(continuação)
Posto
isto, de saliente só houve o exame médico que fiz à tarde. Porque, já se sabe,
a mim acontecem-me coisas em todos os lados, não sei se é problema dos lugares
se de mim, mas também não vou aprofundar. Comecei por me esquecer de pôr a
máscara (estava na mochila), mas a fila deu-me tempo para notar que destoava e
lá a coloquei. Quando já estava sentadinha chamam-me e sem mais nem menos (era a primeira vez que
fazia tal exame) dão-me um copo cheio de água e dizem que tenho de beber mais
dois. Pensei que podia voltar a enchê-lo no garrafão que estava próximo,
escusavam as meninas de estar com aquela maçada, não me sinto nada bem quando
me servem. Pelo sim, pelo não, perguntei
se era apenas água. Pronto, soube que não era gesto simpático das garotas o
trazerem-me a água ao balcão. Relanceei os olhos e havia mais três pessoas
sentadas como eu. Sem beber água. Vai daí, veio-me preocupação súbita e inquiri
as meninas da recepção, posso ir à casa de banho? É que isto vai ser muita
água… Elas, sim, sim, claro que pode. E logo as pessoas sentadas se levantaram
em mola e correram para a casa de banho. Eram corridinhas de passos apressados
como quem, nos saldos, quer apanhar aquela blusinha airosa lá ao fundo. Mesmo.
Bom….depois…vestida
a batinha azul que espero eu não seja transparente, lá me deitei na maca e,
como tinha ouvido a pergunta das garotas a todos que abandonavam a sala do
exame, “levou a injecçãozinha”, comecei por fazer a minha declaração habitual,
detesto agulhas, não sei como é que as pessoas se picam a elas mesmas, e tal e
tal. E o senhor – muito delicado e cuidadoso que ele foi, não tenho nada senão
bem a dizer dele e por mim volto lá se precise de repetir. Feito o exame, confidenciaram-me
que é um bocado bruto, que isto e que aquilo; boatos, o senhor, rapaz para a
minha idade, é uma simpatia e bom profissional. Adiante. Pois a incógnita
surgiu-me quando o senhor me disse que a doutora é que ia decidir se eu
precisava ou não de injecção. Confesso que não entendi a que propósito vinha a
conversa da doutora, estávamos só os dois. Mas como sou pessoa que encontra
logo uma explicação para tudo, pensei que ele iria mostrar qualquer coisa à tal
doutora que estaria não sei onde, e a divindade decidia se me havia de picar ou
não. Pensei, há-de ser o que Deus quiser, mas disse outra coisa. Qualquer
parvidade como, assusto-me com agulhas, picarem-me, só em último caso. E vai
daí oiço uma voz feminina mesmo ali por cima da minha cabeça que até me
assustou um nico aquela suavidade vinda do aparelhómetro, só leva o contraste
se quiser, aqui não se faz nada contra a vontade do doente. É claro que fiz logo
mais perguntas. Mas ponderei, já estava ali em trajes menores, tinha-me
deslocado, não comia há uma data de horas e sentia-me cheia de água (foram
quatro copázios , toda eu era piscina); e presumi ser do meu interesse avaliar os
danos. Além do mais, apesar do senhor ser paciente como Job e um profissional
de estalo, não me apetece, para já, repetir o exame. Portanto, anuí à
injecçãozinha. E eis senão quando saio da maca muito ancha e vejo uma senhora logo
ali, só um vidro de permeio. Fim do mistério.
E
pronto. Foi isto. Não digam que eu não precisava de um café com leite.
Espero que esteja tudo bem.
ResponderEliminarNão tenho medo de agulhas, tanto que faço tatoos, mas também não sou assim grande apologista de injecções e afins.
O que me ri com o "toda eu era piscina" :P
Beijocas
Há-de estar, Cláudia. Os exames são um começo.
ResponderEliminarBom dia, mesmo se chove.
ODEIO tudo de que falou a Bea. Mas isto é como o cão habituado ao pontapé ou desprezo, que foge com o rabo entre as pernas. Não seria capaz de fazer "semelhante ironia", bem divertida por sinal. Há 30 anos que a ameaça vai-não-vai me persegue. Na verdade, das N vezes que ando/andei nessas lidas, acho que só via os pés das pessoas (muito mal calçados, por sinal) e as cores das paredes ou chãos, tido cor de vómito. Agradeço o riso que provocou. Com desejos que seja nada. Abç
ResponderEliminarO meu princípio, bettips, é tirar o proveito que possa de qualquer situação. Já reparou que não saímos de casa senão para ir ao médico, centros de saúde, exames e tal? Isto, se tivermos a sorte de sermos atendidos no Centro de Saúde. Aproveitei esta saída de excepção:)
EliminarMas entendo muito bem quem não gosta de tais lugares onde não me alembra ver paredes nem os pés das pessoas (deitada de costas também não o conseguiria:)).
É isso, há-de ser pouca coisa. Um abracinho de bom fim de semana
Mar, metade da minha alma é feita de maresia...
ResponderEliminarBea:
O poema continua, é só para lembrar os 101 anos da nossa querida Sophia.
