Perpassas no silêncio que só o toque das agulhas quebra, o mundo parado lá fora. Perpassas sem passar. Continuamos. Contíguos. Ou afundas e és eu. Alteados de sonho e ignorantes da linguagem do tempo, demos as mãos. Dou conta do teu ser exaurido e exangue, as mãos húmidas do teu suor; e, levemente, te deito em pousio, aninho-te na terra cansada a que pertenço e sou. Aconchego-te a raiz com as minhas mãos de terra, rodeio-a de pó concavo, preparo-te para a água. Talvez te recupere um pouco no trabalho de mãos que tem outros destinos e vou deixar por aí. Talvez permaneças em mãos alheias, dedos florescendo. E espero - espero sempre - que em ti se cumpra a dádiva e em ti ocorra a redenção. E a terra que sou vai distender e ser suave e quieta como pertence.
Um caminho que se quer muito menos acidentado no novo ano que se avizinha.
ResponderEliminarBoa semana
É isso, Pedro. Estamos fartos de acidentes e já merecemos um troço de estrada direita.
EliminarE que o Natal coincida com o que dele espera.
Esta semana vai custar menos a passar, mesmo na ponta vem o natal ao nosso encontro:).
Tão belo! Lembro a propósito o que escreveu o japonês Jiro Taniguchi "Não somos nós que regressamos à terra, é ela que um dia chega aos nossos corações"...
ResponderEliminarDesejo um Natal cheio de Amor e um ano de 2022 com saúde, paz e conforto.
Um beijo.
Muito grata sou eu, Graça. Pela visita e pela atenção que me dedica.
EliminarE que o novo ano se revele melhor que o anterior. Jã temo dizer que me parece um bom número. Já 2020 me parecia e foi o annus horribilis.
Mas cá estaremos para o que der e vier. Se estivermos.
Um abraço natalício.
Muito bonito o texto.
ResponderEliminarBeijocas
Obrigada, Cláudia. Tenha um dia bom, mesmo se chove.
ResponderEliminarSerá este "Pé ante Pé" outro passo do anterior? Lei-o como tal. Lindo em todo o caso. Bom Natal que para ti já anda durando há tempos.
ResponderEliminarJá não me lembro do anterior :). Sendo o passo seguinte, só pode ser inconscientemente modulado. Agora, o café dá-me para isto, que queres, querida prosa.
EliminarPois é, o natal começa-me no princípio de tudo. E dura, dura:). Suponho que seja essa a sua beleza. É um território deserto que me entretenho a povoar. E, como na vida, mais que o dia, é o caminho que importa e me alegra.
Entre o pó, cinza e nada de Florbela e o pó, cinza e recordações de Rentes de Carvalho, algo somos.
ResponderEliminarDois autores de que gosto, Florbela por ser de alma alentejana até ao tutano; Rentes de Carvalho porque escreve bem e é desabrido qb, além de certo sentido telúrico e rural a que não foge. E essa obra de Rentes de Carvalho vale muito a pena.
EliminarSeremos algo. Que nem sempre apetece e não é de chocolate:).
Boa noite, Joaquim.
"Pé Ante Pé", vim desejar-lhe um Santo Natal na companhia dos que mais ama e um Ano Novo cheio de luz e esperança.
ResponderEliminarBeijo, saúde.
Obrigada, Teresa, por ter vindo assim de mansinho pra não perturbar o Menino que está quase, quase a nascer e já sabe o que o espera.
ResponderEliminarVai ser um bom natal, sim. Se Deus quiser e o covid deixar:).
Quanto ao novo ano...ficam os votos. O mais que haja, logo se verá.