quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Dia CINCO


Hoje, para quem quiser espreitar, desembrulho a tarefa inglória que, de há umas semanas a esta parte, azocrina as minhas andanças por Lisboa. É função natalícia, está no menu e nem foge do tema.  Mas já estou pelos cabelos com ela. Se isto se prolonga ainda há uma desgraça e deito-me a afogar no caco das galinhas.
Acontece que tenho família numerosa e as tias proliferam, parece que nascem do chão. É evidente que basta olhá-las para se perceber que o nascimento é coisa já muito distante e isso de nascer do chão é bocejo mal educado do eu que é mim. E há as manas. E as minhas amigas manas. E as outras minhas amigas. E todas, talvez por serem mulheres, gostam de roupas. Sobretudo as tias velhas, adoram roupa. Portanto, vejam vocês o aperto em que me coloco a escolher – e a vestir – roupas para mais velhas e mais novas que eu, a calcular cores que gostem e usem, a ter cuidado com rachas, decotes e transparências no que toca às mais velhas; a pensar nas que só vestem preto. Enfim, faço um estágio na loja e tenho horas de provador em cima. Essas, já ninguém mas tira. Que primeiro faço uma tournée para escolher: para esta, para aquela, para a outra; adquirido um molho de cabides, entro decisiva num provador e ali fico numa salsada de trapos em que nem da minha roupa sei, mãos que se demoram a engordar blusas e casacos, imaginando, ela não é mais gorda que isto; a esticar os braços, ela tem braços maiores que os meus, a medir alturas de saia, larguras de blusinha, colarinhos de camisa, comprimento de casacos. Com sinceridade o digo, julgo que todas vão gostar. Mas nem sonham a trabalheira e as carradas de paciência que delapidei. Haja saúde. E sono.

17 comentários:

  1. Mas isso é uma violência, Bea. Nunca tal me passaria pela cabeça...
    Mas diga lá o que disser, acho que cumpre esse ritual com muito amor e carinho.
    Tenho para mim que a Bea é um ser muito especial, daqueles que gosta de ver todo a gente feliz à sua volta.

    Boa noite :)
    🎄

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    1. ...toda a gente...
      Ia escrever todo o mundo; a verdade é que estou cheia de sono, vou já para a caminha.

      Abracinho.
      😫

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    2. Maria, e quem não gosta?:)). Dá-me imenso prazer escolher prendinhas. Mas ontem, por várias razões que vêm de trás, estava nos limites. Já melhorei dormindo alguma coisa, quando o cansaço acumula tudo vai ao lugar devagarinho. Talvez tenha falhado a ocação:). Devia ser missionária ou assim. Mas nem todas as missões estão em África ou na Índia.
      Bom Dia:) e um abracinho também de volta, quem sabe seja o mesmo.

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    3. É muito triste constatá-lo mas há quem não goste :(
      Ser professora é uma nobre missão, um bom professor deixa-nos marcas para a vida :))

      O abracinho boomerang já cá chegou!

      Um belo Dia Seis!
      🎅

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    4. Para mim ser professora foi sobretudo uma grande alegria.

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  2. Ainda eu me queixo do stress do Advento 🌲 Natal. Ao ler a crónica do dia 5 🌲 compreendi que o meu tempo de Advento é absolutamente tranquilo‼

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    1. :))). O meu também é, mas ontem sabe-se lá porquê, adensou. Já estou quase pronta para outra:).
      Bom dia, Teresa.

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  3. Também DETESTO escolher prendas.
    Só gosto de receber :))
    Bfds

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  4. ADORO escolher prendas. Talvez até mais do que recebê-las. Mas receber tem muito de coisa maravilhosa. O Natal tem isso, há sempre uma ou outra surpresa boa. E um Natal sem prendinhas perde a graça:).
    Bom dia, Pedro.

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  5. Temos trapice... venha ela então!

    Ouvindo eu dizer que a Bea tem corpo modelar, calculo que peça uns enchumaçozinhos para acertar em "cheio" nos tamanhos das tias, manas e amigas manas mais "gordinhas" :)

    Estágio e tournée; - ah,ah,ah - gostava de ser mosca para me juntar à audiência para a ver desfilar e aplaudir (batendo asas) na passerelle da loja.

    Não venha com pieguices, o dia 5 não cansou nada (só diversão, pergunte à Nina) quando comparado com os próximos 24 e 26.

