As
sextas feiras andam a sair-me um bocadinho obtusas. Portanto, hoje dei-me ao
prazer de enganar o tempo e criar uma a meio da semana (toma!). À sexta
levanto-me de salto, faço um café de cafeteira, como os da minha avó mas mais
aromático, que nesse tempo não se ouvia falar do Senhor Nabeiro, ou então éramos
pobrezinhos e bebíamos café de pé feito à lareira e era preciso deixar assentar
as borras. Pronto, a minha cafeteira é mais moderna, coisa até um bocadinho
airosa e muito útil porque, enquanto a água sobe num glu glu tão suave que tenho
de apurar o ouvido, espalha-se na
cozinha o aroma forte e perfumado de
café acabado de fazer. Fica apetecível, a minha cozinha. Se tenho uma máquina
daquelas todas lindinhas? Tenho mesmo, mas é que não me dá pica, é só carregar
no botão e já está a bica tirada. Que graça é que tem? Nenhuminha. Não há o
cheiro – é mesmo verdade, sou um bocado maluca com os cheiros, os bons, os
maus, os que passo a detestar até sem explicação, os que me são execráveis e se
explicam. Tem vezes em que julgo que a minha vida foi mesmo condicionada pela
pituitária. Está bom, não vou escrever mais sobre o olfacto. À frente. E depois
desforro-me das manhãs insípidas, a leite com ingredientes que não cheiram, e faço um café-com-leite mulato até ao âmago,
que vou curtindo devagar, prazer tão grande em cada gole que não sei se não
ofendo algum mandamento daqueles dez que estudámos. A pena que é terminá-lo, Santo
Deus.
E
portanto, depois do café, foi mesmo uma canseira das antigas e que nada tinha a
ver com natais e festas. Há muita vida que é só porque tem de ser. E hoje foi.
Ora, escrevo eu as diárias folhas deste calendário de Natal, e não fiz nada em
prol da festividade. Ai fiz, fiz. Já tenho três prendas nos envelopes, cujos
ainda vou enfeitar se encontrar os fugitivos lápis dos natais. Além disso, iniciei
os meus contactos em prol de quem vem de mais longe; nessa noite, todas as
camas são poucas. Quero, com muita força, acolhê-los e que todos sintam que
pertencem e são da casa. É assim o amor
familiar, preocupa-se, tece, envolve.
Bonito de ler:)
ResponderEliminarBom saber que ainda há famílias assim, tão unidas.
Eu não tenho boas recordações do Natal :(
Também gosto muito do aroma do café.
Bons sonhos, bea.
😴
Se a gente dormisse de acordo com o que deseja, era óptimo, Maria. E que o dia cinco esteja a correr bem:)
EliminarA maior realização da minha vida é a minha família.
ResponderEliminarQue revi neste post.
E, qual Suskind, também recordei o aroma do café acabadinho de fazer na cafeteira.
Só boas memórias, né Pedro. Às vezes acontece termos memórias semelhantes:)
EliminarBom dia
Como de um assunto comum se faz um texto incomum!!
ResponderEliminarTambém fui curtindo devagar, o seu post, com grande prazer em cada linha (não liguei às ofensas canónicas). A pena que foi terminá-lo...
Com o aproximar do final do ano, há quem prepare listas de tudo e sobre quase tudo; os melhores livros, os melhores filmes, os melhores golos, os factos políticos mais relevantes, eu sei lá...
Quanto a mim lhe digo, no final do ano passado falaram-me deste blog e dos seus poderes terapêuticos para a alma. Em final de 2019 posso confirmar isso e muito mais. Foi o que de melhor me aconteceu no ano!
Joaquim! Tão querido. Mesmo que não seja verdade, guardo o dito. Tocou-me. Mas bem triste será a sua ida se este blogue foi o melhor que lhe aconteceu. Ná. Tem que mudar isso em 2020. Se as prioridades mudarem como é desejável, visita-me na mesma, ok?
EliminarBoa tarde
A única lista que faço é a de compras:). Depois a dos presentes no Natal que faço por ser muito distraída e para não esquecer ninguém. Mas é vulgar aparecerem bombons que guardei para oferecer no Natal e a que perdi o sítio. Este ano destinei um lugar para os chocolates, vamos ver se continuo a cumprir e ali os guardo:)
Ainda sinto o aroma do tal café matinal que a minha mãe fazia!
ResponderEliminarUm aroma que me irá acompanhar sempre!!!
Bj
É muito bom estar ainda na cama e sentir o cheiro a café, certo movimento na cozinha, alguém a esticar um tapete para pisarmos o dia. Nunca me aconteceu tal qual como o imagino. Mas durante quatro anos a fio também tinha o meu tapete: Mesmo sem o aroma do café:).
EliminarBoa tarde, Gracinha
O meu 4° Dia de Advento 🌲 foi com quatro chávenas de café de máquina de filtros. Passeios matinais e noturnos. Filmes policiais e terminei de ler o filme que vou apresentar amanhã. No meu cesto retirei: EVERY MOMENT MATTERS 🌲
ResponderEliminarRetirou do cesto para ler ou porque já leu?
ResponderEliminarQue corra bem a apresentação do livro e quem assiste se sinta motivadas para a leitura.
Se eu bebesse quatro chávenas de café ficava eléctrica e não dormia para cima de uma semana. Cuidado com isso, Teresa. Passear é que sim. Persevere nos passeios:)
Boa tarde
Bea, tão avessa aos rituais natalinos, hoje dei por mim a empacotar um presente para alguém que muito o merece, a quem muito devo e a quem muito quero. Incongruências inevitáveis para quem saltava já, já para Janeiro.
ResponderEliminarEsse cafezinho apeteceu-me. Boa noite, querida Bea.
Muito bom! Dou tudo por uma família unida, não só nesse dia mas sempre! :)
ResponderEliminar-
Sonhos perdidos na inocência ...
Beijo e uma boa noite!