sábado, 21 de dezembro de 2024

Dia Vinte e Um - Recado ao Menino

 

        Olha meu Menino, sinto a consciência pesada por não dar seguimento diário ao proposto: o calendário de Natal. Mas como é meu e ninguém conta os dias por ele – Graças a Deus – Tens de o aceitar desdentado porque, deve ser o peso dos anos, a noite apanha-me em imundo cansaço, trapo velho e incapaz - não leio; não ouço música; não vejo filmes; não escrevo. Adormeço prontamente, como se o corpo não esperasse mais que a posição horizontal. O corpo, esse traidor, age em nosso nome e sem que o queiramos. És bebé e não sei se entendes isto, creio bem que só por seres Deus entenderás - aos trinta e três anos eram outras as tuas canseiras.

        Bom, tu sabes, não existe época do ano que mais goste. Ter a família reunida, consegui-lo ainda, é quase milagre. E podes crer, dou-te graças por isso. A ti e a quem me ensinou tal prazer sem tê-lo experimentado.

        Mas não há apenas a família. Há os amigos. Os que o são por desejo nosso e vontade e a quem enviamos presentes ou apenas um cartão, segundo o grau de intimidade e conhecimento que deles temos; os que conhecemos de há muito e têm necessidade disto e daquilo e a quem procuramos acudir nesta época porque dar e receber se torna mais fácil e não magoa; aqueles a quem queremos oferecer um agrado porque se lembram e gostam de nós embora sejam mais velhos – ou sobretudo porque o são. E é como se estendamos braços em muita direcção e os abracemos, gratos por existirem e serem importantes na nossa vida. E se eles não o entenderem assim? Não interessa, essa parte não é pertença nossa.

        Prometo: vou terminar a tua história, o Dia de Reis ainda fecha o Natal. Ou não?! E entre Natal e Ano Novo a casa vai esvaziando e tornando a si. Aí, vou aproveitar e colocar sobre os teus joelhinhos escarolados e frios a mantinha da minha história, tecida letra a letra com as agulhas do meu pobre imaginário. Não é manta de luz, mas aquece.

        E por favor, não te deixes constipar, não apanhes a gripe A que cavalga por aí. E que Deus que é Pai teu, e parece que de toda a gente, te guarde.

        Um abracinho doce desta que s’assina

        Bea

4 comentários:

  1. Faço meu o abracinho do Menino, mesmo que venha com alguma farinha à volta, que não tem importância nenhuma.
    Ó Bea, como consegue ser tão organizada, para nesta quadra festiva de tanto trabalho para si, ainda arranjar um tempinho para se dedicar ao seu Menino Jesus e a nós?
    O Natal é muito bonito, mas especialmente para as mulheres, é um trabalho terrível, eu bem vejo cá em casa - nós homens tratamos mais do trabalho exterior, da logística, pôr a mesa, limpar copos e no fim arrumação.
    Portanto, quero agradecer em nome dos seus leitores associados, que embora não sejamos amigos na verdadeira acepção, mesmo assim somos mais que simples conhecidos, o facto de continuar presente nesta sua janela.

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  2. Estamos em época de paz e recuso expressar o que penso dos homens em geral e dos que tenho em casa em particular.
    E sim, é mesmo muito trabalho feminino. E no natal também me calha o fim e o durante. O dono da casa senta-se à cabeceira da mesa e não se levanta senão quando tudo termina (e eu na cabeceira que fica perto da cozinha). Ainda assim é um prazer ter tanta gente à mesa. O prato principal vem de fora (não querem couves com bacalhau), faço as saladas, a salada de frutas, alguns doces e a minha refeição, a deles está-me proibida.
    Descansa-me um bocadinho vir aqui.
    Bem haja, Joaquim

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  3. O Natal é a festa da vida e como tal deve ser celebrado.
    Continuação de bom fim de semana.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

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  4. O "deve ser" tem muito que se lhe diga, não é Juvenal?
    Bom Natal também para si.
    Um abraço

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