Hoje,
excepcionalmente, fui às compras fora da terrinha. Maus hábitos, na verdade. Fui
ao abrir da loja e correram lindamente, duas meninas simpáticas inteirinhas
para mim e a desejarem um 2021 cheio de coisas boas, hipótese que, a falar
verdade, não consigo visualizar; mas pode ser da miopia, quem sabe piorou, que
isto do covid fecha-nos em casa e as doenças andam por dentro de nós à rédea
solta. Bom, quando saí toda contentinha havia filas para tudo que era sítio,
excepto a casa de banho que, é claro, fui conhecer. À saída, não me entendi com aquela manigância
do pedal em que se carrega para a porta abrir e não mexermos no manípulo.
Confesso, sou pouco expedita para tais mariquices e já custo bastante a
destrinçar o funcionamento das torneiras, quanto mais perceber de pedais que
abrem portas. Bom, ainda tentei mas, depois de andar com o pé por aqui e por
ali a fazer festas ao pedal, que é como quem diz, na perpendicular e enviesado,
socorreu-me uma senhora mais hábil e que afinal teve que puxar a porta manualmente
ou não chegávamos a sair. E eu a ufanar ao comprimento das filas intermináveis.
Portanto, bem disposta e de saída, resolvi que merecia uma meia de leite e um
scone. Zás, entrei no Portela e plantei-me na obediente fila para a caixa. Era
a quarta e última pessoa. Às tantas, o número dois desenfiou-se e foi
colocar-se a distância razoável; supus que seria acompanhante e fiz sinal à
pessoa na minha frente para avançar. O que eu fui fazer. O Homem passou-se e
vociferou sibilino, eu estou na fila. E eu logo, peço desculpa, pensei que
acompanhava a senhora que está a pagar. E ele quase, quase a engolir-nos (a mim
e à emudecida criatura na minha frente), acha que isto é um metro, acha que
isto é um metro…. Eu estúpida, a olhá-lo sem entender por que carga de água
chamava o metro à conversa. E deve ter sido uma cara mesmo muito palerma porque
acrescentou escarninho, não leu as recomendações, não me diga que não leu…e oh,
houve faísca dentro de mim…Pois, o covid. E demos as duas uns passos atrás. Moral da
história: o senhor pediu o café lá mesmo nos confins do balcão e, apesar da
sala estar vazia (eu, a senhora da frente e ele, a cliente número um já tinha
desaparecido do mapa) foi bebê-lo para o átrio, virado ao vazio e de costas
para toda a gente. Pois eu e a senhora sentámo-nos cada uma em sua mesa e ela
desejou-me um bom café. E quando saíu entregou-me um sorriso bonito e os votos
de feliz ano novo e boas entradas. Mas o senhor não me toques, no trazer da
chávena olhou-me como se esteja carregadinha de vírus e não saiba. O que até
pode ser possível, mas escusava de ser tão descarado.
Simpatizei com aquela senhora que, é quase certo, não tornarei a ver. Apetecia-me que fosse minha
vizinha. Ou isso.
Gosto de instantes eternos Bea, sem passado e mesmo que não tenham futuro.
ResponderEliminarComo disse bem o meu encontro, Joaquim. Usei eu tanta letra, enchi linhas e linhas, e o Joaquim chega aqui e zás, sintetiza numa frase a que ainda acrescenta um seu particular. Não há direito:).
ResponderEliminarSe bem que, deixe-me dizer-lhe, todos os nossos instantes são eternos. Não conseguimos repetir nenhum. Ficam-nos como estão, para a eternidade. Pronto, ok, há uns muito mais eternos que outros.
Já tinha saudades das suas histórias, bea, absolutamente bem escritas e às vezes até divertidas.
ResponderEliminarOlá Teresa:). As histórias estão sempre a acontecer-me, como a toda a gente. A diferença é eu passá-las a letra de forma. Mas quantas não haverá mais interessantes e divertidas, já pensou.
EliminarBom Ano Novo, Teresa. Que as coisas más sejam pequeninas e poucas e abundem as boas e notáveis.
Cito a minha tia Belmira que tem um "cancioneiro" inesgotável e muito rico - "Nunca estaremos livres de um coice de uma qualquer besta"
ResponderEliminarA sua tia é uma sábia senhora, Pedro. Os coices de quem desconhecemos não chegam a doer, a gente afasta-se e pronto.
EliminarHilário o meu amigo Pedro.
EliminarBea, um beijo.
Há pessoas um bocado parvas... mas só um bocado.
ResponderEliminarSe não poderia ter falado normalmente o Sr.? Enfim.
Desejo um 2021 bem melhor que 2020. Espero mesmo que sim.
Beijocas
Era um irritadiço. Ou tinha acabado de se zangar com alguém ou alguma coisa, Cláudia.
ResponderEliminarTambém espero que 2021 seja um ano melhor. Mas, como todos os anos, trará coisas melhores e piores. Veremos o que nos espera. E oxalá vejamos:).
Bom Ano Novo, Cláudia.
É verdade, bea, todos os anos trazem coisas boas e coisas más.
ResponderEliminarOlhe o Natal que este 2020, quase a acabar, trouxe para a Madeira, ou o sismo na Croácia que belo presente de fim de ano; penso no que aquelas pessoas estão a passar e recrimino-me por dar tanta importancia aos meus problemas, que todavia são muitos e sem resolução à vista, excepto uma.
E até o 2020 que nos trouxe a pandemia também nos trouxe a vacina.
Posto isto, ainda bem que a bea encontrou dois tipos de pessoas completamente diferentes; mau seria ter encontrado só o primeiro, penso eu ;-)
Bom Ano Novo para si e todos os seus.
