sexta-feira, 5 de março de 2021

Os Nós e os Laços

 

Quem me conhece intuiu que eu gostaria da prosa de Dulce Maria Cardoso e ofereceu-me “Os meus sentimentos”, obra que li anos depois de “O retorno”.   Comprara o  livro em acesso pressagiante,  completamente às escuras, e auto dispensando-me da tarefa introdutória em busca de sinais - ler inícios de capítulos e outros eteceteras. Escuso de dizer que fiquei fã e sou fanática: compro tudo que encontre escrito pela distinta senhora (faltam-me alguns volumes), leio-lhe com enlevo as entrevistas, já fui vê-la ao vivo correndo (de carro) muito quilómetro madrugada fora. Gosto dela e de José Luís Peixoto pelo valor literário que lhes reconheço, pela forma como se exprimem, pela simbiose de pensamento que me permitem, por originária e bravia verdade camponesa  que respeitam, de que se orgulham e que partilho. Julgo que, se me tivera dedicado e amadurecido nas letras, seria um pouco como eles. Bom. Isto para dizer que leio amorosamente as crónicas da Dulce na Visão. Facto curioso e que não deixa de me espantar, destronaram as de Mia Couto, romancista de primeira água, com décadas de musgo no meu gosto. Ora, se a crónica cabe a Dulce, talvez porque as nossas origens tenham um quê de semelhança, contraponho mentalmente a minha versão (sucedia com José Luís Peixoto quando era ele o cronista). De prosa claramente excessiva em termos pessoais, talvez pela intimidade que desvendam, jamais tive coragem para assumir os relatos que Dulce Maria Cardoso me sugere. Mas, a crónica da passada semana, “A conduzir”, foi uma farpa. Ninguém, mas mesmo ninguém, me ultrapassa em histórias de condução. Que essas (algumas), escrevi-as algures e não são para aqui chamadas.

Enquanto o sonho de Dulce com a condução começou com o Bolinhas, carro velho que o pai comprara para desemburrar a irmã mais velha, pouco me lembro de sonhar tão alto. Como o pai da escritora, o meu é de parcos presentes. Dado, dado, enquanto jovem, deu-me o primeiro casaco comprido, então designado “casaco grande”. Aconteceu no inverno posterior a doença grave e foi para mim O acontecimento. Mas também me dera um relógio após a quarta classe. Comprou-o depois de uma tarde de copos a ourives ambulante. O homem entrou-nos em casa por via da escolha da bracelete que encurtou a canivete e perfurou especialmente, atendendo à magreza impressionante do meu pulso. Por fim, cabeça  abanando o desalento e na impossibilidade de mais furos, deixou-mo a bailar sem remédio e partiu na motorizada, o cofre do ouro acondicionado no suporte da dita. Não tive escolha. Desconhecia outros relógios femininos e não havia termo de comparação. Mas dava horas certas. Portanto, serviu os intentos. Nunca fui apologista de relógios e não o senti como presente. Representava, isso sim,  o fim da primária. Jamais meu pai, em seu juízo, falou em carta de condução ou compra de carro. Com os copos, em dias benévolos (há muito mau vinho por essas bebedeiras fora), prometia mundos e fundos a esmo, o seu lado de sonho a vir à tona, todo espuma (meu mano caçula acreditou que teria um cavalo). Os meus estudos nunca lhe importaram minimamente e, na óptica que reiterava dia sim, dia não, repetia haver de sua parte uma benevolência sem limite por deixar-me estudar e não me pôr a trabalhar ao campo dando lucro à casa. Portanto, quem pensaria em presentes. Eu, não. Já formada, não se ofereceu para me emprestar a verba que eu sabia que tinha para o dito bólide e antes insistia lestamente em que ajudasse os meus irmãos mais novos e pagasse a educação da mana que se me seguia. Contudo, lembro-me de pensar na Diane. Pensar como se pensa no impossível, se eu ganhasse a lotaria em que nunca joguei. Por exemplo.

Ressalvo que a maxi push, minha acelera querida, não foi bem um presente. Ao longo  do primeiro ano de trabalho, resolvi entregar-lhe um terço do meu ordenado. Ele juntou-o e comprou a maxi push. Compreendi o subentendido: “o seu a seu dono”. Éramos mundos económicos separados, cada um assumia as suas responsabilidades e valia-se de si mesmo.

(cont.)