Gato:
Trata bem a tua companheira, ouviste?
Ela precisa de muito carinho.
Bom fds para os dois.
🍂🍁
Obrigada, Maria. Já vou ler-lhe um poema antes de dormir, é uma senhora que me dá horas de melancólica beleza:)
EliminarO gatinho é terno e também espalha brasas, vai alternando. Estou convicta que me julga também do reino da gataria.
BFS, Maria. Um abracinho e o desejo de que não apanhe chuva.
Bea, isso da injeçãozinha cheira-me a exame radiológico com contraste que é uma grande espiga. Eu não, não deixo que receio forte reação alérgica - não é da minha sapiência, não. Assim me acautelaram proibindo-me tal "cena". Espero que o resultado seja inocente e que esteja sã como um pero.
ResponderEliminarHoje, por aqui, chuva e vento. Mesmo bom para Netflix.
Um beinho, querida Bea.
Estou muito desgostosa com a Netflix, acho as séries uma coisa muito primária onde abundam ingredientes que misturam violência, sexo e tudo mais numa superficialidade que asfixia. Os filmes melhores vi-os antes de ali aparecerem.
EliminarO contraste não me causou danos de maior, acho. Pode que não seja nada. Sã como um pero não estarei, mas pode que seja mossa pequena:)
Pois foi, hoje nem o passeio matinal. E entramos num fim de semana que nunca mais acaba, horas e horas enfiadas umas nas outras, e eu a vê-las passar.
BFS, Nina. E obrigada.
Provavelmente se tivesse a sua facilidade de expressar por escrito tão bela descrição... olhe Bea que também faria uns belos relatos!!!
ResponderEliminarBj e bom fim_de_semana
É pena que não sejamos vizinhas, Gracinha. Contava-mos e eu punha tudo em letra de forma. Uma coisa que bem se me adaptava era ser ghost writter.
EliminarAcho que sim, bea, considerando a sua relação com a aromática bebida, o cafézinho está totalmente justificado. Já eu, que também não dispenso o tal aroma, talvez precisasse mais de um chá calmante, que exame desses havia de me deixar numa pilha de nervos.
ResponderEliminarFaço votos de que não seja nada de grave.
É que está mesmo justificado:). Não me enerva muito o olhar das máquinas e o que tem de ser...as pessoas, sobretudo se forem várias a olhar para mim, isso é que me deixa pouco à vontade.
ResponderEliminarObrigada:). BFS
Ontem também fui fazer um exame. Ao fazer a inscrição diz- me a menina que pagava no fim, porque podia ter de levar a tal injecção do contraste.
ResponderEliminarNão levei, o que me aliviou a veia e a carteira.
Mas, teria sido mais uma. No princípio que fui acometida da maleita que me levou até ao exame, levei 25 injecções.
Por acaso o rapaz que me fez o exame foi muito simpático comigo.
Quando estava para vir embora, foi tão abrutalhado para com um senhor de idade, que me achei no direito de lhe dizer duas palavras
Espero que tudo corra bem, Bea.
Bom fim-de-semana
Bolas, Magui, 25 injecções é coisa "desmasiada" que espero não me calhe.
EliminarTive mais sorte que a Magui. O meu rapaz, do que lhe presenciei, tratou todos de igual forma. Mas como contei no post ouvi uns comentários pouco abonatórios (não de quem estava para exames).
Vai correr tudo bem para nós duas, sim.
Boa noite, Magui.
Carta para ser lida ao Gato (a pretexto da Maria):
ResponderEliminarÉs um sortudo. Encontraste alguém, nestes tempos de pandemia (que imagino te passe ao lado ou talvez não), que te franqueou as portas de sua casa, evitando que durmas à chuva e ao frio, acolheu-te na sua vida e na sua família, te alimenta e acima de tudo, te dá amor sem nada te pedir em troca. Sabes o que isso é? Eu digo-te: é não sentires muito a falta da tua mãe.
E, tenho para mim, que também te vai ensinar as boas maneiras ou não fosse a tua dona uma educadora, mas sobre isso falamos daqui a uns tempos.
Portanto, só te resta agradecer, de que modo? Bem... deixo isso ao teu critério, mas olha que eu vou saber!
Uma festa.
PS: Sobre o seu post que antecede este, queria dizer-lhe que o esmero da descrição é tal, que consegue fazer uma história cativante, de um dia (quase) sem história.
Bom fim-de-semana.
daqui a bocado o gato faz um post a descrever o que se passa com ele na nova vida, Joaquim. Todas as palavras merecem resposta, diz ele. Garanto que está a ronronar no meu colo de olho fechadinho que mais parece um inocente coelhinho de Páscoa:).
EliminarEu já disse em qualquer lugar que dava um óptimo gost writter, é um bocado involuntário, mas reconheço que dou certo brilho à banalidade.
O meu post anterior, como deve ter lido, é o am e este é o pm de um dia completo.
Bom fim de semana, Joaquim.
Fabulous blog
ResponderEliminarLeu em português Rajani? É obra.
EliminarJá fui dar uma vista de olhos.
ResponderEliminarBom fim de semana