Depois
da inolvidável Sissi que Romy popularizou e gravou em mim, li outros romances e
outras sínteses de filmes, na colecção que sabemos. Lembro-me de “A condessa
descalça” e “O homem do braço de ouro”, mas foram muitos mais. Nenhum
destronou a história de Sissi. Nesse tempo, já as galinhas tinham desertado do
casinhoto e as restrições de minha avó empalideciam. Os livros seguiam a
caminho de minha casa e a exigência era ser
minha mãe a escolhê-los. E assim acontecia, oficialmente; no particular, eu
sugeria. Portanto, passei a ansiar as visitas de minha mãe a meus avós, facto
que ocorria de quando em quando e, mal ela chegava, havia uma busca ao saco e
um abraço apertado mais uma série de beijos a honrar os quatro ou cinco livros
de que me apossava.
Porém,
e contra todas as minhas expectativas, foi meu tio preferido o primeiro a desfear
a imagem dos imperadores de conto de fadas. As suas opiniões caíam-me como
lei, esse tio era a minha fonte de água pura. Julgava-o o mais inteligente dos homens, o
mais paciente e alegre, o mais optimista. E tinha absoluta certeza, gostava de
mim. Era-me indizivelmente grato todo o carinho que me demonstrava - fui a
primeira sobrinha e minha mãe era a sua irmã preferida -. No mundo áspero dos
homens, a sua ternura e desvelo enchiam-me o coração e faziam-me devota daquele
amor que retribuía a mãos cheias. Mas, certo dia em que louvava o império
austro-húngaro e mais Sissi e Francisco
José, meu tio atirou quase desdenhoso, olha que a história que tu leste não é
igual à história que eles viveram. E, no meu pasmo essencial, deixou cair nódoa
a alastrar: a imperatriz morreu assassinada e vivia a passear e separada do
marido; havia muita gente que não gostava dela. Pensei que brincava. Mas negou,
chegou mesmo a dizer-me que lhe tinha lido a biografia (explicou o que era
uma biografia) e que o filme lhe fugia por muito lado. Fiquei sem palavra. A mulher a sério não me
interessava. Queria de volta a Sissi de Romy que meu tio partira e jazia sem
conserto. Perguntei e perguntei. Mas o que ele contou desfez ainda mais a
imagem. Não é fácil crescer.
Ainda gosto da Sissi... 👏👏👏
ResponderEliminarBoa semana 😘
E então eu...
ResponderEliminarBoa semana, Gracinha
Ai que eu fico curiosa com a Sissi :)
ResponderEliminarBeijocas
Imagino que Sissi cujo diminutivo seria provavelmente Lizie em vez de Sissi, uma vez que se chamava Elisabeth, tenha tantas histórias sobre si quantos os que sobre ela escreveram. Cada um pegou sua ponta e a desenvolveu. O mais próximo da verdade será a biografia, mas não li nenhuma. A Cláudia pode experimentar:).
EliminarOlá, Bea!
ResponderEliminarBOAS FESTAS!
Que o seu Natal seja abençoado, e o Novo Ano traga tudo de bom para si e para a sua família.
Beijo.
Boas Festas, Teresa. Já regressou ao mundo dos blogues? Pergunta palerma, é claro que regressou. Boas Festas também para a Teresa e família. Muito grata pelos votos.
EliminarUm abraço
Também quero a Sissi de volta e não a realidade que a rodeava.
ResponderEliminarQue tenha um Natal cheio de amor e conforto e que o ano de 2023 traga muita saúde e paz.
Um beijo.
Mas os homens são eles e a sua circunstância, dizia Ortega y Gasset; com toda a razão. E assim, Sissi.
ResponderEliminarEspero que seja mesmo um Natal confortável, porque trabalhoso vai ser qb. Mas que todos cheguem bem, que os aviões aterrem a horas e as estradas estejam desimpedidas para celebrarmos a consoada com os que a isso se predispuseram. Sim, paz e saúde são bens de primeira necessidade e que também lhe desejo, Graça.
Bom Natal!
Um abracinho
Lembro-me da minha mãe, já falecida à muitos anos, ter uma adoração pela Sissi dos livros e filmes.
ResponderEliminarAinda bem que levou essa Sissi a "passear" com ela!
Corsage não é um filme feliz embora possa ser verdadeiro. Impressivo é de certeza.
ResponderEliminarBom dia, Dulce