27 comentários:

  1. A Dulce e o JLPeixoto também são os meus favoritos, entre os chamados 'jovens escritores' portugueses. Não sei se já o disse neste blog, mas já o afirmei várias vezes na blogga.
    Nisso estamos de acordo. :-)

    Quanto ao resto, posso afiançar-lhe que conheci quem ficava com metade do ordernado da filha e não o juntava para comprar nenhuma prenda especial, simplesmente ficava com ele para alimentar os seus próprios vícios.
    E não havia necessidade...
    De vez em quando, lá vingia que era um bom pai e um bom marido, mas era só às vezes, muito poucas vezes, a bem dizer quase nunca.
    Acredito que houvesse pior, mas sei que havia muito, muito melhor.
    Portanto, dona bea, tudo isso é muito relativo.

    BFS
    🌻






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    1. Ora, Maria, o meu escrito não é queixa, mas constatação. Cada um tem o que tem. E há que aprender a viver com o que nos calha em sorte. É como diz, houve muito pai e mãe que ficava com todo o ganho dos filhos. Também os conheci. O que não faz deles bons pais, sobrtetudo se o não necessitavam. Era isso que meu pai dizia que os bons filhos faziam; e foi o que ele mesmo fez sempre, até na semana em que casou. E, no entanto, quando lhe dei o terço ele não o quis.
      BFS, Maria.

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  2. ... fingia.
    (eu vejo mal, mas este corrector tira-mo do sério ☹️)
    🌿

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    1. estava a pensar não a desculpar, mas se é do corrector e sendo pitosga, por esta vez, vá, passa :).

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    2. Referia-me ao lá fingia que era bom pai - e não 'vingia'.
      Mas é verdade que estou a ver cada vez pior e é muito difícil escrever neste rectângulo tão pequeno.
      Quanto ao resto, nada a opôr: também era uma simples constatação e, possivelmente, cada um tem o pai que merece.
      Boa noite.
      🌻

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    3. Tinha entendido o engano, não sou completamente palerma:).
      Mas isso é que não, os pais não se têm por merecimento, só se têm.
      Boa noite, Maria.

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  3. Nunca li nada da Dulce Maria Cardoso e do José Luís Peixoto só li um livro de poemas, mas tenho a certeza que a escrita da bea tem a mesma qualidade literária.

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    1. Não nos enganemos, Teresa. Digo por palavras o que meu pai me disse sem elas, "o seu a seu dono". Sou aprendiz que não teve o tempo para se estabelecer por conta própria. Ou, se quiser, andei fazendo outras coisas, quiçá mais prementes e que me deram carrêgos e grande prazer. Fui com os pássaros:).

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  4. Olá, Bea! Nunca li nada de Dulce Maria Cardoso . Agradeço a dica.
    Refastelei-me com a sua prosa, Bea. Essas memórias desdramatizadas são insuperáveis. O bom humor - assim dizia o Papa Francisco - é uma qualidade inestimável, quase uma benção.
    Continue bem,
    Um beijinho

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  5. Dulce Maria Cardoso é uma grande escritora. E uma senhora muito cuidada, esguia e pequenina de cabelinho curto que lhe empresta certo ar irreverente.
    Oh! Nina, saiba que fui abrir o caroço da manga e tinha o feijão apodrecido. Bolas. Terei de comprar outra. Desconfio que era por ser manga maturada.
    Tão querido o nosso papa. Um autêntico doce. Mesmo.
    Bom fim de semana, Nina.

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  6. Com propósito ou por intuição, foi escolher para título da sua crónica o mesmo dum livro de Alçada Baptista que por acaso li há muitos anos e gostei bastante. Parece-me apropriado ao texto que se lhe segue, o que vem desfazer por ora, a sua propalada (por si) desinspiraçāo para.
    Li há pouco tempo "Nenhum Olhar" de José Luis Peixoto, um livro onde um outro José "pensa na mulher e no que o diabo anda a dizer sobre ela. E pensa no dia em que as cigarras se calarāo na planície e os ramos mais finos dos sobreiros se tornarāo pedra". Trinta anos mais tarde, José, filho de José, "pensa na mulher do primo e no que o diabo anda a dizer sobre eles. E pensa no instante em que nada restará, nem mesmo o silêncio que fazem todas as coisas a olhar-nos".
    Agora que sei que também aprecia o autor, não posso deixar de dizer que vejo alguma semelhança entre os dois, é verdade que ainda não tinha pensado nisso antes, mas ela está lá sim senhora, na mesma linguagem poética, na comoção que transmitem ao leitor, se bem que sempre de forma discreta, mas acima de tudo, na beleza imensa do que escrevem e como o escrevem, e que só as vastas planícies podem conter.

