Era
uma vez um almoço. E, como em todas as
histórias, havia nele uma princesa e
suas aias. Seguindo o curso dos contos e as leis dos homens, umas lhe seriam
mais próximas que outras, mas a todas queria bem. Algumas sabiam-lhe um ou
outro gosto, juntavam-se-lhe em amenos passeios nas áleas do jardim, gostavam
de a ouvir discorrer. Amavam o seu pensamento claro, os projectos, o enraizado amor
à vida. Mas, sobretudo, apreciavam a
forma discreta e sempre elegante de dizer sabendo ouvir, a atenção que lhe
merecia cada uma das companheiras. Que
as princesas de verdade treinam a escuta, faz-lhes parte da conversação.
Registe-se
que o quotidiano da nossa princesa e seu séquito de aias seguiu a norma, cedo lhes veio o consabido tempo da separação. O castelo ficou para trás, cada
uma escolheu ou foi escolhida por caminhos e trilhos que correu até ao fim ou
arrepiou. E, em diverso passo, todas verificaram que pouco o homem escolhe e só as preferências
do coração resistem à fugacidade. Quando resistem. Se. Ficou-lhes a memória. O
único elemento que permanece e não pode ser sonegado é o ter sido. Hoje, serão
outras de si mesmas. Mas jamais perdem quem foram. Os meandros do castelo que
agora lhes surgem envoltos em pobreza acanhada, já fizeram parte do seu mundo
de sonhos e pequenas raivas, animaram tropelias e amizades esfumadas e que, à
época, se julgavam eternas. Era ali que a princesa moderna pisava e fazia mundo,
sapatinho de salto e saia justa, impecáveis vestidos com gravata, esbelta miss em invejada meia de vidro. Se o
passado as visitava, as aias pensativas, por onde andará. E logo, oxalá seja feliz. Cada uma relembrando seu
episódio. Que a discreta princesa cuidava por suas aias. E em todas,
qual perfume que não dorme, morava o seu
jeitinho exemplar.
Foi
talvez desta base de gratidão e amizade respeitosa que a ideia brotou. Será
porque a princesa regressada. Ou por amarmos o imutável de cada um e nela vibrar intacto, pedra de toque com o passado. Terá acontecido por força de reencontro com aia mais atenta. Pois que seja. A
ela/elas devemos o almoço de era uma vez.
Soavam as treze quando se juntaram num misto de confiança e estranheza, cada uma em busca de rosto que
antes lhe foi próximo, desvendando detalhes que a idade mascara, certa forma de
olhar, o tom de voz, a linha do nariz ou da fronte, o riso. E a discreta princesa contente,
revendo-se nelas; tão jovens as de antes; e agora mulheres no outono da vida. Outras. De certeza, outras. Mas não
completamente.
(cont.)
Mas que surpresa Bea, por esta não estava à espera. E aqui fica o meu prognóstico (que depois do jogo acabar não tem graça) que ainda hei-de vê-la escrever poesia...
ResponderEliminarVamos agora ao conteúdo. Pois olhe que nesse castelo a vi, de aia ou de princesa não sei, tão certo como o cabelo da princesa, cheirar a cravo, rosa ou jasmim.
Pois lhe digo, Joaquim, que estava bem inspirado quando o comentário escreveu:).
EliminarBoa noite.
No Outono da vida... adensa_se o mistério 😉... Bj e o meu aplauso!
ResponderEliminarBoa noite, Gracinha. Foi mesmo um almoço sem mistério.
ResponderEliminarEstou curioso para seguir a refeição, a sobremesa, o café, o digestivo.
ResponderEliminarAh, ah, ah....é só esperar mais umas horas, Pedro. É hoje ou nunca:).
ResponderEliminarBom Dia.
Só tenho uma coisa a dizer... Uau!
ResponderEliminarE já vi que há ali mais desenvolvimento =D
Beijocas
Cláudia:)...tão queridinha.
ResponderEliminarObrigada.