🌲🐈
Ora Maria, eu não ligo a essa gente que desconheço e acorda do avesso. E é verdade que a senhora me sorriu e falou comigo só porque o indivíduo tanto se abespinhou. Foi mal que não chegou a ser mas trouxe bem.
EliminarTem razão, dói-me a alma só de ver aquela gente. E está tanto frio. Os meus problemas, à vista destes cataclismos perdem categoria e nem me parecem problemas, são coisas que acontecem ou não podem acontecer, e magoam por isso mesmo. Vida apenas.
Bom ano também para si, Maria.
O café e a senhora simpática compensaram a má disposição do senhor não me toques.
ResponderEliminarPara além do vírus anda o mundo carregado de pessoas imbecis.
Bom Ano Bea.
Um abraço
Compensaram, sim. Pode crer. Mas, pelo menos no caso da senhora, a simpatia surgiu à vista do desprazer do indivíduo. Foi consequência.
EliminarUm bom 2021, Magui. E que nos vamos encontrando por aqui.
Atualmente são aos magotes!!!
ResponderEliminar...
Um 2021 com muita história e vivência a partilhar, com ou sem humor, mas com a magia de quem trata por "tu" a arte de bem escrever! Ah!... e muita saúde 💖
Muito obrigada, Gracinha. Cá estaremos no próximo ano de 2021 e oxalá ele nos trate bem. Já não temos idade para ser destratadas:).
EliminarUm beijinho e boas entradas.
É tão fácil distribuir sorrisos e gentilezas.
ResponderEliminarBea, que 2021 lhe traga mais coisas boas que más, muitos sorrisos doces e aconchegantes, felicidade e saúde.
(Ao pateta emproado, não dou tempo de antena.)
Beijo, juntas pr'ó ano.
Claro que juntas pró ano, Teresa. Por aqui andaremos.
ResponderEliminarUm bom 2021. Com mais coisas boas que más, pois claro.
E depois ele vem e faz o que quer.
Um beijinho
As suas histórias são sempre tão giras, no acontecer e no escrever. Gosto!
ResponderEliminarDesejo-lhe um bom 2021, com muita saúde para a Bea e toda a sua família.
Beijinhos e até 2021!
Bom Dia, Isabel. Já em 2021:).
EliminarMuito obrigada pela companhia ao longo de 2020, o ano desgraçado para a maioria dos portugueses.
Um beijinho de boas vindas ao ano bebé. São mais 365 dias todos incógnitos. Que tragam alma soalheira
Olá, Bea! Como sempre, foi com deleite que li a sua narrativa. Sorri porque me revi. Não na Bea, mas no senhor mal disposto. Também eu encaro com fúria quem se atreve a aproximar-se demasiado. Eu, que no fundo sou uma alma pacífica, me transfiguro face a aproximações que considero excessivas. Sinal dos tempos! Vai passar, sabemos que sim.
ResponderEliminarContinue bem, Bea, disposta, divertida, observadora, talentosa e senhora dessa bonomia que encanta. Saúde. Força enquanto a vacina não nos chega.
Citando-a, afirmo que (nós também) poderíamos e gostaríamos de ser vizinhas muito chegadas.
Até 2021 que é já daqui a nada.
Beijinhos
Quem me dera ser sua vizinha, Nina:). Mas somo-lo apenas na net, estamos, uma da outra, ao alcance de um clic. E não há maior proximidade à distância, é um caminho todo manual, feito a pontas de dedos.
EliminarQue, neste ano, as suas plantas brotem cheias de força vital porque o entusiasmo no plantio e o amor à terra merecem paga. E haja surpresas boas à sua espera pelos caminhos dos 365 dias. E vá dando notícias para leitura e comentário cá deste lado da realidade.
E não se zangue em demasia com quem desrespeita o metro. Podem estar como nós duas - eu e a senhora - apenas friorentas e distraídas e, portanto 75cm em vez de um metro.
Que o dia de abertura seja do seu agrado. Beijinho.
Também simpatizo com pessoas assim, pena serem fugazes. Mal no precatamos está um cara de pau adiante. E se pudesse escolher as vizinhas, algumas seriam daqui!
ResponderEliminarQuando se fala no barco do Tempo, lembro-me sempre de Caronte, mas eu sou um "bocado" negativa. Como dizia há dias uma amiga, com um postal dos anos 30 de sua querida avó, desejo "Um Ano Ditoso" para ti/família/escritas. Abraço
Só no mundo virtual temos a vizinhança que escolhemos, não é bettips. A realidade é de escolhas bem mais limitadas.
EliminarMesmo, bettips, temo-nos vindo a esquecer do termo "ditoso". Ditoso é uma palavra embrulho, está cheia de coisas boas. Muito obrigada. Parece-me que jamais me desejaram tal coisa:), mas as minhas avós eram analfabetas e por certo nem saberiam o que significava.
Todos precisamos de um ano senão ditoso pelo menos melhor. Precisamos que a esperança frutifique, é isso que os portugueses e o mundo desejam. Mesmo que os frutos não tenham a doçura esperada e certo raquitismo os assole, que se cumpram. Já tivemos uma primavera adiada, o gelo veio e queimou o haver da flor. Pela segunda vez sinto que vivemos tempos históricos. Mas, se da primeira tudo eram novidades de alegria, a segunda foi e ainda é o inverso.
Nunca o porvir foi tão desejado.
Bom ano, minha vizinha.
Bea, quando eu sinto que a minha
ResponderEliminarpresença não faz diferença eu levanto
e digo: VOU BRINDÁ-LOS COM A MINHA
AUSÊNCIA.
Beijos, moça bonita. Bjs.
Refiro-me ao texto anterior.
EliminarBjs, Bea. Bjs.