Quando
te anuncias, começo a preparar-me para ti. Não pessoalmente. A preparar a casa
para te receber enchendo-a de flores e limpeza que nem notas mas estão no posto;
a imaginar almoços a teu gosto e sobremesas que te agradem; a escolher de entre
os meus livros mais recentes os que te sirvam as preferências; a enumerar as
pequenas prendas que te vou comprando ao longo do ano e tenho de procurar e
reunir, peças de roupa, livros e outros pormenores; e em mil coisas que o tempo não há-de deixar que
te conte e só cabem na minha intenção.
Na
véspera, aperfeiçoo lista cuidada para o super, faço uma sobremesa. Penso-te em cores de alegria, envio sms e pondero de mim comigo sobre as nossas horas
sempre curtas. Um travo ligeiro, rasto breve que não empata nem ensombra.
No
dia, levanto-me cedo e tomo um café. Vemo-nos tão pouco, prefiro que captes o
meu optimismo risonho. E necessito certa aceleração para cumprir horário.
Conheço-te, não atrasas. Vou ao super de fugida, ordeno alguma coisa em casa e
ponho o avental. A partir desse momento estou oficialmente ao teu serviço.
É
verdade que me esmero para ti. Tão pouco te vejo e tanto te conheço. Sei por
exemplo o raro de alguém te fazer ou oferecer um almoço ou jantar. Gozaste o
benefício de pais próximos até ao fim da primária. O resto foi a aprendizagem
de viver sem eles. Eram pais de férias. Mas a vida é também assim. E gosto que
venhas. Porque a saudade existe e amigas como nós têm de ser presenciais. Mas também
porque tenho largo prazer em servir-te, dar-te o que mais aprecias e tão pouco tens,
refeições agradáveis e livres da tua responsabilidade. Tu que tanto
cozinhas detestando a culinária.
Depois,
bom, depois é claro que derreto por tudo apreciares. E na hora da despedida
ofereço-te o possível, plantas, chá, um pedaço do bolo, um casaco que talvez me
esteja apertado. Eu te daria qualquer bocado de mim se te servira.
Fica
a revolver-me o teu abraço apertado, amplexo tão diferente de tudo. És a única
amiga que me abraça; a única que não teme a expansão da ternura. Mas a essência é a absoluta
certeza de cada uma de nós existir na outra. Ou talvez seja apenas a pura
necessidade dessa certeza. Quem sabe.
Amigos que são uma parte de nós.
ResponderEliminarTenho a felicidade de ter alguns assim.
E se não temos esta chance, se os nossos amigos pouco vão além de conhecidos. Como seríamos se isto acontecesse. Quem seríamos.
EliminarBom dia:)
Como diz o povo, ter amigos é fortuna. Compartilhar com alguém as mesmas recordações, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor é uma coisa maravilhosa.
ResponderEliminarE, depois, vejo na Bea uma espécie de perfeição a alcançar, defrontando as suas próprias capacidades para satisfazer os seus imperativos.
Em si, a natureza (perfeitamente feliz) realiza-se.
Que passem as duas um excelente dia!
Passou. E foi excelente, sim. É sempre excelente juntarmo-nos.
EliminarNão entendi na perfeição o que disse sobre mim. Mas pareceu-me bom:).
Bom dia, Joaquim
Amizade com A grande, bea :))
ResponderEliminarDia feliz.
🍁🍁
Mesmo. Já foi:). Mas importa o que, em cada uma, fica da outra.
EliminarAo ler este texto lembrei-me da minha querida amiga Beatriz (Bea) que me recebe de uma maneira impressionante e fica sempre muito triste que fique por pouco tempo. O único senão é o jantar, um jantar absolutamente ao meu gosto: cozinha portuguesa, ser sempre tão tarde.
ResponderEliminarAbraço para as "beas" portuguesas 💙
Olha que bonito ter uma amiga Beatriz. A Teresa tem de começar a fazer com a sua amiga o que fazemos nós duas, não alinhamos em jantares. Os nossos encontros ocorrem ao almoço (por vezes inclui lanche). O jantar já não nos seduz, nem eu poderia obsequiá-la em tal horário. A idade torna o jantar uma refeição relativa.
ResponderEliminarBom dia, Teresa
A Beatriz não é uma amiga, é sim, a irmã que nunca tive.
EliminarQuando estou em casa dela por alguns dias, almoço e janto, à antiga portuguesa, e SEMPRE muitíssimo tarde. AQUI, as refeições são muito cedo para o gosto da gente do sul.
Beijinho outonal 🍁
Entendi:)
EliminarBoa noite, Teresa
Tenho algumas, poucas, muito poucas, amigas do peito. Dessas a quem dou abraços sentidos. Vemo-nos pouco, às vezes passam-se anos, mas quando acontece o encontro, ilumina-se-me a alma.
ResponderEliminarJulgo eu que sempre julgarei ínfimo o pouco tempo de estarmos juntas. Facto que acho idiota demais e só ela pode consertar.
EliminarE são pessoas assim que fazem a diferença em nossa vida!!!
ResponderEliminar👏👏👏👏👏
Isso:)
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