Cada um tem seus motivos para frequentar o novo e fértil meio das redes sociais e não sou a melhor pessoa para falar delas. Frequentar alguns blogues não basta para ajuizar: é meio em extinção e que não serve - ou serve pouco – os desejos de exposição que vieram do fundo de cada um, firmando um poder absoluto em grande parte das mentes. A crença semeada, num ápice desenvolve. Logo, a actividade blogueira não propicia saber sobre as novas montras onde cada um se expõe como deseja; e oiço que abundam exposições de pormenores individuais e de grupo tão comezinhos e desimportantes que enrugariam a testa de quem os vê, se por acaso pensasse sobre isso e não fosse a cusquice a mobilizar a pesquisa. O anonimato, como é sabido e já mais que provado, dá passagem ao fundo de lodo que a educação e o respeito controlavam. E as imagens substituíram as palavras. Caiu em desuso mostrar-se palavrosamente. Implantou-se o dito “uma imagem vale mais que mil palavras”. O que se perde em imaginário, em reflexão, em criatividade, desinteressa. A imagem é rápida e a escrita morosa. É o culto da superfície. E é isto um fenómeno mais global do que possa parecer.
Mas, como atrás dei a entender, só de blogues posso falar, são aquilo que frequento. Ignoro motivos da outra gente, mas admito saber pelo menos alguns dos que aqui me mantêm: o gosto pela escrita e o facto de haver interlocutor, alguém por detrás dela; a certeza de que sabem mais do mundo que eu e é informação sobre o que me rodeia e de que tanto me alheio; a possibilidade de saber de outros pensamentos sobre o mesmo tema; constitui companhia ténue e, tempo e experiência precisaram lugares, o meu e o dos outros bloguers em mim.
Não é tempo mal gasto, dá-me algum prazer. Já não desejo conhecer quem está do outro lado e tento ser menos confessional, a ninguém interessam os meus desgostos e desaires, e talvez perseverando nesse modo de ser eu me assemelhe a quem se mostra e evidencia em outras redes sociais. Aprendi que os bloguers constituem um mundo itinerante e passageiro, são barcos em viagem, tal como diz Sophia: “Através do teu coração passou um barco/Que não pára de seguir sem ti o seu caminho" (Navegações)
Por tudo isto e mais um ou outro pormenor, sou grata a quem está do outro lado e vou em frente. Sou também barco.
É verdade que pouco ofereço e por vezes sinto uma espécie de remorso, já que nunca saio daqui "de mãos a abanar". Mas hoje tenho isto:
https://www.youtube.com/watch?v=wjytpvW14Ic
A Bea tem muito a oferecer! Os seus olhares e sentires transformam-se em palavras que por sua vez dão voz às frases que nos transmitem emoções e víveres! Fico mais enriquecida neste seu navegar! Um xi 💜
ResponderEliminar... "viveres" ☺️🫢
EliminarOlá Gracinha:)
ResponderEliminarBom Dia!
Obrigada pelas suas palavras, mas é verdade que me sinto muito insuficiente e lamento não ter nem conhecer o que outros têm e conhecem. Poderia então oferecer mais. Mas cada um é só ele e não o desejo de si:)
A sua escrita, esse retrato interior que nos proporciona, em contramão com o culto da imagem de Facebooks e Instagrams, dá-nos com certeza uma imagem mais pura e nítida do que a sua foto polaroid.
ResponderEliminarSoromenho Marques sempre me transmitiu uma serenidade que começa logo pelo tom da sua voz. Não conheço voz tão educada.
Não é uma ideia propriamente peregrina, já a ouvi, poucas mas algumas vezes: seria muito melhor para o mundo se as nações fossem conduzidas, não por políticos, generais ou economistas e tecnocratas, mas por filósofos.
Obrigado Bea. Vou assistindo aos bocadinhos e portanto já me arranjou programa. Como está sendo a depressão por aí?
Uma coisa é o corpo e outra a mente. Necessitamos ambos. Mas aqui não mostramos o menos bom, o mau, as embirrações. Aqui somos todos poéticos, boas pessoas, de moral elevada. Os blogues são o fingimento do quase perfeito. Mesmo sendo naturais, naturalmente fazemos um bom retrato, que não é o nosso retrato.
EliminarPrefiro as ideias à voz do Zé Viriato. Sim, é óptimo conversador e tem um modo de aceitação do outro que acho genuíno.
Penso que o filósofo não seria o bom demiurgo. Aristóteles educou Alexandre, e não se pode dizer que tenha triunfado. E no entanto vejo o filósofo como professor; ou apenas estudioso dos males do mundo.
A depressão...digamos que houve muito barulho e, felizmente, poucos estragos. O vento zangou-se a sério:). E deu cabo da vida a muita gente. A natureza não é justa, é natureza.
Boa noite, Joaquim:)
Querida Bela, não frequento redes sociais, nãos seguindo, portanto nenhuma delas. Faz agora, em Fevereiro, 17 anos, o meu Começar de novo e não consigo imaginar os meus dias sem ele. Não tenho dia fixo para as publicações, faço-o quando me apetece e procuro sempre temas que me dizem algo, que me preocupam; nem sempre são escritos por mim; a maioria é de outros autores. Apesar de não conhecer pessoalmente os meus seguidores, tenho feito grandes Amizades; trocamos mensagens e até telefono a algumas. Conseguimos conhecer as pessoas pelas palavras e também pelos assuntos que tratam nos seus escritos, pois neles se vê o género de pessoas que são.
