Sob
o efeito da cafeína mexo-me demais. Devia talvez dançar, sacudir os ossos suavemente
e com balanço. Mas não é dança o que pratico. De tanta prática, quando enfim aqui
chego, se é já noite, saem-me palavras cansadas e sem o espevitado matinal.
Logo cedo, mal me escorrega uma meia de leite
escurinha, ainda nem bem cheguei a meio e já me apetece escrever cartas
irreparáveis e impantes de poesia lamecha, todas queixinhas de ausências e
faltas que agigantam como buracos em meias mal a gente lhes mete a mão. Mas
são, neste unívoco caso, note-se a diferença, acompanhadas da ternura mais
saliente que imaginar se possa. Marinam em doçura amorosa. Decerto é mola que
se me solta cá dentro sem apêlo nem mas. Destravo. E é assim destravada que me
julgo de beijos e abraços a selar esses quiprocuós epistolares que não dou à
cena, mas me existem na mesma. Que isto é como diz o outro, nem todo o real é
factível.
Posto isto, gasto um montão de horas a encher-me de pó, costas dadas às luvas de latex, fortes retardadoras de velocidade e que mando
pentear macacos, quero lá saber de mãos de fada e o camandro. Portanto. Nesta
demasia de ballerina caseira, amarelo e anoiteço, passam-me venalidades de
escrita mesureira, esgota-se-me todo o melado. Términus da cafeína. Ponto final
parágrafo.
E está tudo dito!
ResponderEliminarSempre um gosto esta leitura que aguça a nossa mente!
Bom Carnaval ... 🤴
Obrigada, Gracinha.
EliminarBea... a receita daquela tarte está junto à foto!
EliminarO olhar da abóbora foi apenas uma simples partilha !!! Bj
Obrigada, Gracinha. Foi o que me pareceu:), era só para ter certeza.
EliminarBea, a sua escrita é deliciosa. Dou por mim espreitando, um tudo nada ansiosa, as novidades neste espaço. A sério. E, sim, pode considerar elogiosa esta afirmação que reservo para raríssimas ocasiões.
ResponderEliminarOk, vou considerar um elogio. Agora que reli, estou em supor que ao fim de umas quinze avantajadas horas, houvesse uns resquícios de cafeína:). Pode agradecer-lhe que, ao natural, sou bastante mais insalubre.
EliminarA sua escrita é SEMPRE tão brilhante, que causa inveja.
ResponderEliminarO comentário que deixou no "ematejoca azul" dava tão bem numa próxima postagem neste mês que dedico absolutamente à MULHER. Posso?
Continuação de um fim-de-semana 🌷🌻 maravilhoso.
Pois é claro que pode usar. O que escrevo, depois de plasmado num lugar, deixa de ser meu. Está em casa sua e é seu; fará o que quiser:).
EliminarE obrigada por pedir e avisar. Que eu era menina para chegar ao seu canto, ler e pensar que já tinha lido igual em qualquer lado. O que penso, quando o penso, é verdade; mas não é coisa a que fique ligada. Depois de escrito, passou.
Bendita cafeína que a impulsiona a escrever histórias de mulheres e preferencialmente destinadas a mulheres (dito pela própria), mas deixe-me dizer-lhe uma coisa; também há homens sofridos, veja-se por exemplo os sem abrigo (também há mulheres eu sei), que são objecto de tanta indiferença, e que devem esconder histórias que nem me passam pela cabeça, e você escreve tão bem, e assim fazia de conta que nivelava a balança dos géneros que tão descaradamente pende para o "belo sexo".
ResponderEliminarPois é, pendo sem que eu o queira ou deseje para o feminino. Pode ser por muito motivo. Os sem abrigo motivam-me mais para ajudas factuais do que para a escrita. Penso imenso neles nas noites gélidas e não entendo como aguentam o frio, a fome e o mais.
ResponderEliminarJulgo que escrevo sobre o que conheço melhor e mais me interessa. Escrevo pelas mulheres, tantas que conheço, que não o fazem porque não sabem e nem o tempo lhes sobra para tal; por aquelas que se submetem sem voz porque a vida as moldou assim e porque a pobreza lhes impede a consciência de si. Escrevo a dar-lhes a mão e a levantá-las como posso, sabendo que posso nada. Escrevo por quem não sonha porque há gente sem sorte e sem tempo de crescer. Escrevo por aquela velhota que encontro e deve ter parkinson e a quem o marido ralha e resmunga porque não está quieta com a perna, porque a voz lhe treme, porque deixa cair a loiça. Escreverei sempre pelas mulheres que os feminismos esquecem ou não resolvem. Há estados e mudanças que só a cultura resolve.
Interessante que se passe em sítios e ideias comuns! Eu também,
ResponderEliminarassim, das mulheres e das coisas por silêncios,livros e olhos que se perdem por aqui e ali.
Bem vinda, Bettips:).
EliminarA tua escrita vale pelo encadeamento das palavras e pelas imagens que suscita. Sempre de uma beleza singular.
ResponderEliminarBondade tua, Alda. Mas é bom saber que te agradam os meus vestígios de cafeína.
ResponderEliminarTenho também a mania de voltar as costas às luvas de latex. Sofrem as mãos, pois então. :)
ResponderEliminarA rapidez tem um preço:). Como tudo que existe.
ResponderEliminarAmiga Bea, que prazer é ler a tua prosa. Com cafeína, sem cafeína, é sempre encantadora.
ResponderEliminarJá agora, de cafeína fujo a sete pés já das luvas, nunca, jamais.
Fica bem, bom fim-de-semana.
Pois é Teresa, a cafeína arrebita-me. E também me faz mal. Mas uma vez por semana mato a saudade. Quanto a luvas...com elas sou mais lenta e menos precisa. A cada um os seus sentidos proibidos:)
ResponderEliminarGostei da escrita!
ResponderEliminarNão passo sem cafeína! E enquanto não bebo o meu café da manhã ando rabugenta.
Detesto usar luvas. Faço tudo em casa, menos passar a roupa e nunca uso luvas. Ando sempre com o creme das mãos atrás...mas nem sempre o ponho...
Enfim, são as contrariedades de uma dona de casa.
Beijinhos:))
A minha bebida preferida é o café, mas piora-me, à séria, de algumas mazelas; em consequência, bebo-o apenas uma vez na semana. Às sextas, como diz o povo, perdoo o mal que faz pelo bem que me sabe.
ResponderEliminarPortanto, Isabel, considere-se uma sortuda, pode beber uma bebida de que gosta.
Eu e as luvas negamo-nos. Em casa de meu pai sim, uso luvas, mas porque o garrafão da lixívia anda sempre metido ao barulho.
Obrigada pelos seus comentários