Sou
um gato. Um GATO. Não sei de onde vim, mas sou gato, convenço-me que sou, ainda
que ela me chame palermices como carochinha, raposinha, bolinha, minha menina
pequenina, que são nomes bons para uma menina gata e é claro que isso me baralha.
Mas a voz dela é que me enleva, me dá sono e me acorda. Fico no colo a fazer que durmo (às vezes é sono a sério) e
ela vai passando a mão e fala baixinho,
o meu menino, a raposinha bonita. E estou no céu dos gatos. Tenho fixação nela,
durmo na sua cadeira e adoro a almofada onde se encosta; e quando ninguém sabe
de mim só respondo à sua voz. Eu que mio desalmado por comida, se ela me chama,
“gato, gatoooo”, chio como ratito pequeno. Que querem, muda-se-me a voz, os
gatos também são mimosos se forem mimados. Quando aqui cheguei era meio pelado,
via-se a rosa da pele e pulgas passeando entre os pelitos brancos. Hoje não há
parasita que me chegue e estou bem encabelado, a pele rosada é lembrança. Sou
um gatinho maltês branquito, rabo tigrado e focinho e orelhas amarelo/acastanhadas;
e, note-se, tenho os olhos azuis. Não vou ser muito comprido, já ouvi que sou
pouco elegante e tenho barriga, mas não resisto à comida, seja qual seja;
desconfio que me chama bolinha por isso mesmo. Se toca a comer, tenha ou não
apetite, nem a voz dela faz efeito, cuido de me esganar. Já subo a escada atrás
dela e corro o sótão de uma ponta à outra, sou curioso e exploro qualquer recôndito;
mas se ela diz, gato anda, vamos descer, apareço e vou na sua frente a pular os
degraus que só há uns quinze dias consigo subir e descer sozinho, antes era carregado
no colo.
Tenho
memória de um lugar onde miava aflito e de uma mão a içar-me e embrulhar-me no
casaco, e de eu ser um ninguenzinho de olhos assustados e orelhas muito sujas. E
depois trouxe-me para esta casa e gosto tanto de aqui morar. Tenho árvores para
subir, terra para escavar, sol e vento. Adoro ir à rua com ela e ficar por ali
a brincar e o cão não me assusta. Brinco com tudo, passo horas às voltas com
uma folha, um bocado de lã, uma fita de cabelo, e tenho fetiche com novelos.
Acho que ela é a minha mãe, se durmo na copa ou noutro lugar e lhe oiço a voz,
acordo. Mas já lhe corri o avental de cabo a rabo, lambi-o com vagar e esmero e
não achei o que queria. Depois, experimentei chupar-lhe os dedos, mas também
não deu. Mas ela tem uma coisa que se chamam braços onde gosto de me esterifar
e dormir, e com as minhas patas puxo-lhe as mãos seja par morder e lamber seja
para me aninhar como gosto. Ela ri e diz, bebé, és um bebé, tu - e depois -,
pareces um coelho assim esticado.
Do
que ela não gosta mesmo nada – castiga à
séria – é que puxe a comida da mesa e me sente no colo dela durante a refeição.
Já levei muita sapatada. Mas estou a começar a aprender a ficar entre as costas
da cadeira e as dela até que termine. Não vai ser fácil.
Fiquem
bem.
Olá Gato,
ResponderEliminarGostei muito da tua cartinha e já deu para perceber que estás feliz: saíu-te o euromilhões, não foi, Blue Eyes?
Tens que a convencer a tirar-te uma fotografia; não me importo nada de não conhecer a cara dela, mas a tua eu gostava muito de saber como é...
Vai dando notícias, okay?
Uma turrinha amiga.
🐈
Não sei do que mais gostam, mas é facto com provas dadas, os gatos são felizes por cá, Maria. Morrem cedo, também é verdade, só a gata chegou a fazer anos.
ResponderEliminarA Maria fez-me sorrir com a observação, é que a senhora que vem cá a casa diz exactamente o mesmo, só não lhe chama Blue Eyes, mas deve ser por não saber inglês.
As fotos empatam-me as palavras e até acho que já esqueci como colocá-las aqui, coisa que foram os alunos a ensinar-me:); já não tenho os mestres, mas um dia tento e faço-lhe a vontade.
Um abracinho tecido a patas e mãos.
Nunca gostei de gatos, seguramente por trauma de infância, quando um, no cio, me espetou unhas e dentes numa perna, cicatriz perene que não me deixa mentir. Até que, em casa alheia, conheci o Betis, gato sevilhano resgatado, ainda bebé, de um caixote do lixo.
ResponderEliminarO bicho é bravio, mas, por razões misteriosas, deu-lhe para simpatizar comigo. Conhece-me pelo cheiro e, quando me pressente, aproxima-se sorrateiro e - pasme-se - ronrona. Dei por mim presa naquela maciez de penugem branca onde se me perdem os dedos. Quero um gato! De preferência, uma gata. Serei dona/mãe de gata - coisa mais fofa! Beijinhos, querida Bea
Também recomendo uma gata. A minha falecida tinha os olhos mais doces do mundo, bem mais azuis que os deste gatinho. E era uma doçura. Preferia que fosse feminina, mas ele estava-me aos pés, bebé indefeso. E cá está:).
