quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

No princípio, qual era o verbo?!

 

        Desejámos uns aos outros um bom ano 2026. Mas começou soturno, colado a uma tristeza húmida e persistente que não arredou pé. O primeiro dia do ano embrulhou-se em escuridão e mais parecia noite. Na manhã, instalou-se o ar mortiço que se foi arrastando pelo dia, num sem vontade agastado, de quem cumpre a contragosto e nos faz o favor de aparecer só para ter nome e se chamar alguma coisa. Nem uma fresta de sol, uma brevidade clara vencendo nuvens de aço. E o sossego da rua não sabia ao sono que sobrevém à consumação de madrugadas a festejar entradas e saídas que afinal são de todos os dias, mas só uma vez por ano são festa; sabia a desalento entrançado em invernia. Do céu não caiu uma lágrima, mas a espessura doente do dia, puxava pelo desencanto.

        Dia com tanta hora! Mais horas que em qualquer domingo. Vale-nos haver livros nos intervalos do dia que foi noite.

11 comentários:

  1. A obrigação de estar feliz deixa-me sempre um bocadinho triste...isto para além da névoa e do frio que também não me são fáceis. Força Bea, o Inverno passa.

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    1. Não me sinto obrigada a estar feliz, até porque o presente não se me afigura de molde a. E impressionam-me sempre as imagens de multidões eufóricas. Mas penso que somos muitos e aqueles serão, possivelmente, essa minoria que se sente deveras feliz; ou que finge sê-lo, mas desconhecendo que finge, porque talvez não saiba em profundidade o que seja isso de "ser feliz"; outros serão ficticiamente felizes, a gente vê-os sempre de garrafa ou copo na mão - toda a gente me diz que o álcool nos faz mais felizes; quem sabe confundem atordoamento com felicidade, ou pararam naquele tal estádio de felicidade (sei reconhecer lindamente todos os estádios da bebedeira, da euforia ao estado comatoso).
      Hoje chove, mas o dia, por incrível que pareça, está mais claro. Ou será de ter bebido um moreno café com leite?!:)
      Bom Dia, CC

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  2. Hoje fui ver o mar, aliás o rio, pois na 4ª classe aprendi que a foz do Tejo é junto ao Forte de São Julião da Barra, e então lembrei-me que...
    Li algures que o seu corpo ou os braços (que também são corpo) lhe impedem de tirar proveito dos banhos de mar.
    Mas se o mar for mansinho há sempre a possibilidade de boiar de costas (gosto tanto que até tenho receio de adormecer) e entre outras coisas tirar um pouco de partido da actividade marítima. É das coisas que me custavam mais a perder e quando os vejo lembro-me disso...
    Nunca viu paraplégicos entrarem na água com aquelas camas-barco com rodas com ajuda de outra pessoa?
    A propósito, já terminou com a piscina?
    Bem, esperemos que eu não tenha percebido bem e que em 2026 tome muitos banhos de mar (mas não no 1 de janeiro!).

    Pois é, o dia de hoje foi mesmo chocho e com a minha indisposição nem me apeteceu ler. Fui até à marginal entre Caxias e Carcavelos de automóvel, levei a cadela da minha filha, mas a bicha também lhe custou sair do quentinho.
    Depois vi na TV uma missão impossível do Tom Cruise só para entreter...mas foi giro.
    E pronto, está o dia passado e o ano começado. Aceito que os meus comentários hoje foram embebidos em leite magro: são fraquinhos e pouco alimentam :)
    Até amanhã Bea.

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    1. De onde vivo não se vê rio ou mar. Rodeia-me um casario como tantos em Portugal: esteticamente desordenado, uma salganhada sem outra planificação que o gosto e a carteira dos moradores.
      É isso, os meus braços, por via de calcificações nos tendões - do ombro ou por aí - perderam a capacidade de movimento em várias posições. Mas é claro que vou uma vez por semana à natação livre para o movimento de pernas (estamos de férias até 5 de janeiro): posso mergulhar, nadar debaixo de água batendo os membros inferiores, e fazer o mesmo nadando costas. É alguma coisa. Mas só alguma coisa - que não tem a ver com as aulas de natação, os meus desafios pessoais e mais a companhia do meu grupo de há muito ano. A idade e seus apaniguados - mandam!
      Os meus banhos de mar nunca mais serão a mesma coisa; deixou de ser seguro nadar fora de pé. Claro que os paraplégicos estão muito pior. Mas não sou - felizmente - paraplégica.
      :)) Alguém me ofereceu "A ilustre Casa de Ramires" lida há tanto ano que nada recordo. Ontem fiz o que não costumo: leitura diurna - cheguei à metade do livro. pesquisei na rtp play mas os melhores filmes já tinha visto e dos outros que comecei, não lhes vi interesse. Ainda abri a netflix e vi Ricky Gervais, humorista que aprecio, em dois episódios que me pareceram novos por ali. Um dia em que não pus um pé fora da porta:)
      E já passou a indisposição? Oxalá.
      Bom Dia, Joaquim

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  3. Também sabe bem no aconchego do lar... acalma a mente e o silêncio do cansaço de tanta festividade aumenta o desejo do mesmo! Um excelente 2026 🫂

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    1. No natal o cansaço é directamente proporcional ao meu gosto, Gracinha.
      Bom fim de semana

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  4. Ficámos por casa o dia todo. Também pedia isso. O sol não apareceu. E esteve (está) frio e chuva.

    E reparei no mesmo, na rua deserta.
    Cláudia - eutambemtenhoumblog

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  5. Era um silêncio mais silêncio que o das manhãs de domingo:).
    Bom fim de semana, Cláudia

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  6. Eu sofro de prolixidade mas acho que aqui existe um belo preciosismo :) Que a temporada seja afável e propício por um lustro.

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