Pela
primeira vez, parecem-me indistinguíveis os dias vinte e quatro e vinte e cinco.
É certo que dormi entre eles, mas tão breve retomei a maratona
que me parece, grosso modo, tarefa ininterrupta. Eternizar-me na cozinha é sina da época. Limito-me
a pequenas incursões pela sala, tão breves que nem sequer me põem a par do que,
amenamente, se discute ao calor da lareira. Todos trajando domingo e eu de
avental, cabelo preso não vá algum fio soltar-se onde não deve. Ora este ano devo
ter-me portado pior, no dia de Natal nem sequer assomei à sala, não sei o que
se discutiu. Na cozinha, consegui a proeza de pegar
a estadia do almoço com a do jantar. Sim senhora. Piorei substancialmente. E
tudo por culpa dos fritos de abóbora que ficaram a escorrer (a gente tem de
lançar culpa a alguma coisa, não é?). E escorreram, escorreram, escorreram.
Porque os esqueci. E portanto, foi uma consoada sem eles. Mas, numa das manas, eles são o sabor do natal. Portanto,
combinámos que viriam lanchar no dia vinte e cinco. É que devo andar em fase de
lesmice desgraçada apesar do inefável café, sem o qual, vejo agora, o meu
ponteiro não teria aguentado a velocidade
natalícia. Senão repare-se. Terminado o almoço, lancei-me a arrumar tudo na
cozinha a fim de preparar o jantar (havia novas visitas para a janta). Mas
quando arrumei tudo e comecei o jantar eram horas de preparar o lanche. E
chegaram as visitas do lanche. E lá saíram à cena os fritos de abóbora. De
modos que, feito e saboreado o lanche, ficou aquela desarrumação na cozinha e na
sala. E enquanto uns saíam e iam à sua vida e
outros se entretinham em amena cavaqueira com os que, entretanto, tinham chegado para a marcação do jantar, eu arrumava de novo e jogava-me a preparar
a janta. Porque as mulheres – malditas mulheres – chegaram-me muito
cansadas e exaustas dos trabalhos do natal e sentaram-se a conversar no que
acho muito bem, se eu fosse visita faria igual.
E
foi isto o meu natal. Digamos que me sentei às refeições (levantando-me n vezes, claro, o Ambrósio não sei dele, se calhar foi passar o natal a Itália ou assim). E julgo
tão notório o meu cansaço que as visitas de dia de Natal – graças a Deus –, às vinte e três badaladas se despediram. E eu idem. Desliguei o motor e fui
dormir. Desta vez, sem hora de acordar. E, apesar do café que sempre me tira o
sono, neste natal não houve efeitos secundários: caí como pedra em poço fundo.
Bom, é certo que ganhei uns livrinhos, os meus
doces filhos são mesmo mesmo o meu encanto; e um guarda chuva esquisitíssimo
que serve para trazermos e usarmos no carro e me parece um ovni. E uma blusa
quentinha e larga, um conforto. E just.
Não
sei se minha mãe e meu avô acorreram à chamada, não dei por eles. Mas gostei do
jantar de consoada cheiinho de satisfação em volta da mesa. E foi um jantar
alegre, bom ambiente, mesa farta. Os
mais jovens, contentes e lindos, madrugaram nos empregos para chegarem a horas
ao jantar. Uns queridos, eles.
E
viva o Natal dos Trabalhadores mal pagos. E que, como diz Rentes de Carvalho no seu post,
seja também assim no ano que vem. Mesmo que eu dobre a dose de cafés, estilo um
extra a meio do dia:).
Magia
acho que não houve, não foi um Natal de poetas...mas vou pensar melhor no assunto.
Ao contrário da bea NÃO entrei na cozinha‼
ResponderEliminarSou neta e filha de MULHERES egoístas, que NUNCA se sacrificaram pela família e que NUNCA as vi de avental‼
Continuação de BOAS FESTAS 🌲 na companhia da sua família, que a bea tanto ama 💚
Oh, Teresa, então, que se há-de fazer...acho que também não saio à família, minha mãe não usava aventais, dizia mesmo ser peça de que não gostava. Mas não trabalhava menos por isso:).
EliminarUns não entram na cozinha, outros não conseguem sair dela:))).
Hummm...a minha família já foi partindo que a vida de cada um não é em minha casa que se tece. Mas foi bom estarmos juntos.
Boas Festas, Teresa. Na cozinha ou fora dela. Com saúde e alegria.
Olá bea, lamento se o meu comentário a desiludir, mas não gostei nada de saber que foi a única a usar avental e que no dia de Natal mal entrou na sala a não ser para servir o que me parece ser uma cambada de egoístas.
ResponderEliminarSorry, mas é isto que eu penso :(
Tenho na ideia que o Natal é uma partilha de amor mas também de interajuda entre todos os membros da família e amigos.
Sei que fez tudo com muito gosto e que ficou de coração cheio por ver todos tão felizes, mas não acho isso nada justo, mesmo nada...
Devia (e deviam os outros) pensar um bocadinho mais em si, penso eu... afinal já não é uma jovenzita e até me parece que tem alguns problemas de saúde.
Peço que não me leve a mal, se calhar fazia melhor figura se tivesse ficado caladinha, mas gosto sempre de ser sincera.
Beijinho, bea, e se cuide, tá?
Deixe de ser tão formiguinha e seja um pouco mais cigarra, ok?
Continuação de Boas Festas :)
⚘
Maria, parece-me até que gostei do seu comentário, preocupa-se comigo e não há muito quem. Na verdade. Vamos lá a ver, eu tive uma ajuda nos fritos, uma mana veio pôr a mão na massa. Mas depois foi para a sala fazer companhia e lanchar. E ficou na conversa com as visitas.
ResponderEliminarE eu também fiz as refeições na sala, com toda a gente:). Na consoada nós - as mulheres - dividimos a confecção dos pratos. Mas, sendo em minha casa, há sempre mais no antes e no depois. O dia de Natal sempre me foi muito violento e os meus problemas de saúde não são coisa que preocupe a família e talvez nem os saibam:). Não sou assim tão queixinhas:)).
Boa noite, Maria
E não me desiludiu:). Antes me admirei que alguém que só conheço daqui tenha notado.