Dias
a começar com um café. Lá fora, o silêncio pousado sobre o mundo. Noto as casas
adormecidas na penumbra e parecem-me mais próximas, talvez se aconcheguem para
dormir. Quem dentro delas vigia como eu, quem dorme pesadamente, quem dormita
e, nos intervalos do sono, se apraz em silêncio saboreando hora a hora as
pequenas gotas do descanso. Quem sonha e se debate em pesadelos que manietam
braços e pernas, corpos desamparados a despenhar de alturas inconcebíveis, mortes anunciadas e temíveis de que se acorda transido. Quem sonha e
cria, quem tem alma jovem e inventa vida e vive nela o que a realidade subtrai.
O movimento dá mão à luz e, lá fora, a escuridão é imenso novelo.
Acordar. Encarar de frente horas e horas de atenção a pormenores que precisam de lugar. Arrumar é atribuir lugar ao que o não tem ou está fora de ordem. Limpeza. Antes da canícula, no exterior; depois, no interior. Limpeza. Metódica. Morosa. Num desenho animado bastaria uma cena e a jarra de flores murchas revivia, os papéis caminhavam sozinhos para o cesto, aranhas recolhiam as teias, o lixo ia despejar-se a si mesmo no contentor, o pó desaparecia de jacto e o chão rebrilhava enquanto inúmeras florinhas evolavam cantando hinos de aroma floral. No desenho animado a parafernália de detergentes e lixívias não entra, foi dispensada de serviço.
Acordar. Encarar de frente horas e horas de atenção a pormenores que precisam de lugar. Arrumar é atribuir lugar ao que o não tem ou está fora de ordem. Limpeza. Antes da canícula, no exterior; depois, no interior. Limpeza. Metódica. Morosa. Num desenho animado bastaria uma cena e a jarra de flores murchas revivia, os papéis caminhavam sozinhos para o cesto, aranhas recolhiam as teias, o lixo ia despejar-se a si mesmo no contentor, o pó desaparecia de jacto e o chão rebrilhava enquanto inúmeras florinhas evolavam cantando hinos de aroma floral. No desenho animado a parafernália de detergentes e lixívias não entra, foi dispensada de serviço.
Ora
acontece que um café reanima sem milagre. Portanto, temos de considerar o esforço de corpo e mente
presos à função. Quantas horas são necessárias para reaver a casa como ta
ensinei a conceber. Não o sei, é sempre variável. Sei que a noite se achega ao
cansaço que viajou desde antes da luz, estendeu-se de uma noite a outra noite. Mas tu
entras. Aproximas-te naturalmente, olá, mãe, tudo bem. Meu filho querido. E é isto. Um bem maior.
Um bem maior. Bendito e tão bem dito!
ResponderEliminarE a Bea é a alma mater que tudo cuida e transforma para acolher (bem).
Mãe e mulher - ao fim e ao cabo (também) bem sem preço...
Perdoe-me a derivação, hoje vou dedicar o dia à mulher.
Querida, que pena ter esquecido que podias morrer, que podia perder-te.
Se tivesse essa consciência, ter-te-ia amado não mais, mas melhor.
Ter-te-ia dito muito mais vezes que te amava.
Teria discutido menos por tontices.
Ter-me-ia rido mais. E até me teria esforçado por aprender o nome de todas as árvores e por reconhecer todas as folhas, para não me chamares inculto.
Já está. Já o fiz. Já o disse.
De facto, consola.
PS: ficção que não desejo pois só de a escrever doi...
Bendito, sempre bendito.
EliminarBea, tenho também um bem maior, por isso compreendo-a.
ResponderEliminar~CC~
:))
ResponderEliminarTenho dois "BEM MAIOR"!
ResponderEliminarBom domingo e obrigado pela partilha!
Bom domingo, Gracinha. Tenho dois no papel e mais quatro de coração:).
ResponderEliminarSem dúvida a chegada dos filhos muda logo o sentido das coisas ao trazerem uma nova luz. Abraço!
ResponderEliminarÉ como dizes, prosa:)
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