domingo, 22 de novembro de 2020

Preliminares

 

Li num blogue o desabafo de pessoa que toda se emperiquita para ir ao cinema ou comer fora. Isto, é claro, por mor da pandemia que nos tem vindo a tirar quase tudo que implique sair de casa. Ela tem a sorte de poder frequentar cinemas.  Acredito que o saiba e daí  vestir-se a rigor. Eu visto-me para ir ao super e ao médico, não bem a rigor, mas com espírito rigoroso. E ali vou eu de ponto em branco. Sobretudo para o médico, sempre o passeio é maior. Mas não era disto que vinha falar. Pronto. Saiu e também não estou para deletar.

Tinha em mente escrever sobre o Natal que se avizinha e não vai parecer-se com coisa nenhuma. Mas enfim. Este ano, já decidi, não enfeito a casa. Não haverá a ceia de Natal familiar e o mais provável é que tudo permaneça quase igual a todos os dias da pandemia. Quanto aos doces, azevias não as encomendo, dado que não há visitas e não posso comê-las; a torta de chocolate que a sobrinha prefere não tem cliente; para a tarte de pinhão faltam os meus clientes privados e dilectos; o doce de ovos e caramelo não tem a mana mais nova. Vai faltar-me o primo que chega de longe e os sobrinhos com a vivacidade e o bom humor que lhes conheço e que hão-de estar sabe Deus onde. É tristeza que nem precisa de se anunciar, já existe. No blogue não vai haver o Calendário de Natal. E este acumular de faltas amorfa-me os ânimos e entendo cabalmente os que desejam que o Natal passe depressa. Neles e por eles fala a tristeza que aponta os desconchavados  buracos no horizonte pessoal. E eu, Beatriz, vou esquecer o Natal? EU??! Mim?! É que nem pensar. Tenho uma listinha de pessoas a quem, à medida que for comprando e enviando - ou entregando em mão - dedico um post, umas palavras.  Porque, mesmo já não sendo propriedade dos portugueses, os correios ainda existem e nos servem. E eu adoro escrever cartas e dar prendinhas. Portanto, se por aqui apareça uma madame x, um sujeito z, uma garota Y, já sabem, são os meus duendes de Natal. Tratem-nos bem, dêem-lhes guarida, eles são os seres queridos e primordiais que fazem  a alegria da minha quadra.  Por motivos vários, merecem a minha atenção.

Tenho dito. Fiquem com os vossos anjos (da guarda).

 

22 comentários:

  1. Olá Bea, sei perfeitamente do seu gosto pelo Natal, pela Consoada e por toda a quadra. Vejo em si o verdadeiro espírito do mesmo, no desvelo que coloca em tudo, desde as ornamentações, à doçaria, à confeção da comida, ao carinho das prendas para os mais próximos e mais afastados, para todos que lhe dizem algo e sempre acompanhadas das suas palavras sábias, preferencialmente escritas, e este ano, obrigatoriamente escritas, devido à proibição de nos juntarmos.
    Eu, que tenho uma família reduzida, encanta-me ler à distância a sua azáfama por estes dias (refiro-me a anos anteriores) e reconhecer que não se poupa a esforços para ver a família feliz que é uma forma de também estar feliz.

    Ary disse que Natal é quando um homem quiser e deixe que lhe diga que cada vez mais procuro na minha vida que assim seja. Tem-me acontecido em muitos Natais, sentir nas mulheres da família o cansaço da obrigatoriedade, o bocejo da espera pela meia-noite, depois as noites mal dormidas e o desejo ardente que tudo passe e os eixos entrem na normalidade. Os homens, e agora falo por mim, limitam-se a fazer recados, ao dá cá isso e aquilo, ao ir buscar pais e sogros (quando ainda existem), ao pôr a mesa e dispor as cadeiras e a levantá-la no final.
    Bem, mas não é da desigualdade de tarefas que lhe queria falar por agora e também já não vou deletar.
    Queria falar de por vezes, em outras épocas do ano, acontecerem convívios, almoços ou jantares em que a boa disposição reina, a alegria, a saúde, a inspiração e disposição para a conversa, e ali estamos todos em salutar cavaqueira, como se fosse Natal em Março, Junho ou Setembro. Não obstante a falta de religiosidade houve espírito nesses dias.

    Também queria falar de por vezes o Natal poder vir fora de época como foi o que senti que aconteceu entre avó e neto e lhe referi no seu post de 19 de Novembro em "post scriptum" (chegou a ver?).
    Naqueles dias que duraram o passeio, desde a ideia, ao carinho, à disponibilidade para o amor, às cumplicidades e às conversas, estava lá todo o espírito do Natal e eu comovi-me veja lá a Bea, comovi-me tanto e contentei-me tanto.
    E quando assim me contento tanto com tão pouco, fico-me de um modo que até pareço um imbecil feliz.

