Logo ao segundo dia, falho o calendário
de Natal. Ora bolas. Mas quem ia prever que a parva da vacina assim me tolhia.
Bem quis colaborar com a quadra. Ainda andei a esgravelhar no sótão em demanda
dos lápis e das folhas que não se deixaram ver. Portanto, este ano vai ser o
bom e o bonito, só tenho folhas para pintura a óleo – não que tenha óleos ou
saiba pintar – e guache. Mas pronto, trouxe tudo para baixo e ainda cortei três
cartões. E foi tudo. De resto, a dar-me ânimo, chegou, com toque de campainha
(o meu carteiro é mesmo um querido), a primeira prenda de Natal😊.
Primeira, quer dizer, já me tinham dado um pano de cozinha, mas não conto
utensílios que me lembram trabalho e me parece sempre serem dados à dona de
casa que sou mas não sou. Pois foi imediato, comecei logo a leitura. Esta encomenda
veio de uma amiga que bem conhece o meu amor a viagens e que, sensatamente, me
enviou as viagens de Miguel Cadilhe (já tinha lido várias porque reúne as
crónicas que escrevia para a Visão). É uma leitura fácil e que não farta mesmo
se repetida, nem se incomoda com a lentidão do meu eu doente. Ideal para o
efeito. Portanto, já li quase metade do livro. A prenda está meio comida. É
claro que liguei à minha amiga. E, como sempre, não atendeu. Enviei carta em
versão triplicada de sms. Voltei a olhar os cartões e as tintas. Pensei que era
a minha vez de enviar o pacote que já tenho feito para ela e a que falta apenas uma carta a
sério e o cartão. Mas ela precisa de uma carta bem disposta (tem aquela mania
parva da angústia) e não estava para aí virada. Adiei. E li mais um bocadinho.
Portanto. Na sala, sobre os sofás,
estão há que tempos, engomados e prontos, os enfeites de Natal. Acho que vão
continuar meio mortos porque ainda não me apetecem escadotes. Isto de apetites
a um escadote não é fácil de conseguir. A ver vamos.
Deixe-se de alturas e escadotes senhora. Faça antes um presépio rasinho em cima de qualquer mesinha ou cómoda e não entre em aventuras nesta fase.
ResponderEliminarEntão a sua amiga não a atende? Nem telefone, nem sms? Só aceita carta? Ah, ah, ah, ela lá sabe como a Bea se exprime melhor :)
Deve-se estar a referir ao novo livro do Gonçalo Cadilhe não? O do GPS. Não li nada dele, embora já estivesse com o Planisfério Pessoal várias vezes na mão.
Os livros novinhos em folha depois de lidos são uma dor de alma; para ali ficam durante anos a aguardar uma releitura, a ganhar pó e humidade, às vezes (raras) lá se emprestam, mas pronto são pertença física e eu não sou fã de e-books.
Bom dia.
Não faço presépios, Joaquim. Ou talvez sim, já aqui contei que tenho três Meninos Jesus a tiritar (um deles já está no posto). O meu presépio resume-se ao menino nas palhinhas. Claro que vou subir ao escadote. Mas não hoje, preciso mais um dia ou dois.
ResponderEliminarAs angústias são assim, a gente aferrolha-se e não está para ninguém. A minha amiga agradece as cartas, sim. Além disso, sou ave rara e a única pessoa que lhas escreve:). Mas enviei sms estilo carta. Sem resposta, é evidente. Falta aprimorar a minha boa disposição para escrever e tratar de a trazer à tona. Não sei se connsigo. O covid isolou demais e por demasiado tempo as pessoas medrosas e hipocondríacas. é o caso. E depois surgem tempestades em copo de água e até sem água e sem copo. Mas quem é que os desconvence. Eu não consegui.
Ai é um livro novo? Nem sabia disso. Gonçalo Cadilhe escreve com fluidez e sabe dar-nos perspectivas. Creio que tenho o Planisfério Pessoal e mais um ou dois.
É mesmo, devíamos dá-los, oferecê-los a alguém que goste de ler. Os meus já andam por todo o sótão e é uma pena que outros os não usem. A maioria, embora sejam do meu gosto, não faço questão da sua presença. Jã houve tempo, mas já passou a doença. A gente vai-se despojando. O que é boa ideia, vamos partir sós e sem bagagem.
Ainda quanto a livros, a biblioteca municipal já nem aceita doações, parece que têm muitos e não há prateleiras. Estão mesmo a oferecer os que ninguém requisitou e foram doados. E até beneficiei disso, como deve estar lembrado. É o que há.
Também não leio em e-book. Nunca me apetece.
Boa tarde, Joaquim.
E olhe, se isto não for uma carta eu vou ali e já venho.
ResponderEliminarO encanto do quotidiano numa crónica magnífica!!
ResponderEliminarBea, anotei o livro de Miguel Cadilhe. Estou a precisar rapidamente de uma leitura levezinha para intercalar com o pesadão/surpreendente/hipnótico "Milkman", da irlandesa Anna Burns. Nunca li nada igual.
Beijo, feliz fim-de-semana, cuidado com os escadotes.
É um bom livro para recuperar de tristezas, mal de amor e doenças; também bom para ler em transportes públicos ou na espera de consultas médicas. E ainda, antes de adormecer.
ResponderEliminarNão li esse. Milk, Milk, só vi mesmo um filme com Sean Penn, um actor que admiro e tem alguns filmes muito bons.
Fico sempre surpreendida quando alguém diz que não leu nada igual. Então não é uma ficção, um conto bem contado; como é que nada igual, Teresa. Agrada-lhe e talvez se afirme por qualquer razão :).
Sim, talvez não falte muito para deixar de me empoleirar. Por enquanto ainda consigo:). Vai correr bem.
Bom fim de semana. Teresa.
Bea, quando eu digo «nunca li nada igual» não tem a ver com a história em si, tem a ver com a torrente de escrita que nos sufoca e cativa ao mesmo tempo. Acredite, nunca li nada assim.
EliminarBeijo, boa semana.