sábado, 31 de dezembro de 2022

Viva 2023!

 

O final de ano é-me  tempo de gratidão. Não sei porquê, mas repasso o que e quem me foi importante em 2022; tarefas de que retirei algum prazer; surpresas que surgiram e gostei. E não apetece à pena debruçar-se sobre gestos infelizes, malvadezas pequenas, agasturas que corroeram o quotidiano e verei repetidas até ao fim dos meus dias. Coisas.

Portanto, e pela ordem enunciada, verifico que o mais prazeroso foram as poucas viagens realizadas - o meu luxo. Transigi bastante, tomei balanço e viajei; quem não tem cão, caça com gato. Foi assim. E quanto valeu a pena! Não existe palavra para o êxtase que nos possui na contemplação da beleza. Apreciar o belo é parte da água que me mantém viva. Ajoelho perante Deus que assim me dispôs espírito e olhar,  e emprestou coragem para sobrevoar a mágoa e usufruir do que me alimenta.  Bendito seja Deus (e eu).

Em 2022, ninguém me mereceu importância particular: as amizades mantêm-se dentro do que a distância e a vida de cada um impõem; e as (poucas) novas caras deslizaram, são pó. Das tarefas, saliento a leitura, forma de evasão e descanso mais utilizada. Que boas surpresas terei tido?! Decerto uma ou outra sem memória. Bom, talvez um vídeo com uma entrevista a Joan Didion que me comoveu e levou ao  livro “O ano do pensamento mágico”; ou, no Aljube, a conversa emocionada e entusiasta entre Francisco Fanhais e garotos de duas ou três escolas. Francisco Fanhais é um Homem. Tenho absoluta certeza que aqueles garotos saíram com outra ideia do que foi o 25 de Abril; cientes do espírito dos cantores de intervenção e da sua acuidade na história da revolução; com ideia cimentada do que seja uma profunda amizade; contentes do testemunho; a conhecerem melhor Fanhais e, por decorrência, José Afonso. Para Fanhais e Didion, ambos exemplares, a minha eterna e efémera gratidão.

E, por último, sou grata aos bloguers. Aos que, desinteressadamente, publicam o que vou lendo e seguindo passo a passo. Remetem-me para as questões diárias que não acompanho nos media por ser anti notícia; oferecem-me (a mim  e a todo o colectivo) pequenas pérolas que, digitalmente falando, descomprimem brevemente. Acompanham-me; não sendo, propriamente, companhia. Porque também me comentam. São o mal e o bem da modernidade. Não me retiram tempo devido ao presencial, prefiro a presença a tudo que seja escrito, o olhar a qualquer sinal gráfico, o calor de um sorriso a todas as imagens, por mais belas. Sou pelo desencanto real na vez do encanto digital. Mas a vida é o que é. E hoje também é o mundo digital a que me liguei há muito ano, a mente prenhe de ideias falsas mas bem intencionadas. Por esse laço digital, bem hajam. E que o novo ano nos encontre nas janelas uns dos outros e nas próprias. Contando. Sempre contando. Um abraço virtual (sei lá eu o que isso é) e, mau grado as nuvens que o ensombram, o meu desejo sincero para 2023: que traga alguma coisa de bom e memorável. Com a saúde possível, amor ao presente e incólume capacidade de projectar.

Sempre vossa

Bea

 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

O Aroma deste Natal

 

É cada vez mais difícil chegar ao Natal em roda livre, despida de peias que obscurecem a quadra. Consegui. E, de tão atrasada, pouco recordo do torvelinho. Tão breve a magia e fugaz a união. Tão pouco presentes os meus mortos. Para onde fariam caminho em data que nos reúne; o que, prestes, os levou de mim?! Ou, como em tanta hora, deito aos outros responsabilidades minhas. Pois. Sei que chegaram e, sem delongas, partiram. Senti nos olhos de minha mãe certa pena, talvez mesmo compaixão por mim que sou feliz, tenho casa e companhia, filhos próximos a rodear-me. Tudo indica que, à parte a imprevisibilidade de cataclismos - mundiais ou do país -, sou a mais favorecida das três. Tudo indica.