ResponderEliminarClaro que a Bea tem muito a oferecer e, por isso venho aqui todos os dias. Não é preciso que ponha a sua vida a descoberto para sabermos o tipo de pessoa que é, uma pessoa atenta que olha à sua volta, que puxa conversa, tentando, assim ajudar. Ainda há pouco li a sua atenção àquela mãe que, apesar do frio e das pessoas à volta tirou a mama e acalmou o seu filhinho, aconchegado-o. E tantos outros factos poderia aqui enumerar,
É facto que muitos deixaram os blogues e foram para as ditas redes sociais e nunca entendi essa troca; acho estranho, mas cada um sabe de si, a mim interessa-me esta troca de idéias, de experiências, de ideias sobre livros, filmes, palestras, etc, etc, tudo isto encontrado em blogues que sigo. Por isso, querida Amiga, aguentemo-nos por aqui, enquanto a vida nos permitir, pois há um enriquecimento pessoal nesta troca de palavras. Gosto muito de ler e adoro ir ao cinema; filmes, em casa, não me atraem tanto,
Obrigada pelo tanto que me dá com as suas publicações e., por favor, não fuja daqui
Um beijinho e saúde!
Emília 🌻 🌻
Emília
Eliminara vida habituou-me cedo a prescindir. Este blogue é um hobby, dá-me algum prazer, mas não pertence ao fundamental de mim, sem ele continuo a ser eu e encontro outra estratégia. Quiçá nova ocupação:). Já pensei muita vez que qualquer dia deixamos de ter acesso à net por isto ou aquilo. Mas, enquanto for possível, este é o meu lugar de escrita. Sem compromisso.
Boa noite e obrigada pelo dito. Volte sempre.
Bea, ora essa, tem imenso para oferecer. É com cada texto que uma pessoa sai daqui sempre mais rica :)
ResponderEliminarCláudia - eutambemtenhoumblog
Obrigada, Cláudia. Mas há tanta gente que escreve bem e muito melhor que eu. E não o digo por inveja, a escrita é coisa muito pessoal para querermos ser A, B ou C.
EliminarAlguém que queira conhecer pessoas, não faz um blogue acho. Contudo, conheci algumas ao longo destes anos e em nada me arrependo disso. E outras ficaram do outro lado do écran mas fizeram-me óptima companhia. O blogue para mim é simplesmente o prazer da escrita, a vida não me deixa oportunidade de a praticar de outro modo.E como dizem os que são honestos:ninguém escreve para a gaveta. Dito isto: é um gosto vir aqui...e aceito que não queira partilhar uma bifana em Vendas Novas 😂.
ResponderEliminarNa mouche! Ficam do outro lado do écran:).
ResponderEliminarVergílio Ferreira afirmava, "quem trabalha para a gaveta espera sempre que lha abram mesmo que a feche à chave".
Boa noite, CC.
Um espaço de convívio, de aprendizagem.
ResponderEliminarJá por cá ando há uns bons anos e gosto imenso.
Há coisas e pessoas que prefiro mais e com mais força; mas se não fosse do meu gosto teria abandonado.
ResponderEliminarBom dia, Pedro
Aprecio as suas crónicas. Já acrescentei o endereço do seu blog na minha lista (ao lado direito do meu blog). Virei aqui em visita.
ResponderEliminarUm abraço.
Que simpatia, nuvens!
EliminarEsteja à vontade, como se em sua janela; qd e se apeteça mudar a rota, obedeça ao apetite.
E que o fim de semana lhe sorria e não cause estragos que o país já tem demais. E depois não podia andar por aqui à bolina.
Bom fim de semana
Cá por mim, o blog (os) e as fotos complementam as minhas passagens pela vida. Há tanto tempo, e muitos ficaram pelo caminho mas isso, percebi, é como as pessoas que fomos encontrando no nosso caminho. Não sigo as outras divindades da moda e nem uso tlm... Mas tenho uma memória fotográfica em certas coisas: pois sei que a encontrei no "Dias com árvores" há que anos. Ora uma pessoa que gosta da natureza, arte, livros, enfim, tem muito das minhas intenções na vida. Aprendo sempre. Abç Bettips
ResponderEliminarAprendemos a vida inteira, não é Bettips? E isso dá-nos algum alento. Mesmo que seja um nada, aprendemos. Custo a engolir é que se aprenda comigo nestes posts.
ResponderEliminarSim, lembro-me do "Dias com árvores", era de alguém do Porto, suponho, não fixei o nome. Penso que inda exista. Foi lá que aprendi "flores silvestres" e não "flores selvagens. Mas continuo a ter a ideia de flores selvagens, todas retorcidas de caule, a desbordarem das ervas que se agigantam e elas de corola no ar, cheias de genica; gosto de imaginar-lhes a força que não têm, fariam ramalhetes tão ou mais expressivos que os girassóis de Van Gogh. As graciosas flores silvestres serão em mim sempre selvagens:).
Boa noite, Bettips
Por trás de tudo está sempre a necessidade de comunicar, mesmo que estejamos sempre na esfera virtual.
ResponderEliminarOu será que quererão criar uma outra forma de maleita humana, isto é, não poder comunicar direta e pessoalmente, ficarmos perante um autismo digital.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Não consigo entender a razão da resposta que lhe dei não estar aqui, Juvenal. Mistérios da blogosfera.
ResponderEliminarSim, penso que na origem está a necessidade de comunicar. Não a resolve, mas mitiga.
As pessoas que por aqui andam não comunicam directa e pessoalmente porque não o desejam. Pode chamar-lhe o que quiser. Mas, se alguma coisa aprendi nos poucos contactos pessoais que me aconteceram com bloguers, é que não valem a pena. O Juvenal chama-lhe o que quiser, autismo digital é bom nome "artístico".
Um abraço e boa semana