quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

O Chão do Natal

 

         O natal anda-me espalhado por mesas, camas, chão. Há laços onde menos os espero; prendas arrumadas e prontas que tenho dificuldade em lembrar como assinalei; embrulhos ainda abertos porque incompletos e um ou dois projectos que conto ver hoje terminados e vão deixar tudo – ou quase – no lugar certo. Dado que o vigor parece abandonar-me nestas alturas, já tratei de me embebedar de café com leite. E melhorei.

         É provável que tenha esquecido algumas pessoas a quem envio Boas Festas. Mas já seguiram e decidi não pensar mais nisso. Quer dizer, vou abrir uma excepção, estou a lembrar-me que esqueci uma amiga daquelas que nunca responde, mas dá um toque nas vésperas de Natal. Portanto, vou arrepiar caminho e ainda lhe escrevo umas linhas. Depois fecho para balanço e, por escrito, não estou para ninguém.

         Hoje foi dia de envio para as minhas amizades mais chegadas. Vai-me nos embrulhos uma ternura indelével que elas não notam e nem eu digo, mas segue junto. E, como já frisei, as prendinhas são um nada do que quereria dar-lhes, parca amostra do meu desvelo. Gostaria de enviar presentes que arrancassem ohs e ahs de satisfação infantil e que as levasse a rememorar gostosa incredulidade no desembrulhar das embalagens. Ainda assim, guardo a esperança de surpreendê-las um nadinha. Fazê-las felizes ao minuto.

         Estou a abandonar o tricot em demasia, mas que querem, ontem  parei as agulhas para ver Oliver Twist que, palavra, nunca tinha visto. Gosto de filmes com gente boa. Mesmo tendo que gramar com pestes do pior a fazer contraponto. E aquele Oliver era um actor e tanto. Logo à tardinha, havendo um nico de tempo, sou capaz de ver a Heidi. Os meus conhecimentos sobre a garota datam dos saudosos vinte anos, quando ia ver um ou outro episódio a um café. Dizia uma amiga que inda conservo, “estes desenhos animados dão saúde”. Quem sabe, era por isso que fez tanta força para que eu os visse. O viço que tinha, então, a nossa amizade.

6 comentários:

  1. Para quem já "foi tarde" nessas andanças, nada mau haver Natal por todo o lado :P

    Houve um ano que também escrevi postais. Mas deixei-me disso.

    Beijocas

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  2. Sabe, Cláudia, a papelaria da minha terra já nem sequer os vende. Provavelmente deixaram de os fabricar. Nos correios disseram-me que os que têm da UNICEF já são do ano passado, que este ano não vieram novos. É fora de dúvida, as coisas boas também acabam.
    Um beijinho de boa noite:)

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  3. DEixei-me dormir um bocadinho, mas gostei:). E era mesmo um filme. Com pessoas.

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  4. Há uma associação de deficientes que todos os anos me manda postais feitos por eles e eu recebo-os envergonhada porque sei que vão directos para uma gaveta.
    Bom fim-de-semana, Bea

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  5. Que pena, Magui. Ontem corri tudo por um e não encontrei.
    Devia enviá-los. Eu sei que, se calha, a moda não pegava. Comigo não pegou e nem vai pegar. Mas é pena que fiquem na gaveta, porque o pessoal não gosta de escrever, mas desconheço quem não goste de os receber. Até penso que agora se gosta mais, são tão pouco usuais...
    Bom Fim de Semana, Magui.

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