    Aproveito este seu post também, para agregar no meu comentário, aquilo que lhe queria dizer ainda a propósito da sua resposta ao meu comentário sobre Ana Luísa Amaral quando diz, e passo a citar: "Uma das coisas que não referi e me tocou foi o exemplo do solitário Caim. A necessidade dos outros não é suprível e bem nos arde a todos na pele".
    Tem razão e fez-me lembrar (mais uma vez) um filme, de que já lhe falei, em que um homem se depara com o homicídio da sua jovem e recente mulher. Perante o desgosto imenso e a revolta de ver que a polícia não consegue prender o assassino, ele próprio o captura à revelia e leva-o para a sua propriedade, isolada de tudo e de todos, onde o mantém em cativeiro durante anos, numa cela construida para o efeito num anexo à casa principal, alimentando‐o, dando-lhe de beber e condenando-o ao silêncio absoluto - não lhe dirige em todos esses anos uma única palavra. Um dia, perante uma visita inesperada, o criminoso, feito prisioneiro, pede de forma dilacerante à visita: diz-lhe apenas que fale comigo!
    A solidão é terrivel Bea, e apenas quem vive só ou se sente só, pode avaliar. Creio que de uma forma ou de outra já todos passámos por ela e não somente o solitário ou o sem-abrigo; quem vive numa família desavinda também a sente, o artista sem público, o escritor sem leitores, o blogger sem comentários, todos vivem uma espécie de solidão, ė como pregar aos peixes.
    Nestes tempos de isolamento e angústia da pandemia, em que vivemos com menos outros, a solidão aumenta e também eu a sinto.
    Nāo quero pensar ainda no dia em que as cigarras se calarāo, como diz José Luis Peixoto, mas sinto cada vez mais o silêncio que fazem todas as coisas a olhar-nos.
    Nesta nossa luta, também tenho encontrado algum refúgio na convivência aqui nesta sua janela. Bem haja.
    Desejo-lhe um bom fim de semana.

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  7. É claro que também eu li "Os nós e os laços" de Alçada Batista. Gostei muito. Daí aproveitar o título já que outro não me ocorria.
    Também li Nenhum Olhar, aprecio a escrita de José Luís Peixoto e a simplicidade de ter dito numa entrevista que, dia em que produza cinco páginas, é um bom dia de trabalho. Para um escritor, o livro é arte e minúcia de relojoeiro. Demora.
    Creio que o filme que refere se chama "O segredo dos seus olhos". Um filme impressionante e de que gostei. É verdade, há uma solidão procelosa, toda agulhas e tormento; esse sentimento de abandono desvalido é que amarfanha, perturba, e faz ruidosa a indiferença das coisas a olhar-nos. Em tais horas negras não existem nós e laços, estamos sós e em carência de gente. Para bem dos homens, no geral, são apenas horas, momentos. O caso do filme, sendo o mesmo, é outro: trata-se de imposição da vida sem qualquer tipo de relação, a privação de gente era o grande castigo de todas as horas. A pandemia impede contacto físico, não impede a relação. E já castiga bastante ao retirar a liberdade de deslocação nos fins de semana e o impedindo constante de as pessoas de se juntarem como antes. Até ver, retira-nos fatias da liberdade habitual e que em algumas pessoas são enormes fatias. Mas o pior nem é aceitar as condicionantes. Má, é a insegurança acerca do términus. As provações aguentam-se quando as setas de futuro são garantia.
    Bom dia, Joaquim. Um óptimo sábado.

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    1. Interessante dizer que para um escritor, o livro é arte e minúcia de relojoeiro. O de José Luís Peixoto, é um romance triste e belo, de silêncios e olhares que dizem tudo, de repetições, muitas repetições, a fazer lembrar a Toada de Portalegre, esse maravilhoso hino ao Alentejo de Régio.
      Sim, o filme é mesmo esse.

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    2. e não será, Joaquim? Pois se até escrevendo por aqui sem sobressaltos, emendo e emendo, imagino a atenção dos escritores em volta de uma página que sabem definitiva e será lida anos e anos pela mais diversa gente. Nenhum Olhar é um romance muito bonito e alentejano de verdade. José Luís Peixoto nem sabe o quão grata lhe sou por mostrar assim a alma do Alentejo.
      Boa noite, Joaquim.

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  8. Nunca me lembro dos meus pais me darem presentes por passar de ano ou ciclo.
    Mas felizmente nunca me quiseram dinheiro de trabalho e ofereceram-me a carta de condução.
    Talvez que a dureza da vida não consiga amaciar o coração de muita gente, ou mesmo querendo, não sabem como o fazer.
    Bom fim-de-semana, Bea.