Mas não se pense que, por este dislate, desgostei do festejo. É sempre uma noite mágica. Mesmo se os meus benditos não acompanham até ao fim. A magia emerge da reunião, é fragância que se aspira e se faz nós. Fora dela, tudo amorfa e desvale. Bendito seja este entrever de céu, abençoada nesga de azul na atmosfera de cinza. A festa de nascer um bebé-Deus dilui todo o amargo destino que o espera. Assim somos nós, aqueles que fazem a história e ela esquece. Bendigamos o hoje em que existimos e nos é benesse.

sábado, 24 de dezembro de 2022

Menino Jesus

 

Desculpa não te ter atendido no tempo certo. Talvez pelo facto de não ter pelo termo advento um gosto particular. Mesmo no tempo de sentido nenhum, quando era apenas palavra de acrescento vocabular, encontrava-a bafienta, tristonha, chocha. Falta-lhe uma álacre vogal, um ditongo delator que nos entristeça ou arrebite. O som sabe-me a mofo e fechamento de carranca. Pode significar espera, ânsia de tempo novo que virá. O que entenderes. Mas não altera o sentir.

Chegou-me – finalmente – o espírito. Terá vindo de Madrid com o Turrón. Ou de Lisboa com o saco de roupa suja. Ou passou à minha porta e entrou. Não interessa o como, mas que esteja. Bem sabes que tenho andado na azáfama de doces e sopas e o mais para entregar. A propósito, e por favor, dá olhada em minha tia. A pobre não provou as maçãs assadas nem o arroz doce. Então é coisa que se faça, Menino Jesus?! A visita marcada não te tolheu os desígnios. Ok, bem sei que não mando nada – nunca mando nada, que coisa - Está a pobre longe e meio morta, coração descompensado em data tão de família. Cá ou lá é o mesmo, não a deixes sofrer em demasia, deixa-a ter a visita do filho por uns minutos. É o meu pedido mais instante. Para mim, nada. Está visto que devo ser uma pessoa feliz, ocupas-te sempre com outras coisas; portanto, desobrigo-te da minha pessoa. Vira-te por exemplo para a Ucrânia (só para te dar um nome, ainda assim não te iludas e nos julgues no paraíso. Toma atenção: o facto deste ser o melhor dos mundos não é sinónimo de um mundo melhor). Se puderes, entre a mudança de fraldas, faz qualquer coisa pela dignidade humana que é tão afrontada. Diariamente, há gente que morre por ela e gente que, até sem sem o saber, morre por falta dela. Dizes o quê, vê se te explicas, é melhor tirares a chucha que assim não te percebo. Ah, pronto. A dignidade é problema nosso?! Mau Maria (desculpa lá, Mãe de Deus), é que Tu és só um, pode ser que eu te convença; bem sabes que não chego para a humanidade inteira, parece-me mais tarefa divina. Continuo a pensar que devias tocar o coração de alguns, mas pronto, se não podes, não podes.

Bom, isto de falar com um recém nascido (é que ainda nem nasceste) por via digital envolve umas paletes de crença. Resmas.

Bem gostaria de fazer o caminho dos pastores, campos fora. Mas de comboio, dou-me mal com caminhadas e Belém é uma lonjura. Acho eu que não te levava presentes, um Deus que mora no astro –como frisava minha avó espingardeira - de que precisa.  Mas ia beijar-te o pezito e a bochecha. Com olhos de amor sentido.

E posto isto, fica bem. Que hoje sou de muito afazer - com tanto doce para fora, os próprios ficaram para trás. E já tenho convivas a almoçar. O arroz doce saiu bem e já só está em metade, julgo que não chegue à consoada. Mas que é que isso interessa. Desejo que a vaca e o burro estejam de feição que os animais são como o vento, se embirram de não respirar para o teu lado ainda te constipas. Dá os meus parabéns a tua Santa Mãe e aos dois pais e diz-lhes – embora os três saibam, não é de mais repetir – que têm muita sorte, calhou-lhes um filho que faz anos eternamente, já vai em dois mil e tal festas de aniversário. É obra. E coisa mais divina não existe.

