sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Dias Desistentes


Por vezes, troco a ordem aos dias e vivo a sexta-feira um dia antes. Ou a meio da semana. Isto, é claro, nos dias em que pretendo que a  sexta-feira real seja outra coisa, um dia sem nome que retiro do calendário e faço meu. Meu, também não é bem assim que levo horas a desligar-me da semana normal. Ele é o gato, a roupa, as flores, as folhas que caem sem pedir licença, as compras de ninharias que fazem sempre mais falta do que o tamanho que têm. Tudo isto, acrescido dos inúmeros itens que procuro e não encontro e aposto que ganharam asas, que para onde é que foram. Enfim, uma data de amarras que me consomem meio dia de prazer. Portanto, deslargar-me leva o seu tempo. Adiante. E posto que ontem vivi a sexta-feira e hoje era para ser o tal dia que capturo ao calendário, estou para aqui sem saber às quantas ando. É sexta, mas não é sexta - bem me lembro que a vivi ontem de fio a pavio. Também não é um dia meu porque, enfim, não pôde ser. Portanto assim a modos que não existe mas aqui está cheio de horas. E bem podia seguir a sugestão do poeta Gomes Ferreira, quando o dia batia à porta a empregada abria e, olhe hoje ela está morta; por favor, volte amanhã.

7 comentários:

  1. Bea, este texto parece escrito para mim, pois perdi-me na quinta-feira pensando ser sexta-feira e postei no Rol na quinta-feira o que devia postar na sexta-feira.
    Desculpa a confusão mas por vezes também eu não sei a quantas ando.
    Vivi duas sextas-feiras numa só semana; mas não vivi uma quinta-feira... Pelos vistos deixei de saber em que dia vivo.
    Vou ler Gomes Ferreira.
    Beijo e bom fim-de-semana.

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    1. :). As minhas trocas são propositadas: faço da quinta uma sexta com o objectivo de fazer da sexta uma quinta (as sextas são mais ou menos detestáveis). Mas então, o acaso - divino ou não -, o mesmo acaso que tornou possível a falsa sexta, impossibilita a falsa quinta. E. Ora bolas:).
      Já passou. Hoje é domingo. Mesmo.
      Obrigada pela visita. Solidária com a troca de dias:).

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  2. Olá Bea

    Escrevi um comentário e depois deu-me uma súbita vontade de ir ler posts seus mais antigos. Com a manobra não sei se lhe enviei o comentário que tinha escrito ou se me pus a navegar sem o ter enviado. Se o que aparecer for este, depois logo venho aqui reescrever o que tinha escrito.

    Abraço

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    1. Viva! Ora UJM, é um prazer tê-la por esta sua casa:). A senhora que tão pouco sai dos seus reais aposentos.

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  3. Pronto. Já vi que não enviei. Tinha dito que, em boa hora, a Luísa a tinha revelado e que foi com alegria, como uma boa surpresa, que descobri que afinal sempre tem um blog. Sempre tinha achado que sim pois o gosto por escrever é muito notório em si.

    Gostei também do nome que deu ao blog, um nome muito terreno e, em simultâneo, benéfico.

    Como disse no comentário acima, tenho andado a cirandar pelo 'Erva-Príncipe' e, claro, gosto.

    Deixo aqui o meu agradecimento pela sua companhia e palavras sempre espontâneas e directas. Muitas vezes deixa-me a rir, outras tantas a pensar. Obrigada por tudo, Bea. E felicidades!

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    1. Bom, lendo-a até parece que chegou para se despedir. Assim, a desejar felicidades como quem parte para longa viagem. Não é que não precise a gente -sempre - de umas felicidades pequenas. Mas não agradeça tudo de uma vez. Vá agradecendo. Os gerúndios ficam bem a todos os gratos e melhor os saboreia quem recebe. Não é mesmo?
      Um bom domingo para si. In heaven ou onde for.

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    2. Felicidades para o blog, para a actividade de escrever um blog, para que tenha sempre vontade de ir escrevendo, para que não lhe falte o ânimo de ir em frente. Sabe que, ao fim de algum tempo, especialmente quando se recebem comentários desagradáveis, uma pessoa vacila e vem de dentro uma certa vontade de estar nisto. Era nesse sentido, para nunca desanimar. Vê-se que gosta de ler e escrever e é bom que a gente consiga ter sempre motivação para ir em frente com a nossa vontade.

      E claro que, da minha parte, não é uma despedida.

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