A
minha árvore de Natal tira-me do sério. Foi-me oferecida há muitos anos por um amigo.
Também lha deram, mas como já tinha uma e a preferia, deu-ma a mim que não
tinha nenhuma; fez muito bem. Durante dez anos a minha árvore cumpriu fielmente
as funções atribuídas. Cumpriu, digo bem. Já não cumpre. Há uns dois anos, um
dos pés quebrou e esparramou-se toda. Com a queda, partiu uma data de bolas
vermelhas e brancas e deu-me logo vontade de lhe dar uma sova. Na
impossibilidade de lhe baixar a cuequinha e assentar uns açoites, saíram-me de
enfiada uma data de asneiras que não resolveram o problema. Habituada que fui a
atamancar tudo, logo me lembrei de um vaso grande que descansava muito
sossegado ao lado de irmãos minorcas e, depois de enchê-lo de terra, experimentei
enfiar a árvore.
É claro que devemos respeitar a natureza das coisas e a culpa,
a haver, é minha. Uma árvore de plástico vai lá agora querer saber de ser
enterrada. Pois se ela nem sabe o que é terra. Estava ainda no começo de maçãs
vermelhinhas penduradas e já ela sem equilíbrio. E portanto entendi que
precisava segurá-la melhor. E foi assim. Posto isto, hoje trouxe-a para o lugar
e fui logo à cata do vaso. Só que a terra molhada pesa mais. Ainda arrastei o
vaso até à laranjeira que ria vagamente de mim, o cão farejava muito
interessado no negócio, mas sem ajuda que se visse (nada se vê neste cão, nem
ladra). O meu fôlego terminou debaixo da laranjeira. Foi aí que deixei o vaso e
pedi ajuda a uma senhora. Uma de um lado e outra do outro, lá trouxemos o dito.
Enfiei a palerma da árvore e saí a buscar pedras que a obrigam à postura correcta. Abro a porta e a minha futura vizinha vem vindo num sorriso deleitado,
Biiiiaaaa, pêrrgunto po você todo o dia e não istá, ia bátê na porrrta pa
dêsêjá bom nátau pa você. E eu suja de terra até aos cotovelos, Obrigada,
obrigada, também desejo Bom Natal e bom
ano aos meus futuros vizinhos. E a desculpar-me, é que estou a fazer a árvore de Natal. E ela na
sua simpatia tropical, não vô incômôdá mais, vai, vai; e encaminhou-se para a
casa de outra vizinha. Uma querida. Desconfio que estou a gostar dela (foi a
segunda vez que a vi). Bom, preso o tronco, o
que é que descubro? Calculem vocês bem, que todos ou quase todos os ramos da
dita planta artificial me faziam um manguito. Como é que a parva da árvore, que
está o ano inteiro numa caixa que não a deixa mexer e tem de ficar tudo
direitinho para conseguir caber naquele túnel de papelão, digo eu, como é que a
parva da árvore entortou os ramos todos da mesma maneira? É que é torta, só
pode. Mas desmanchei-lhe os intentos um a um e enfeitei-a na mesma. Toma! Branco e
vermelho. Não parece mal. Coloquei luzes que piscam e que não piscam e ficou extraordinariamente
árvore de Natal. Sem o suporte, é quase anã, bolas a um palmo do chão. Ainda
assim é uma anã graciosa.
Mas
se ela para o ano que vem me sai com as hastes da mesma maneira, deixa deixa,
acho que a piso toda, de ponta a ponta:).
Então as árvores de Natal não estão protegidas pela Graça de Deus? Mas caem na mesma né!.
ResponderEliminarFeliz Natal
Não estão, não senhor. Deus é o que nasce e não tem a ver com árvores de Natal. Ele é mais palhinhas e manjedouras.
EliminarUma árvore de Natal 🌲 de plástico é mais horrível do que um time de terror 🌚🌚🌚
ResponderEliminarAh, ah, ah...escuso de massacrar os pobres pinheiros como faz tanta gente. Já bastam os fogos a matá-los.
ResponderEliminarTemperamentais, está visto. Há que contar com os caprichos das ditas. Cá por mim, já decidi e pro ano vou lançar-me em coisas estilosas, designe avançado, que fuja ao tradicional e não me exaspere nem suje as mãos.
ResponderEliminarA minha filha fartou-se de rir quando hoje deu de caras com a minha pindérica árvore de natal, cuja descrição já lera no blog. Acha que fui benevolente na descrição. . Está tudo dito.
Beijo, Bea.
Não acho a minha árvore pindérica; está para o baixinho, mas natalícia:). E não me exaspero por coisas tão mínimas. Solto uns palavrões e resolvo. Mas acho sinceramente que preciso comprar enfeites novos. Sei lá azul e branco ou azul e dourado, só para alternar ao longo dos anos. A minha árvore vai ter de durar mais uns anitos. Fora o que nela está mal, está toda boa.
EliminarVotos de um Santo Natal
ResponderEliminarObrigada, Pedro. Igualmente:).
ResponderEliminarBom Dia!
Morreu Patxi Andión, o cantor que dizia "Canto a los sueños canto al dolor/ Canto a los hombres que curte el sol/ Canto a la tierra canto al amor/ Canto a la madre que me parió”.
ResponderEliminarDevia andar aí pelos meus doze anos mais coisa menos coisa, quando minha tia (a única da família que tinha gira-discos) comprou o 20° Aniversário - Palabras, do cantor basco.
O que eu gostava daquela voz profunda. E, há distância de cinquenta anos, interrogo-me como aquelas palavras já me diziam tanto na altura, apesar da tristeza e melancolia das mesmas, embora em entrevista o cantor tenha dito: "Não sou triste, a minha realidade é a das sombras, das pessoas que não estão nas conversas, das prostitutas, dos cães, dos vagabundos, das crianças.”
Que descanse em paz.
É isso, Joaquim. Eu ouvia-o sem entender o que dizia mas gostava tanto daquela voz que tinha qualquer coisa de deus ressuscitado.Era uma profundidade de ritual e coisas sérias ditas a cantar. Só mais tarde comecei a entender o que cantava. E dobrei a preferência:)
ResponderEliminarComo já disse noutro lugar, que descanse em paz.
A de nossa casa... branca com piscas que entretanto fundiram e bolas vermelhas porque já fazem parte da mobília mas gosto de as ver... se gosto... com muita cor para poder brilhar ao meu olhar!
ResponderEliminar...
Que seja um Natal com muita magia e AMOR!!!
BJ
As minhas luzes também são bem antigas e a árvore tem bolas brancas e vermelhas e algumas maçãs vermelhas que devo ter comprado a lembra-me da Branca de Neve:). Tem um conjunto de luz fixa e outro que faz todas as modalidades incluindo estar um minuto apagada:). Daqui a pouco vou ligá-la à corrente pode ser que espreite uma rena:).
ResponderEliminarObrigada, Gracinha. Igualmente.
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