    PS: o Carrossel foi de férias? Ninguém pergunta? Ou será que na casa da boa semente, o Octávio está em greve em solidariedade com os pequenos agricultores alemães na luta dos Verdes contra o Roundup?

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    1. Joaquim, ainda bem que não me conhece, lá se ia a sua opinião de corpo modelar. Nada disso, eu própria sou para o gordinho, mas as minhas amigas mais velhas e tias, como é natural, são mais avantajadas.
      É verdade que os dias 24 e 26 são piores. Sobretudo o 26, porque me desanima um bocadinho. O dia 24 é um dia de muita labuta mas boníssimo, a partir das dezanove estamos todos juntos e é uma alegria.
      Tem razão, o cansaço não me vem apenas de cirandar pelas lojas em busca do que mais agrade a outrém. Acontece que algumas debilidades físicas resolveram acenar a dizer que existem. Como se eu não saiba. As palermas. Martirizam um bocadinho.
      Já disse que no fim de semana vou retomar o carrossel :). O Natal tira-me tempo de escrita. É tempo de visitas, de compras, de vestir a casa de festa (nem comecei). As minhas palavras estão, no geral, dirigidas para cartas e cartões de Natal que ainda nem sei quando saem à cena. Tudo se há-de fazer.
      E uma boa noite para si.

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  6. Pois eu Bea, nos últimos anos simplifiquei tão árdua tarefa oferendo cartões-presente a grande parte da família. Arranjo sacos giros e dentro meto o cartão e uma guloseima. Nunca falha! Todos os anos troco de loja para a prenda continuar a ter um toque de surpresa.
    Esta trabalheira, uma vez por ano, enche de amor o Natal de quem dá e de quem recebe!
    Beijo, calmo fim-de-semana.

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    1. Essa é uma boa ideia, Teresa. Para algumas pessoas. Este ano, não para mim. Tenho mesmo de andar a ver, e a ver, e a ver e experimentar. Por várias razões que não vêm ao caso e se prendem tanto com as pessoas a quem oferto como comigo mesma.
      Mas quando as de oitenta e mais anos já cá não estejam e a minha situação seja mais favorável, acho que me vou divertir a escolher sacos bonitos e lojas onde vão depois adquirir o que lhes dê na bolha. Acredito que sejam prendas bem agradáveis e que dão pouco trabalho.
      Obrigada pela sugestão e bom fim de semana também para si:)

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  7. Realmente que trabalheira! Só dou às crianças; netos e aos filhos. Depois conforme as pessoas com quem passar-mos fazemos o amiguinho invisível, mas procuramos saber o que cada um precisa e fazemos ao calhas, ninguém quem calhou a quem. Aos filhos vou ao CIA ou outro, e compro um cartão a cada um, com um certo valor, e depois eles que comprem a gosto. Se não estava feita com tantas esquisitices Lool:)

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    Sonhos perdidos na inocência ...
    Momentos Zenn
    Beijo, e um excelente fim de semana

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  8. É um trabalho prazeiroso, Cidália. E o dia de ontem foi uma excepção, já vinha certo cansaço de trás. Ainda faltam os livros. Nunca dou só uma prendinha a cada pessoa. Junto chocolates, meias, lingerie, pequenos nadas femininos como cremes, leites para o corpo, batons, o que me sugira o momento da compra. E livros, a quem gosta de ler.
    Os meus filhos também são esquisitos, mas arrisco sempre uma ou duas peças de roupa. Para o que gostam de comprar fica o envelope que anexo a uma das prendas:). Sem loja, compram onde lhes apeteça. Ou juntam para viajar que é coisa que agrada a ambos. Hoje entrei numa loja, perdi a cabeça e comprei segunda prenda para uma senhora de quem gosto muito. Vai ficar linda nela. Estou desejando dar-lha:))))

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  9. Já fui um pouco assim... hoje já não sou mais... 🤔😊

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  10. Gracinha, acho que nunca vou deixar de ser assim. Quando eu economizar no Natal, deixarei de ser eu. Já estive de corda na garganta e com as finanças mesmo em baixo e não abdiquei de nada no que a prendas de anos e de Natal diz respeito. A gente morre e deixa cá tudo, a única coisa que levamos connosco é a alegria que demos a alguém e a estima que os outros possam ter por nós. Não que ela nos venha de prendas, mas até julgo que também vem, quem precisa ou não tem mimos agradece de coração que nos lembremos. Pode crer.

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