imundo cansaço, trapo velho e incapaz - não leio; não ouço música; não vejo filmes; não escrevo. Adormeço prontamente, como se o corpo não esperasse mais que a posição horizontal. O corpo, esse traidor, age em nosso nome e sem que o queiramos. És bebé e não sei se entendes isto, creio bem que só por seres Deus entenderás - aos trinta e três anos eram outras as tuas canseiras.
Bom, tu sabes, não existe época do ano que mais goste. Ter a família reunida, consegui-lo ainda, é quase milagre. E podes crer, dou-te graças por isso. A ti e a quem me ensinou tal prazer sem tê-lo experimentado.
Mas não há apenas a família. Há os amigos. Os que o são por desejo nosso e vontade e a quem enviamos presentes ou apenas um cartão, segundo o grau de intimidade e conhecimento que deles temos; os que conhecemos de há muito e têm necessidade disto e daquilo e a quem procuramos acudir nesta época porque dar e receber se torna mais fácil e não magoa; aqueles a quem queremos oferecer um agrado porque se lembram e gostam de nós embora sejam mais velhos – ou sobretudo porque o são. E é como se estendamos braços em muita direcção e os abracemos, gratos por existirem e serem importantes na nossa vida. E se eles não o entenderem assim? Não interessa, essa parte não é pertença nossa.
Prometo: vou terminar a tua história, o Dia de Reis ainda fecha o Natal. Ou não?! E entre Natal e Ano Novo a casa vai esvaziando e tornando a si. Aí, vou aproveitar e colocar sobre os teus joelhinhos escarolados e frios a mantinha da minha história, tecida letra a letra com as agulhas do meu pobre imaginário. Não é manta de luz, mas aquece.
E por favor, não te deixes constipar, não apanhes a gripe A que cavalga por aí. E que Deus que é Pai teu, e parece que de toda a gente, te guarde.
Um abracinho doce desta que s’assina
Bea
Faço meu o abracinho do Menino, mesmo que venha com alguma farinha à volta, que não tem importância nenhuma.
ResponderEliminarÓ Bea, como consegue ser tão organizada, para nesta quadra festiva de tanto trabalho para si, ainda arranjar um tempinho para se dedicar ao seu Menino Jesus e a nós?
O Natal é muito bonito, mas especialmente para as mulheres, é um trabalho terrível, eu bem vejo cá em casa - nós homens tratamos mais do trabalho exterior, da logística, pôr a mesa, limpar copos e no fim arrumação.
Portanto, quero agradecer em nome dos seus leitores associados, que embora não sejamos amigos na verdadeira acepção, mesmo assim somos mais que simples conhecidos, o facto de continuar presente nesta sua janela.
Estamos em época de paz e recuso expressar o que penso dos homens em geral e dos que tenho em casa em particular.
ResponderEliminarE sim, é mesmo muito trabalho feminino. E no natal também me calha o fim e o durante. O dono da casa senta-se à cabeceira da mesa e não se levanta senão quando tudo termina (e eu na cabeceira que fica perto da cozinha). Ainda assim é um prazer ter tanta gente à mesa. O prato principal vem de fora (não querem couves com bacalhau), faço as saladas, a salada de frutas, alguns doces e a minha refeição, a deles está-me proibida.
Descansa-me um bocadinho vir aqui.
Bem haja, Joaquim
O Natal é a festa da vida e como tal deve ser celebrado.
ResponderEliminarContinuação de bom fim de semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
O "deve ser" tem muito que se lhe diga, não é Juvenal?
ResponderEliminarBom Natal também para si.
Um abraço