Lento
mas seguro, o Natal vai entrando. Chega mansamente, que não é quadra de grandes
repentes, antes puxa do bolso ternuras inesperadas e abraços de aconchego.
Natal é um madeiro a arder, mais o calor que irradia; é a casa a receber-nos vaidosa
de si; é a lembrança da família reunida e mais daqueles que passaram para o
outro lado, ou os que nunca estiveram estando sempre. Natal é mesmo o presépio
de lata que o Rui cantava na rádio e talvez ainda cante para os netos (Carlos
T, és o maior); Natal são os que dormem na rua e sabemos lá onde, até no túnel
gelado do Vasco da Gama, rígido e artrítico, a abóbada condensando em admiração,
adormecem deitados em meio metro de pedra fria, luz acesa, ruído de gente que
passa, sobe e desce escadarias, segue conversando. Que sono pesado os consome,
que recursos usam, a que horas acordam daquele dormir anómalo e desligado.
Natal
são as ruas vestidas de festa, mil luzinhas a brilhar e o enlevo de passeá-las
por entre a gente, nariz vermelho de frio ou, este ano, guarda-chuva em punho,
o chão espelhando as luzes. Natal são os ballets que regressam às cidades e só
alguns podem assistir – levam as crianças, netos, filhos, sobrinhos; Natal são
os concertos com data expressa e que o interior de Portugal desconhece e tanto
perde, os delíquios de alma nascem e evolvem por ali, sentem-se na sublime
vibração da música. Natal é um Menino que nasceu para amar os homens
indiscriminados, um Menino que foi o primeiro e enorme democrata da história: entendeu
todos os homens como iguais, acudiu aos necessitados, não priorizou os poderosos
e rodeou-se de pescadores e gente humilde. Um Menino que era e – para muitos - é
Deus; que absolveu o ladrão arrependido “hoje mesmo estarás comigo no paraíso”.
Até para o não crente, Jesus Cristo foi homem de excepção: único e exemplar.
Enviar
boas Festas é tarefa que a profissão me permitiu. Em troca recebo telefonemas, mails,
what’sapp bonitos. Cada um tem sua forma de desejar bom Natal a quem gosta. Somos
todos diversos. Devo a atitude a minha tia mais nova, pessoa que pouco vejo e
de quem recebíamos o único postal de Boas Festas. Um por ano. Estacávamos
maravilhados com as figuras, rostos rosadinhos e bem penteados, bonitos,
felizes. Os garotos usavam gorros, luvas, casacos compridos, botas debruadas a
pele. O nosso cinema era o postal de Natal que minha mãe abria sobre o louceiro
e adorávamos à vez, o interior abalroado por arabescos que não líamos.
Celebração da família e da amizade.
ResponderEliminarEsse é o verdadeiro espírito do Natal.
Boa semana
Mesmo:)
ResponderEliminarBom Dia, Pedro
Já pensei enviar postais, a conhecidos e desconhecidos, a desejar Feliz Natal. Só para ver se animava alguém, já que hoje em dia só se recebe cartas para pagar e até essas são raras, que vem tudo por email.
ResponderEliminarAqueles postais pintados com a boca ou pés, que tenho lá por casa.
Mas depois desisto.
Mas estou a gostar de ver esse espírito Bea. Força nisso!
Beijocas
Esse é um pensamento tão bonito, Cláudia, "enviar postais a conhecidos e desconhecidos". Devia experimentar, por uma vez. Sou menos altruísta, envio apenas às pessoas que me são próximas pelo coração.
ResponderEliminarAs nossas caixas de correio só têm tralha que não interessa. Também tive dezenas de postais dos que refere. Agora já não mos enviam. Decerto me esqueci de os pagar algum ano.
Vou oleando o espírito:).
Um beijinho e boa semana
Ninha cara beamiga
ResponderEliminarEstá à esquina este Natal de 2022 na esperança de que seja um pouco melhor do que os que o antecederam. O que é natural pois tudo o que ficou para trás já, obviamente, não se pode mudar, por mais luzinhas, pinheiros de plástico decorados, presépios, estrelinhas ou bolinhas multicores que usemos.
As reuniões das famílias são, ainda, um porto de abrigo entre as procelas duma vida quotidiana cada vez mais dura e resistente. Mas elas mesmas vão-se tornando dia-a-dia mais espaçadas ou mais raras. E quanto às missas do Galo? Só mesmo em casos muito especiais.
Portanto tentemos que este Natal que vem aí seja o melhor possível – e já é pedir muito… Se aqueles que dormirem ao relento a noite de 24 para 25 ao menos tiverem a esperança de que a vida deles poderia ser um pouco melhor já ganharíamos todos este Natal de 2022.
Beijos & queijos
Henrique
NB – Por Natal: passa sff pel’A NOSSA TRAVESSA. Obrigado.
Obrigada pela visita. E bom Natal.
Eliminar... é a lembrança da família reunida e mais daqueles que passaram para o outro lado, ou os que nunca estiveram estando sempre!!! 👏👏👏
ResponderEliminarRecordações que fazem especial esta data!
Boa semana Bea
Na maioria dos casos, Gracinha, é uma longa e habituada saudade.
ResponderEliminarBoa noite