Das
pessoas que conheço e se passeiam pelo planeta Terra há aquelas de quem sou
amiga. Conto com os amigos para um desabafo, uma ajuda esporádica e necessária
que os não perturbe em demasia, são companhia em tristezas e alegrias
conhecidas. E acontece isto com poucos e bons amigos. Mas minto a mim mesma se
disser que conto sempre com eles. Não só não posso contar, como não quero. Os
meus amigos têm a sua vida como toda a gente, a família, os deveres quotidianos
e não estão sempre disponíveis para mim, o que não invalida o facto de serem
bons amigos. O bom amigo não está sempre presente, mas sente quando deve estar
e, nesse caso, é científico; sabe avaliar o que sentimos, toca as nossas falhas
e intui o que fazer em nosso benefício na hora certa. Amigos desta natureza há
muito poucos e quem os tenha bem pode dar graças, são ouro de lei. No entanto, nem eles me parecem merecer o
título do texto.
Bom,
há pessoas a quem nos ligamos por amor (tão bonito, não é?), casamento ou união de facto, para o caso pouco importa. E podem até ser namoros que duram uma vida,
como é o caso do Presidente Marcelo. Com essas pessoas repartimos filhos, casa,
mobília, carro, periquito e o mais que haja. Temos com elas laços que ora apertam ora
alargam, mas, sendo laços de arte, não desmancham. Contudo, há os que se desfazem
e refazem com as mesmas ou novas fitas. E poderemos, SEMPRE, contar com essas
pessoas que o coração escolheu quando escolheu?! Ora aqui está um sim em que
não consigo acreditar. Que, admito, pode ser verdade para uma minoria
planetária, mas o resto, a multidão clamorosa, não é gente de “ponho as mãos no
lume por ela/e”.
Chego
pois à conclusão de que só o amor parental é capaz de ser sempre disponível e agir
em doação gratuita e despojada. Não será comum a todos os pais. Mas suponho que
abranja uma larga maioria.
Lembram-me
uns versos da velha selecta literária que muito me comoveram quando os li inocente do
futuro.
“ser
mãe é, estando a morrer,
voz velada, olhar sem brilho,
Ouvindo
chorar dizer,
O que
tens, que te dói filho”.
Não recordo o autor, não sei se fui fiel ao
poema original. Mas quero crer que se aplique indistinto a mães e pais.
Um
estremecido Bem-Haja a esses com quem, sempre, se pode contar. E oxalá os
filhos os copiem e a cadeia se não desmanche. Porque, além dos pais, a única
pessoa com quem sempre podemos e temos de contar é connosco.
Concordo absolutamente contigo nesta questão, Bea. Creio que não há amor mais profundo e desinteressado que o amor de mãe e, concedo, de alguns pais.
ResponderEliminarE eu que sabia que ias dizer isso mesmo.
ResponderEliminarBoa semana, prosa
As minhas filhas são o centro da minha vida.
ResponderEliminarAquelas por quem daria a vida sem fazer perguntas.
Boa semana
é isso Pedro, um amor tão sem condições que chega a assustar quem o sente.
ResponderEliminarBoa semana.
Realmente a minha família de sangue está acima de qualquer pessoa. Principalmente a minha mãe, não há explicação, sendo que toda a gente entende.
ResponderEliminarBeijocas
Toda a gente entende porque toda a gente tem uma mãe, mas nem todas as mães possuem a mesma qualidade de amor materno. A Cláudia é, como eu, uma felizarda:).
ResponderEliminarUm prazer dar uma vista de olhos, para trás. Evidencio que algumas coisas comuns temos. Também por isso nos visitamos, não é? Discussões de gabinete no écran não são agora para mim.
ResponderEliminarÉ uma osga, sim, com as tais ventosas. Estava longe e desapareceu logo. Os bichos, no seu elemento, não me causam confusão: cada qual no seu lugar, da mesma Natureza somos feitos.
Amigos? Pais? hum... é uma casualidade, que permaneçam na vida vária e sejam bons. Por mim, apenas, falo: tenho amizades eternas e inesquecíveis, mesmo que tenham acabado. Abç
é isso, bettips, a gente vai encontrando semelhanças, somos pouco originais e isso nos valerá.
ResponderEliminarNão consigo gostar desses animais, as patitas de ventosa impressionam. Mas é verdade, pertencemos todos à natureza.
As minhas amizades eternas e inesquecíveis são sem términus até se um de nós morreu. Mas há as amizades de época, não são eternas mas serão na mesma inesquecíveis. Que toda a amizade, datada ou não, o é.
Boa noite, bettips.
É isso, a eternidade de conceitos, num tempo determinada. Que nada pode mudar e se contempla. Com amor/amizade. Acrescentei uma elegante lagartixa, daquelas rápidas e de cabeça bem atenta, pela Bea... See you around!
ResponderEliminar:)))) Obrigada bettips.
ResponderEliminarOs versos da selecta comovem sim senhora; e tão inquebrantável é o amor de mãe, totalmente desinteressado, totalmente dedicado, impar, sem igual e sem fim. Os outros amores são todos diferentes, embora desiguais, por muitas juras eternas que se façam no altar.
ResponderEliminarE cara Bea, pressinto que a maior solidão do mundo, seja quando a perdemos.
Bom dia.
Não sei Joaquim, às vezes a gente perde-a antes de a perder, Ou vai-a perdendo aos poucos e sem remédio, julgo que isso seja o pior. Assistir, lenta e inexoravelmente, à morte da pessoa que mais gostas, testemunhares o seu sofrimento sem que possas ser lenitivo, a falência dos órgãos um após outro, as lutas inglórias travadas e a travar, notares que em cada dia mingua mais um bocadinho a tua esperança e te sabes incapaz de prendê-la ao mundo, isso é que é mesmo difícil. E depois há o tempo em que, perante sofrimento tão intolerável, lhe desejas a morte. Espanta-te desejá-la, mas desejas. Desejas com toda a força o nunca mais que tanto quiseste adiar e atenuar, deseja-lo sem remorso. O resto é coisa a que te vais habituando, adaptas-te à falta. Aprendes o caminho de dar o amor que precisas e saber que em alguma hora ou em muita todos somos sozinhos, mas, sobre essa certeza, te constróis e crias beleza. Porque viver é assim:).
ResponderEliminarÉ isso Bea, pior do que a perder é ir perdendo-a aos poucos, até à agonia final.
EliminarQuanto ao depois, deixou-me sem palavras, mas creio que seja assim.
Uma boa noite.
Nada se compara ao amor que se sente por um filho, um pai, uma mãe, digo-o porque sou mãe e tenho a sorte dos meus pais serem boas pessoas e bons amigos.
ResponderEliminarMas quem não tem filhos? Quem nunca conheceu os pais, ou o seu amor e bondade?
Acredito que veja na amizade um amor maior.
Muito importante seja em que situação for, é deixar espaço aos outros, não os sufocar, não impor, e não permitir que façam o mesmo connosco.
Pois é Magui, não somos ideais, que se há-de fazer. Temos de aprender a viver com os outros e a pensar também neles.
ResponderEliminarBoa noite.