Sobre
Virgínia Woolf, do século XIX ao XXI, muito se escreveu. Mas uma coisa é conceberes, outra, admirares
a concepção alheia. Nenhuma das vertentes aliena a outra. Resta-te pensar, pacatamente e
sem melodrama, o que por ti não foi ainda pensado.
Segundo
parece, mister Woolf rearranjou os cadernos da mulher sobretudo para evidenciar
o que nela mais batia, a escrita. Mostrar a arquitectura das obras desde a
ideia inicial, desvelando a forma como se desenvolvia o processo criativo. É
claro que é nítida a insegurança da escritora enquanto espera as críticas e as
vendas. Por mais que arme em fleumática, essas duas a três primeiras semanas
são de sufoco só amenizado pelo feedback favorável de amigos. Também é certo
que o términus de qualquer livro é um sofrimento, muitas vezes já com outro
livro na cabeça. Como se nota o prazer – de que ela mesma dá conta - em se
esvair na escrita. Escrever consome-a, gasta-lhe a mente, suga-a. Mas é supremo
gosto, realização. Porque foi uma vida dedicada às palavras, “os livros são os
meus filhos”. Portanto, a fazer o que gostava e sabia. Dentro do métier.
Virgínia é vontade indomável para
fazer diferente e melhor em cada obra. Como escritora, não quer continuar ou manter o estilo.
Cada livro é um começo, uma experiência
original. Não equilibra inseguranças, atira-se a escrever no seu estilo próprio
e em concepções formais cada vez mais arrojadas. Nada a detém, quer na procura de novas formas, quer nos temas, quer
na depuração dos escritos. De uma obra a outra, diversifica-se e, na mesma
proporção, trabalha a qualidade de texto. Emenda, emenda, emenda. Reescreve até
restar apenas o que queria dizer e como. São vulgares as notas sobre o número
de páginas que escreveu e quantas supõe reduzir até à versão final. E não
esqueçamos que era trabalho manual, só no final batido à máquina.
Portanto,
se me dizem, ah, era muito insegura, aponto o arame - a escrita. E nunca a ele
se furtou, antes viveu a tentar novas e arriscadas piruetas. Sofria quebras e
dúvidas, estados de lastimosa inutilidade,
períodos refractários e breves em que descria do valor pessoal. Mas havia o L.
a ordenar-lhe a vida natural, a passear com ela, a propiciar passeios e viagens,
a ler e opinar sobre os manuscritos, a acompanhá-la nos sonhos: da editora, de
casas e jardins e automóveis. O L. cuja ausência deixava Virgínia em solidão
escura. Oh, sim, apoiava-se nele. Não se encostava.
Não conheço a obra mas gosto da sua informação! Bj
ResponderEliminarÉ boa de ler para quem gosta de escrita diarística.
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