terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Luzes de Natal

 

O serviço de correios já me trouxe a prendinha da minha amiga A, amiga de alto gabarito, um A+. Foi a primeira e está no meu quarto sobre a cómoda, entretida a emitir sugestivos desafios a que faço orelhas moucas. Diz ela a toda a largura do papel de embrulho, espreita só, não precisas abrir tudo. Sei que é um livro e de que autor, só não sei o título e faço questão de continuar a não saber para que haja algum suspense no desembrulhar. Mas é claro que a verdadeira surpresa está em lê-lo e é esse um dos motivos por que gosto de receber livros, são prendas com expoente, eu elevo-as ao quadrado. Isto apesar de não ter lido vários que comprei na Feira do Livro e alguns que recebi no aniversário. Se o maldito vírus passe de lado, vai ser um inverno erudito.

A tem gosto e modos delicados, voz profunda e canta muito bem. Faz parte de um grupo coral e, por vezes, vai buscar o livro das músicas e põe-se a desfolhá-lo trauteando uma aqui e outra ali, enquanto eu vou enfiando esses momentos no colar de recordações comuns. Há horas em que as boas recordações valem em dobro, acodem-nos. Gosto de sua casa por tudo, mas não aprecio o inverno na casa.  É uma moradia luminosa, arejada e, muito importante, tem bom ambiente. As flores gostam tanto do ar que ali se respira quanto eu. Crescem e encantam. Ofereço-lhe umas coisinhas minorcas e quando regresso estão irreconhecíveis, prosperaram no encanto do lugar e vivem ali a contento, sorrindo confiantes, braços abertos. Às vezes entra-me certa inveja da simplicidade floral. Flor não pensa e vive de luz, terra e água.

 

10 comentários:

  1. Teimam crescer na minha varanda indiferentes ao Inverno.

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  2. Provavelmente a sua casa é co o a da minha amiga, Pedro, tem bom ambiente. As flores notam tudo.

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  3. Boa tarde Bea, já que fala de livros, acabei de ler Laços do italiano Domenico Starnone, que os rumores dizem ser o marido de Elena Ferrante, cuja identidade é mantida em segredo. Inclusivamente, parece que esta obra é considerada como que uma continuação, ou o olhar por uma outra perspetiva de Os Dias do Abandono da escritora italiana.
    Ler Laços, foi semelhante à experiência de visitar a casa da infância de um idoso, sagaz e encantador, numa condução cuidadosa, descartando todos os elementos da pressa, fazendo uma longa pausa nas coisas aparentemente triviais, para logo nos encantar com as suas histórias do passado.
    Estamos perante um casamento falhado, um homem que abandona o lar, mulher e filhos, por uma pulsão amorosa. Mais do que encontrar culpados, o autor procura explicar motivos.
    O livro é narrado a três vozes, três perspetivas - a da mulher, a do marido e a da filha, porque quando um casamento fracassa, são os filhos que pagam o maior preço, o que é tão facilmente esquecido ou apenas dissimulado pelos adultos.
    Contudo, e contra todas as expectativas do leitor, passados quarenta anos, vamos encontrar o casal novamente unido. Desde quando? O que se terá passado para ter acontecido o retorno? Que laços não se terão rompido em definitivo? As amarras não se soltaram, porque às vezes, tudo o que queremos é aninhar-nos numa inércia que não nos redime nem nos destrói - apenas nos mantém à tona.
    Para terminar, dizer que foi um livro que me surpreendeu positivamente, a escrita é simples e terna e que se recomenda.

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    1. Vou anotar, Joaquim. Um dos livros que ofereço este ano é de Elena Ferrante, mas não o li. Aliás dos quatro ou cinco que ofereço li apenas um. A minha malta também não prefere as leituras.

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    2. Li todos e gosto da Elena, mas ela está sempre a escrever o mesmo livro...mas é divertido perceber como uma personagem aparece num outro livro, outra mas ainda assim a mesma.
      ~CC~

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    3. Dela li A amiga genial e gostei, é de leitura agradável e identificamo-nos facilmente. Espero que a leitora a quem o destino goste de A vida mentirosa dos adultos que comprei pelo titulo e nem sei do que trata.

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  4. Acho que este Natal também vou receber um livro. Mas já não ofereço livros há algum tempo, até porque a minha malta, infelizmente, não gosta de ler.

    Beijocas

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    1. pois é, se não gostam de ler, suponho que insistir não resulta, Cláudia.

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  5. Olá, Bea! Há quanto tempo - mea culpa, mea culpa!
    Vejo que está bem e já com presentes em contagem decrescente.
    Hoje também recebi um e, precipitada, abri-o. Veio de Bristol, um conjunto dee condimentos exóticos para a minha cozinha. Não quero saber de datas e hoje mesmo vou experimentar.O Natal é quando um homem quiser, ouvi dizer e portanto hoje é Natal. Um beijinho e que outros presentes continuem a chegar.

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  6. Olá Nina:), é sempre tempo para nos escrevermos. E nunca é tarde, vamos abolir culpas.
    Sim, já enviei os presentes que tinha de enviar e dos outros falta-me apenas um; os trabalhos de tricot também estão terminados; faltam-me ainda alguns cartões de boas festas, mas coisa pouca; e até a minha toalha do covid está no fim e a preparar-se para a mesa de Natal. Sou capaz de receber mais um presente via correio. E depois julgo que terei mais uns três em mão e serão livros decerto. Não é mau. Mas alegra-me mais dar que receber, talvez por hábito. Estou com pena das minhas velhinhas a quem não posso visitar nesta época. Dar-lhes algum mimo nem é apenas dever, é coisa que me ajuda a vida.
    E que os seus cozinhados fiquem uma maravilha com as novas especiarias.
    Pois claro que fazemos Natal quando queremos e até é bom que assim seja, sinal que fazemos alguém feliz.
    Sabe, é pena que nem sempre possamos fazer feliz quem gostamos.

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