EliminarUm gato feliz. :)
ResponderEliminarOh, Yes! Feliz e bastante crescido. Já nem me deixa fotografá-lo, o maroto. E a dormir não tem interesse:)
ResponderEliminarHá bichos com muita sorte e ainda bem.
ResponderEliminarBoa semana, Bea.
Talvez ele pague com a vida o facto de morar comigo, Magui. Vivo à beirinha da estrada e não há o mundo perfeito:)
EliminarBoa semana, Magui.
... "bichinho" com a sorte de ter encontrado quem o aceitasse!
ResponderEliminarNa aldeia... encontro os "gatos" dos vizinhos!!!
Boa semana Bea
As aldeias são cheias de gatos, é verdade Gracinha.
ResponderEliminarBoa semana:)
A minha gatinha foi castrada e ainda não recuperou da cirurgia e do susto :(
ResponderEliminarBoa semana
pobrezinha. Mas vai melhorar.
EliminarBoa semana, Pedro.
Ainda bem que ele encontrou esse lar =)
ResponderEliminarBeijocas
A sorte dele pode ser também factor de morte:). Vamos ser positivos, não é Cláudia.
EliminarGosto de gatos. São inteligentes, independentes e esquivos. Gostei do texto de quem se põe na pele do gato a tentar entender o que ele sente...
ResponderEliminarCuide-se bem.
Uma boa semana.
Um beijo.
Bom, está visto que a minha resposta de ontem ficou adiada, Graça. Mas o que dizia era, mais ou menos, que os gatos só são esquivos com desconhecidos; não lhes noto assim uma inteligência especial, mas podem tê-la que também não é o que neles procuro; gosto da sua independência, dá-lhes interesse e descansa-nos, um animal sempre pendurado em nós e no nosso colo não é agradável.
ResponderEliminarBoa semana, Graça.
Bea, respondendo ao comentário, claro que não estou a comparar, nem de perto, nem de longe, o facto de se eu precisar de alguma coisa, as pessoas estarem disponíveis para ajudar, etc. Não meço o nível de amizade pelo nº de likes e se até o fizesse, acho que pouco errava, que as pessoas realmente a cada dia que passa, se mostram mais =)
ResponderEliminarMas de facto, as redes sociais funcionam mesmo assim. As contas são "catapultadas" quanto mais likes e comentários tiverem. É um sistema muito complexo, que não é só pelo like em si, mas tudo o que ele acarreta.
Beijocas
Perdoe a minha ignorância, Cláudia, mas o que significa as contas serem catapultadas? São catapultadas em função dos likes, mas que significado tem isso? Concretamente.
EliminarNão tem problema =)
EliminarAs marcas, só começam a trabalhar com as pessoas que tiverem mais likes, mais seguidores, mais comentários. Só a partir de um certo número de seguidores, por exemplo, é que começamos a ter descontos específicos, reconhecimento, receber coisinhas em casa...
Basicamente anda é tudo atrás do mesmo :P
Mas eu sinto e tenho quase a certeza que faço algo diferente. É verdade, com filhos será diferente, mas só de fazer tanta coisinha em casa, quando é tão mais fácil comprar... Mas pronto, com calma chego lá =)
Boa sorte para o caminho difícil que quer trilhar:)))). E obrigada pela explicação.
EliminarA sua preocupação de morar à beirinha da estrada, aí está o que diferencia o homem do animal: o homem dirige o seu olhar para o futuro, ao passo que a cogitação animal está virada para o aqui e agora.
ResponderEliminarBoa noite.
o bem estar animal deve morar também aí.
ResponderEliminarBoa noite, Joaquim.
Ora aí está uma coisa que não consigo: ouvir a voz dos bichos. Sou mais capaz de ouvir as árvores:)
ResponderEliminar~CC~
Oiço tudo, árvores, flores, animais e até, imagine, pessoas:))))
EliminarMe too!
Eliminar😂🤣😂
Bom fds!
🐈
Bea, que bem escreve o teu bichano!
ResponderEliminarNunca tive um gato meu. Mas cá em casa já viveram felizes 4 (3 gatas e 1 gato), todos da minha filha. Quando ela foi para Inglaterra deixou-os num gatil. Durante uns dias eu senti saudade dos bichanos e quase, quase, os fui buscar. Desisti, a bem da saúde dos bichinhos.
Não sei ser mãe de gatos. De cães pequeninos ajeito-me. Já tive 3, e todos morreram tragicamente. O ultimo foi de tal maneira (estrangulado pela coleira na porta do elevador) que desisti de vez da coabitação com bichos de 4 patas. Num apartamento tudo é mais complicado.
Sejam felizes, tu e a "carochinha, raposinha, bolinha"...
Beijo.
:) Olá Teresa, também lhe chamo sardanisca:)))
EliminarBoa noite.
Bea, que maneira bonita e sensível de apresentares o teu gato!Beijinhos!
ResponderEliminaré um queridinho, ele:).
ResponderEliminarQue giro!
ResponderEliminarÀs vezes tenho vontade de arranjar um gato, mas depressa desisto...dão trabalho e tenho 2 pássaros...
😊