Vi-o
entrar com a criança ao colo. Sem
carrinho ou suporte. Oh, rara atracção
dos olhos. Sustinha-a junto ao coração, sentada sobre o braço esquerdo e
amparava-lhe as costas com o direito. Teria menos de dois anos, talvez uns
vinte meses de t-shirt e bonequitos azuis
no calção curtinho em chumaço de fralda, mãozinhas rechonchudas a descansarem
nas espáduas do pai. O homem sentou-se e colocou o bebé no banco em frente e
logo a urgência de um bracinho estendido o levou de novo ao colo, peito com
peito. E vislumbrei a energia da chupeta, olhos e cabelo castanho em anéis
largos. Não teria mais de ano e meio, o corpinho de pato unido ao do pai, chupeta abaixo e acima, os
dedos de uma mãozinha papuda a festejar o pescoço do homem, jeito de confiança prazeirosa
que toda se embebia na mornidão da pele, enquanto a outra fazia e desfazia um
caracol num vaivém de enrola-desenrola, sinal de bebé que quer dormir. O metro
parava, prosseguia e voltava a parar. Julguei que adormecia. Mas eis senão quando se endireita, tira a chupeta
e desata a beijar o pai. Beijava-o sem solicitação e onde lhe chegava a boca,
no bocadinho de peito que lhe espreitava da camisa, no queixo barbado, na lateral do maxilar inferior. Ele não riu, não a apertou mais. Ele, só uma centelha que lhe saía do olhar e fazia verdade o verso do poeta, “ e a vida pára também a ver”.
Que bonita cena descreves, Bea !
ResponderEliminarBeijo amigo.
Um momento que só uma sensível alma é capaz de o descrever tão bem!!!bj
ResponderEliminarBÉA,
ResponderEliminarQUE TEXTO, UFA!!!
PARABÉNS.
BEIJO.
ABRAÇÃO CARIOCA.
Obrigada aos três:)
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