Festa
dos pais. Dia de S. José. Aquele senhor carpinteiro dono da minha admiração.
Não temos dele uma só palavra afirmativa. Tão apagado e tudo nele foi acção. É preciso
ser pai de uma criança concebida por milagre e que só pode ser um Deus, seja;
faz falta ir visitar a prima Isabel, vamos já tratar disso; Temos de nos
recensear para que se cumpra o destino do Menino, aparelhemos o gado; há que
fugir de Herodes, arrumemos a sovela no estojo que em todo o lugar precisam de carpinteiros. E até, quando Jesus
se prolonga no templo a falar com os doutores e responde à aflição dos pais, “estava
em casa de meu Pai”, não consta que José se tenha irritado. Mas, entretanto,
José extingue-se. Não há José nas bodas de Canan, no milagre dos pães e dos
peixes, na paixão. Para o evangelho que conheço, morreu. Que difícil
ser José entre Maria e Jesus.
Lembrar hoje os laços que nos ligam aos
pais desde o princípio. Porque brincaram connosco em crianças, nos contaram
histórias antes de dormir ou em qualquer outra boa altura, nos trouxeram às
cavalitas e ao colo, nos ensinaram a andar de triciclo e depois de bicicleta.
Os pais que eram tão altos e de que só abraçávamos os joelhos. Os pais com pés
enormes onde, rindo, andávamos à boleia. Sem eles não concebíamos a vida. Eram
os nossos pais. Eternos. Omnipotentes. Seguros. Fortes. Os pais ensaboavam a cara e punham-nos um
bigode de espuma, depois davam-nos um lápis e fazíamos a barba a imitar gestos.
O nosso pai cheirava a ele e o riso enchia a casa. E que prazer se nos ia
buscar à escola e nos dava a mão.
Quem
sabe há no coração da gente um lugar onde não se cresce e os pais continuam enormes.
Um excelente texto em homenagem ao pai no dia de São José.
ResponderEliminarAqui, festejamos o dia do pai em Junho.
Agora, faço eu a pergunta que leio TODOS os anos nos comentários, quando festejo o DIA INTERNACIONAL da MULHER:
O dia do pai é só no dia 19 de Março? Ou todos os dias?
Para mim é no dia 19 de Março. Porquê? Porque sim. E porque se tornava chato. Um dia basta para celebrar. Mais dias não nos interessam.
ResponderEliminarSe me diz que os pais são pais todos os dias, repondo que os filhos também:).
Não é só para si, bea, o dia do pai é festejado no dia 19 de Março em todo o Portugal. A mim é-me completamente indiferente, quando é festejado o dia do pai.
EliminarEu apenas me refiro às críticas que as minhas leitoras | os meus leitores, quando comemoro o DIA Internacional da MULHER, porque dizem que todos os dias são das MULHERES.
Afinal, essa do Dia de... chega a ser um exagero 😂
Concordo que há demasiados dias disto e daquilo. Mas os dias do pai e da mãe são dias afectivos e existem desde que me recordo de ser gente. Os meus pais sempre gostaram que me lembrasse. Mas os meus filhos não ligam meia, são dias que não lhes existem.
EliminarO dia da Mulher é outra coisa. Nasceu para nós com a liberdade dos cravos. um dia da mulher é sobejamente palerma, mas funciona como um alerta para as tantas injustiças e faltas de respeito cometidas contra e sobre elas, a maioria por pessoas próximas e que supostamente querem ou deveriam querer o seu bem. O dia da mulher simboliza uma luta mais do que qualquer outra coisa.
Esta sua sentinela — eu — deixa-lhe aqui um versinho que acabei de cozinhar. Ainda vem a fumegar, por isso não deixe arrefecer :)
ResponderEliminarSeis comentários deixou
na Discreta Indiscrição,
apeados, tristes e órfãos.
P'ra quem tanto porfiou
não vejo outro propósito,
Só pode ser distração!
Quanto ao texto Bea, obrigado pela justa homenagem a um homem justo.
O lugar que ocupa no Novo Testamento é discreto, vive totalmente em função de Cristo e não por si mesmo. É um homem silencioso e pouco aparece na Bíblia.
Presume-se que a sua morte seja anterior ao início da vida pública de Jesus.
Os evangelhos não quiseram multiplicar as suas palavras, senão mostrar seus atos: homem de silêncio, de fidelidade, obediência e fé a Deus, e amor a Maria e a Jesus, contudo o seu papel é de suma importância no plano de Deus para a humanidade.
Deus confiou-lhe Jesus e Maria, os tesouros mais preciosos, e por isso a sua missão foi aquela de servir a economia da salvação.
A doutrina da virgindade perpétua de Maria, defendida por Santo Agostinho entre outros, leva a questionar o papel de José.
Efectivamente, Ana, a mãe de Maria, ofertou Maria, no Templo, como uma "virgem ao Senhor". Entenda-se pois o papel de José, um viúvo, como o de um guardião (a proteção legal para as mulheres dependia de um guardião: pai, irmão ou, na falta destes, um marido), fugindo assim à concepção actual de casamento e da relação homem/mulher.
Por fim, o que o destino uniu em vida, a doutrina separou na morte; acredita-se que a Assunção de Maria se deu como presente divino a ela apenas, por ser a "Mãe de Deus".
É mais ou menos isso que diz acerca de José, figura que admiro por essas mesmas razões.
EliminarObrigada pelos versinhos:).
Meu pai venerava S. José
ResponderEliminarBea... Obrigada pela partilha e bj
Seu pai era de certeza um homem bom. Não há muito homem a venerar José. Eu diria que até a venerar. A veneração está em desuso:)
EliminarBelíssima homenagem aos pais e à importância que eles têm para os filhos!
ResponderEliminarObrigada, Alda. Estes são os pais e filhos felizes. Também há pais que estão e faltam e não sabem que faltam. E é grande pena que assim seja.
ResponderEliminarAinda a propósito da sua resposta ao comentário anterior, fez-me lembrar dos pais que não estão, aqueles que largaram um lar e rumaram a outro, construindo nova família, mas que não deixam de ser pais por isso e que a Bea tão bem ilustrou no seu post "Era uma vez..." de 24/2/2019. Por qualquer razão que foge à minha razão ou talvez não, foi uma das suas poucas crónicas que não mereceu qualquer comentário por parte dos seus fiéis leitores e leitoras. Pela minha parte me penitencio, logo eu que lhe peço mais exposição do masculino, mas realmente escapou-se-me.
ResponderEliminarE sobre essa circunstância há sempre três olhares, três sentimentos raramente coincidentes; o do filho carente, o do pai ausente e o da mãe... sempre presente!
Hummm...Joaquim, já me esquecera que deixei uma história a meio:). Tenho de ver se lhe encontro a sequência.
ResponderEliminarQuanto aos comentários nos meu canto: pode crer que não ligo a comentarem-me muito pouco ou nada e não mexe com a vontade de escrever. Sou uma comentadora quase compulsiva, mas tenho muito por onde. Por isso...está toda a gente à vontade:)
Sobre o seu último parágrafo, não é líquido que assim seja. E há um quarto olhar que é o do mundo. Porque em todas as separações assiste a cada um a sua razão. Ou será assim que vejo o caso. Sabe o que mais gosto em Lobo Antunes? Da aceitação e do respeito que há na sua escrita. Ladrões, assassinos, toxicodependentes, todos têm o seu mundo de medos e forças, de desejos e lembranças, de ternuras infantis que reclamam. É como se ele reconheça sempre em cada um a pessoa que é e porque é.