Foi
nos caminhos digitais que dei conta dos passadiços do Paiva. Ciumenta de quem
os visitava, o número de degraus tolhia-me passos e decisão. Mas o tempo é
erosivo e foi debilitando a impossibilidade. Amoleceu-a. Vergou-a. Instalou a dúvida, “se calha,
consigo”. Surgiu a oportunidade de um passeio familiar a permitir contactos de
curta ou nenhuma prática em tempos de pandemia. Por que não?! Rir em grupo tem
outro valor.
Partimos
vacinados e ainda precavidos e incomodados por máscaras. Esperavam-nos a ponte
suspensa e os passadiços. Que não cheguei a vislumbrar. Destino ou má sorte, no
início da marcha pedestre escorreguei, caí e o pé voltou a torcer. O mesmíssimo.
Restou-me o passeio de táxi até ao hotel com passagem pela farmácia e as fotos
dos passadiços num qualquer livro sobre
as belezas de Arouca, estratégia que encurtou horas sozinhas e horizontais, a dor do pé a refrescar.
Os
companheiros seguiram caminho, alegres da operacionalidade de pernas e pés, e, acredito
eu, ligeiramente lastimosos. E eu a ler a história do Mosteiro de Santa Maria
de Arouca e mais a da desditosa D. Mafalda, filha de D. Sancho I, cujo
casamento não foi consumado. O “esposo”,
rei de Castela, era criança, tinha apenas 12 anos à altura do enlace; diga-se
que o pobre teve pior sorte, sofreu de vida inconsumada, a morte chegou-lhe aos
14 anos. Quando o infeliz se finou, já ocorrera o regresso da princesa-rainha a
Portugal pois fora confirmada a anulação do casamento, requerida pela irmã do
nubente ao papa, alegando a extrema juventude do rapazinho e a consanguinidade
entre os esposos. Casa-se uma jovem de dezanove anos - pelo que dizem os cronistas, nada de deitar
fora -, com um garoto de doze que devia ser atrasado na idade, mas até era bonitinho (diz-se que o sexo masculino tem um atraso de
quatro anos em relação à idade cronológica e este espécime devia ser dessa
natureza) e depois querem o quê. Ora bolas. Também, a ser consumado o casório, hoje seria
pedofilia e lá ia a santidade borda fora. Ainda vou averiguar se o rei de
Castela era doente ou terá sido castigo da divina providência levá-lo consigo, por
se desagradar Castela da nossa princesa. É que aquela irmã Berengária (que nome) quase parece a
rainha má da branca de neve portuguesa.
Adorei percorrer os passadiços do Paiva, nem a chuva miudinha que caía me demoveu.
ResponderEliminarEspero que recupere bem e depressa.
Pois eu acho que não torno. A chuva miudinha é bem capaz de ter sido uma boa ideia dos deuses. Segundo me disseram, cansa mesmo.
ResponderEliminarVou recuperar bem, certamente, Magui. Não sei se depressa, sou mulher vagarosa até no que não devo.
Obrigada, Magui.
Pois já sonhei com eles... mas não me atrevo "das pernas". Mas foi pena que as tuas vontades não se tivessem comunicado concomitantemente ao malandro do pé! Já agora, não conheço Berengária mas conheci uma Olegária.
ResponderEliminarArouca é um lugar belo mais a Serra da Freita mas estão p'ra lá do que agora me atrevo, é muita curva.
Mas já lá estive há anos 10??? sei lá. Gostei muito e sem haver passadiços se andou por muito lado, até pelas pedras parideiras. E é claro que visitei a D. Mafalda e arredores. Foi tudo uma descoberta.
Abç
Oh, também vi as pedras parideiras, bettips, não são coisa que me mova, apenas uma curiosidade geológica e atmosférica. A serra da Freita é linda, se bem que os miradouros mais altos deitavam para as nuvens. Gostei das correntes de água e das vacas ruivas de ar lavado que o cheiro das ruas desmentia. D. Mafalda e meu tio santo é que não visitei que já o pé se negava; tem enguiço, certamente.
ResponderEliminarUm abracinho bettips e boa noite.
Agora percebi.
ResponderEliminarAs melhoras :)
Começou do fim para o princío:)
EliminarHá agora muitos e muitos passadiços pelo país todo...e alguns bem mais curtos e exequíveis. E baloiços...pegam as modas, no outro dia alguém lhe chamava "ecoparolices". Fiquei hesitante, a pensar...mas sou assim, ponho-me a compreender o lado de quem está a favor e contra e nem sempre me consigo decidir.
ResponderEliminar~CC~
Por acaso acho mesmo que os passadiços viraram moda. E que muita gente os faz sem apreciar a natureza e a beleza do que vê, mas só para ficar feito e o apregoar. Mas acontece também com quem viaja. Porque há também o outro lado, não é?
EliminarE as suas melhoras, isso é que importa:)
ResponderEliminar~CC~
Obrigada, CC. Parti o pé. Agora são seis a oito semanas com uma bota ortopédica e canadianas. E, em caso de correr mal, cirurgia no remate. Já fui avisada que pode ser necessário raspar o osso.
ResponderEliminarNão há-de ser nada e vai curar em seis semanas. Pois se eu nem sou azarenta nem nada:).
Bom fim de semana.
Oh que pena Bea!
ResponderEliminarEspero que melhore rapidamente e em bem!
Já visitei vários passadiços mas estes ainda não conheço!
Bj
Melhoras rápidas num pé partido, é coisa que não existe, Gracinha. Neste momento desejo simples: que chegue a maldita bota e a dor passe. O resto logo se vê.
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