Sendo
do conhecimento geral que a cafeína mobiliza o que me sobra de ser actuante,
hoje podei os hibiscos e o chá príncipe. Se não fora temer que não ressuscitem,
diria que foi obra sensata. Entretanto, o gato saltitava a meu lado na alegre e
emudecida loucura dos felinos que têm a
dona na rua. Um deboche.
Arrumei
– finalmente – os edredons de penas que, sem resultado que se visse, ansiavam vez
para adormecer uns meses na altura dos roupeiros. O tem-te não caias do nosso
abraço insuflou-me fundadas suspeitas: no próximo inverno talvez não consiga equilibrar-nos
no banco alto da cozinha. Capaz de só lá ir com escadote. Adiante. Logo se vê.
Descansei
a ler uns posts com interesse e humor, escutei uma ou outra música, fui tecendo
comentários e vi o primeiro episódio de uma série que talvez não seja má. Mas
ignoro o que se passa com o senhor papa Francisco; e pronto, não estou
descansada sem notícias, o senhor tem um problema na anca (aquele coxear não é dos sapatos, não) e anda lá pelos
longes em terra de cafres, fazer o quê. As minhas desculpas, Bergoglio, não
volta a suceder.
Passei
por casa de meu pai e achei-lhe a voz fraca, a desmaiar. Mas continua a querer
renovar a carta, irritou-se com os meus mas, mas, mas. Talvez o médico tenha
juízo e não o ateste como apto. Faço figas.
E,
caso insólito, num consultório médico deram-me um ramo de flores excepcional e
tão bonito. Surpresa mais surpresa não pode haver.
Depois
disto, nada. Ganhei o dia. Quiçá a semana. Até o mês.
Olá, Bea
ResponderEliminarOs seus textos são como o cafezinho bom da manhã. Tão bom lê-los. São muito visuais e quase lhes imaginamos os sons. Obrigada e desculpe 'alguma coisinha' por falta de concentração da minha parte.
Também tenho um cobertor para arrumar, mas continua dobrado à espera da minha vontade de arrumações.
Como compreendo esses 'mas' do seu pai. O meu pai, já depois dos 90 anos e com glaucoma, queria conduzir. Custou-lhe imenso a aceitar que não o podia fazer.
Um dia muito bom e tranquilo, Bea. E se lhe oferecerem flores, bem melhor. Bem merece.
As flores, vindas assim sem notícia ou alarde, são alegria e bem querer que comove. E é verdade que já recebi vários bouquets vindo da mesma pessoa a quem conheço desde a adolescência e de quem aprendi a gostar meia materna, com um parentesco todo de coração que nos apega. A gente assiste ao casamento, aos filhos, às mortes, ouve os anseios e as queixas, recebe o carinho das visitas, tem o prazer de os sentar à sua mesa e vão-se fazendo família. Assim são os laços.
ResponderEliminarQuanto a meu pai, está nas mãos do médico. Mas ele já tem referências de outras escolas e está pronto a corrê-las todas. Minha irmã ligou-me agora assustada com a sua determinação. Meu pai nunca ouviu ninguém e continuará a não ouvir. É muito triste e impiedosa, a velhice. Assistir à própria perda de autonomia é um caso sério. Dá-me pena.
Não tenho nada a desculpar-lhe, Maria. Por vezes nestas coisas escritas podem existir mal entendidos.
Tenha um dia bom e solar. Por cá o vento frio desapetece. Talvez mais tarde, numa revessa de sol e se o curso do vento permita.
Um abraço.
Obrigada, Bea. Sim, a velhice não é nada fácil e deixa sempre algumas culpabilidades (a mim, deixa) por não se atingir a perfeição, sobretudo nas palavras, se é que tal era possível.
ResponderEliminarSobre os laços de que fala, esta semana fui ao dentista e havia uma bonita cesta de flores. O consultório fazia 25 anos e já ia ao mesmo dentista, para mim e para as minhas filhas, no consultório anterior. As funcionárias são as mesmas. Ao ler o seu texto, lembrei-me: quando lá for, vou levar um 'miminho' para cada um.
Outro abraço, Bea.
Bom, se a sua meta é a perfeição, Maria, aconselho-a a desistir, não fomos feitos para tal. E a perfeição nas palavras seria a mesmidade entre palavras(representação) e realidade (a coisa mesma), ou seja, um impossível.
EliminarQuanto à sua ideia sobre o consultório, capaz de ser surpresa agradável. Experimente.
E Bom dia.
O Papa está bem, não se apoquente, Bea, já está no Vaticano e até já recebeu o nosso PR.
ResponderEliminarMaleitas da idade que o senhor não vai para novo.
Há uns anos o meu pai teve um grave acidente de bicicleta e mesmo com 79 anos ainda gosta de pegar nela, por muito que lhe chame à razão, talvez o faça sentir jovem. Mas é uma carga de nervos.
Flores bem entregues, Bea
Bom fim-de-semana
Obrigada, Magui. Sim, constou-me que o senhor papa regressou à base. Haja Deus.
ResponderEliminarVelhos, os nossos pais são piores que as crianças, teimam em fazer o que já não lhes compete. Seja qual for o motivo por que o fazem, são, neste caso e similares, perigosos para eles e para os outros. Espero que minha mãe o guarde. Bastante trabalho lhe tem dado ao longo da vida.
Não sei se as flores foram bem entregues, mas o gesto tocou-me pelo inesperado, era um ramo muito bonito e veio de uma amizade genuína. Um aconchego.
Bom fim de semana também para si, Magui.
Não seja por isso. Continuo a postar só para a Bea.
ResponderEliminarA sério, Susana?!
ResponderEliminarPois se nem a conheço, como pode isso ser.
De toda a maneira, já me deixou aqui uma florinha.
Bom domingo.
Ainda não estou pronta para arrumar o edredon de penas, para mim ainda está frio, apesar do sol bom :P
ResponderEliminarAinda por cima durmo de janela aberta, havia de ser giro =P
Que engraçado, agora já não, mas o meu avô também foi um stress para ele não renovar a carta. Faz este ano 90 anos. Já nem vê, ouve, mal anda...
Beijocas
ResponderEliminarjulgo que seja muito parecido com todos os velhos que não desejam perder a sua já pouca autonomia.
Se nos colocarmos no lugar dos velhos...mais velhos do que nós, essa reacção torna-se compreensível, pois a mente raramente acompanha o corpo...
ResponderEliminarA mente é uma malandra!
🌼