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    1. ainda não desisti completamente do Natal 2020, Joaquim. Tenho uma pontinha de esperança, já encomendei um galo e estou a começar a lista de prendas que, por força da circunstância são menos imaginativas este ano. E do que haja se houver aqui darei notícia.
      O Natal é quando quisermos. O espírito natalício sim, pode ser; e vive-se sempre que nos juntamos em família e sentimos que em todos mora o mesmo prazer do reencontro. Mas o Natal é a 25 de Dezembro. Por se ter convencionado celebrar neste dia o nascimento de um Deus que se fez homem para salvar outros homens e pregou o amor durante os 33 anos de vida. O Natal verdadeiro não tem a obrigação da meia noite, nem dos presentes para não ficar mal, é todo natural e sem esforço.
      É verdade, no Natal as mulheres trabalham muito mais que os homens. Não se compara. Mas a satisfação deles não chega aos calcanhares da delas. Elas são as fadas do Natal, sem elas o Natal não havia; eles são, mais ou menos uma fitinha da árvore.
      Gostei de saber que ficou agradado com esse passeio de avo e neto. Como lhe disse, os passeios aproximam as pessoas, nenhum o vai esquecer. Acredito eu.
      As pessoas felizes, nos momentos em que o são, estão todas um bocadinho palermas. Mas eu diria que é mesmo a palermice mais saborosa e benfazeja que existe.
      Boa tarde

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  2. Estou na mesma. E causa-me uma tristeza imensa saber que a minha casa, que se enche no Natal com a família, vai estar vazia... É um desânimo, não é?
    Cuide-se bem.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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    1. Isso mesmo, Graça, um desânimo.
      Boa semana para si também.

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  3. Do que depender de mim, vou tentar ao máximo que seja parecido aos outros anos. A comida, a decoração... Não nos podemos ir a baixo.

    Beijocas

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    1. Não?! Mas é que vamos, Cláudia. Não somos de ferro, somos carne e osso.

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  4. Também não me apetece o Natal, mas é um desânimo que tem vindo a crescer, provavelmente desde que a minha filha mais velha foi viver para terras de sua majestade e raramente pode vir nesta quadra.
    Quanto aos enfeites e doces alguns hão-de aparecer.
    Bem aparecidos sejam os seus duendes de Natal.

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  5. Bastante interessada na tarte de pinhão:)
    (o problema é o preço deles). Esta minha família como é amalucada de todo vai fazer testes rápidos antes do natal e se for possível juntar os que estão livres do bicho mau...assim será.
    Abracinho
    ~CC~

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  6. :), não me parece que a família se dê a esse incómodo, até pelo preço dos testes. Vamos ver se o o governo não entorna o caldo e estraga o resto.
    Pois, querendo a receita é só deixar endereço. É boa mas pertence ao numero de doces que me estão vedados.

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  7. Os "rápidos" segundo me disseram rondam os 20 euros...mas não sei se será assim mesmo. Ui, se é muito doce, eu também não posso...tenho uma espécie de primo/a da diabetes. Mas adoro todos os doces que levam frutos secos (e os próprios frutos).
    ~CC~
    ~CC~

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    1. Bom, a tarte tem uma cobertura caramelizada de manteiga e açúcar em caramelo onde se seguram os pinhões. Não se torna demasiado doce, a minha questão é a manteiga. Já não a como há anos ainda que a faça para quem pode:). Para gente como eu, um pão de ló sem ló, ou uns bolinhos secos a que junto nozes aos pedacinhos e que ficam bastante aceitáveis.

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  8. Para mim... há muito que Natal é um jantar em família (éramos 7... poucos mas bons, divertidos, intensos e repletos de amor)!
    "casaram" os filhos, faleceram os pais e nasceu a neta... e este natal haverá um jantar em família, também 7, com o espírito de amor que nos une!!!
    Boa semana Bea

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    1. Se a coisa se proporcione seremos onze. E aí, mesmo com duas ou três faltas de peso, estaremos juntos como sempre. E será uma alegria como sempre.

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  9. Também ainda não me chegou o espírito natalício, só uma ténue (muito ténue, confesso) esperança de que os meus filhos se possam deslocar. A ver que restrições à circulação vão vigorar... :(

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    1. estamos no mesmo barco, Luísa. Em espera. Pode ser que a gente consiga.

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  10. O clã HOFFBAUER é dividido em grupos de 10 pessoas o máximo, que tem a ver com as restrições do governo alemão. Mesmo assim, estou a decorar a minha casa para o ADVENTO que já começa no domingo.

    Abraço de Düsseldorf.

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  11. Olá Teresa
    :))). Só enfeito a casa se me convença que vou ter as minhas visitas.
    e só no final da primeira semana de Dezembro.
    Boa continuação para os Hoffbauer de Dusseldorf

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    1. EU ENFEITO a casa para mim, só para mim, mesmo que tenha uma ou outra visita durante o ADVENTO.

      Embora não seja crente, o NATAL é a minha festa de eleição e, até lamento que não haja este ano Missa do Galo.

      Vou passar o Natal fora de minha casa, desta vez em Düsseldorf, com apenas 8 familiares.

      Abraço

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  12. Que bonita ideia, Bea ! Não a vou copiar mas espero que me inspire! Bjs

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  13. mas é que podes copiar, ou és contra a cópia? Quem conta um conto, acrescenta um ponto. Neste caso, quem copia, nunca copia.

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