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    1. Também não recebi presentes por passar de ano. Na minha família não havia tradição de presentes nem no aniversário. Mas a quarta classe era a marca para comprar relógio. Não apenas em minha casa, era assim com todas as crianças que ainda o não tivessem.
      A vida endurece cedo alguns corações que, no fundo, no fundo, se tornam a si mesmos mais infelizes. Ou, como a Magui pensa, foram tão maltratados que não aprenderam os caminhos da ternura e os enjeitam, por se sentirem inábeis. Continuam a prejudicar-se vida fora, incapazes das pequenas alegrias e das dádivas mais genuínas.

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  9. De memórias se faz a vida de todos nós e a Bea parece ter um baú bem replecto.
    Achei muito engraçada essa do relógio... creio que na nossa infância era bastante vulgar ter o primeiro relógio quando se terminava a quarta classe. Eu também tive, era um Cauny, daqueles com um mostrador pequenino, de difícil leitura (pelo menos com o meu olhar de hoje...), mas na altura em moda e muito feminino.
    Lembro-me de andar tãaaaaaao orgulhosa a mostrar o relógio! E de me sentir crescida, pois além de já ter relógio, também ia mudar para a "escola dos crescidos" ou seja, para o liceu.
    Entretanto, num ápice, passaram mais de cinco décadas sobre o tempo desse relógio...

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    1. Não recordo a marca do meu relógio, mas era também de mostrador mini. Incómodo, dançava-me no braço e, mal podia, tirava-o. Se ouvia a mota de meu pai voltava a pô-lo. Sem expectativa acerca do prosseguimento de estudos, nem percebia muito bem as razões de meu pai em dar-mo e forçar-me a usá-lo.
      Bom domingo, Dulce.

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  10. Vou ver se leio algo da escritora Dulce!...Pormenores muito interessantes na sua prosa! Eu... há muitos anos que não uso relógio (modernices)!!! Bom domingo!

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  11. Sou igual, Gracinha, há muitos anos que não uso relógio. A era digital tem destas coisas:).
    Bom domingo.

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  12. Só vou dizer duas coisas:
    O José Luís Peixoto foi para mim aquela paixão tonta que todos temos por algum escritor, apesar de uns anitos mais novo, disse-me alguém que ele tinha olhado para mim muito intensamente durante uma sessão literária, anos mais tarde veio à minha escola para um evento que criámos com os estudantes e lembro-me de sentir as pernas a tremer quando falava com eles...ah, ah, que tontice.
    Já essa Dulce - roubou-me o livro que eu ia escrever, precisamente "o Retorno", como perdoar-lhe?
    ~CC~

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    1. Já ouvi dizer que o José Luís Peixoto tinha muito bom gosto.

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    2. CC
      já me fez sorrir:). Não a imaginava a fazer olhinhos a um escritor. Na verdade não imagino ninguém a fazê-lo. Escritores penso-os como padres, estão fora do meu baralho. Não tive paixonetas por essa gente, descarto-os de antemão. Servem-me para as horas livres, dão-me prazer. Mas pelo que escrevem. Sou capaz de pedir um autógrafo aos que mais aprecio, mas não faço como os pássaros, não mudo de ramo:).
      O Retorno é um livro e tanto. Lembro-me da surpresa agradável que foi lê-lo. E assisti a Dulce Maria Cardoso contando como o escreveu.

      Joaquim

      que é isso de José Luís Peixoto ter muito bom gosto? Um elogio à CC ou...

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  13. Nunca li nada da Dulce Maria Cardoso. Já José Luís Peixoto li um livro e jurei para nunca mais :/

    Beijocas

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    1. Pois, não sei, Cláudia, os gostos diferem muito. Mas tenho um filho que não gostava de ler e a quem não consegui interessar com outros livros e gosta do Zé Luís e de João Tordo. Da Dulce não sei, acho que nunca experimentou.

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  14. Também gosto muito dos autores que referes. Gostei do Retorno, que foi o primeiro livro que li da Dulce e gosto especialmente das suas crónicas. Não compro a Visão mas vou ver se leio essa última sobre a condução. Quer-me parecer que talvez me encontre lá também.Bjs

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  15. Talvez, talvez:). A Dulce, na minha opinião, escreve muito bem, conta lindamente e as crónicas da visão entregues a Lobo Antunes, não perderam nada com ela. Deus lhe dê muita saúde porque, se assim for, ainda nos dará muitas alegrias, não é, prosa.

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