Um beijinho doce

Desta que se assina

Bea

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

A Sissi de Corsage

 

         E, de repente, Corsage. Sissi de novo. Transitou-me, directa, da adolescência para a velhice. É certo que a inolvidável  e juvenil irradiação de Romy em versão conto de fadas, me acompanhou em fundo de hábito, o mesmo é dizer, não pensava nela mas estava lá, inteirinha, num canto da memória.

A primeira coisa que me intrigou em Corsage foi o título. O meu francês não alcançava o termo e a tradução inquietou-me: corpete. Jamais eu pensaria que um filme sobre figura tão conhecida desse pelo nome de roupa íntima. E, no entanto, é adequadíssimo. Serve-lhe como luva em mão.

Depois de consulta à minha extensa lista social, mudanças daqui e dali, consegui tempo para o filme. É sabido que não gosto de ler críticas, súmulas e o mais. O meu preferível é ir em branco. E foi nessa ausência de cor que ele se ergueu, oferecendo várias surpresas, entre as quais ressalvo a canção que acompanha Sissi e – terá sido intuito da realizadora -  a define. Que a trama aborda apenas o período mais conturbado da sua vida, o último. E o que mais vi nele foi a inadequação entre uma mulher e a vida que lhe coube viver, juntando-lhe as fugas possíveis. Com todas as decorrências. “Corpete” faz sentido: literal era a sua obsessão pela magreza, as tentativas que fazia para conservar a figura esbelta da juventude, a constância da fita métrica e a tortura do espartilho; e não eram quaisquer mãos a conseguir cingi-lo à medida dos desejos de sua alteza real. Em sentido figurado, o corpete simbolizava a sua vida aprisionada dentro de funções que abominava. Como seria Sissi, se não tivesse encontrado seu primo Francisco José?! Não sabemos. Tenho para mim – mera suposição – que os danos seriam menores. Contudo, ressalvo, há uma propensão de carácter que se manifesta à revelia da circunstância. E creio que a Sissi que existiu a possuía (ou era possuída por ela).

Corsage é um filme sombrio com raios de beleza. É sempre triste assistir a uma vida a debater-se, entrar nos bastidores pode tirar todo o glamour à personagem. Creio que terá sido esse o propósito da realizadora, queria que víssemos o dramático estrebuchar da mulher que deu vida à imperatriz.

Tragam-me a Romy, se faz favor.

domingo, 18 de dezembro de 2022

Sissi

 

Depois da inolvidável Sissi que Romy popularizou e gravou em mim, li outros romances e outras sínteses de filmes, na colecção que sabemos. Lembro-me de “A condessa descalça” e “O homem do braço de ouro”, mas foram muitos mais. Nenhum destronou a história de Sissi. Nesse tempo, já as galinhas tinham desertado do casinhoto e as restrições de minha avó empalideciam. Os livros seguiam a caminho de minha casa e a exigência era  ser minha mãe a escolhê-los. E assim acontecia, oficialmente; no particular, eu sugeria. Portanto, passei a ansiar as visitas de minha mãe a meus avós, facto que ocorria de quando em quando e, mal ela chegava, havia uma busca ao saco e um abraço apertado mais uma série de beijos a honrar os quatro ou cinco livros de que me apossava.

Porém, e contra todas as minhas expectativas, foi meu tio preferido o primeiro a desfear a imagem dos imperadores de conto de fadas. As suas opiniões caíam-me como lei, esse tio era a minha fonte de água pura. Julgava-o o mais inteligente dos homens, o mais paciente e alegre, o mais optimista. E tinha absoluta certeza, gostava de mim. Era-me indizivelmente grato todo o carinho que me demonstrava - fui a primeira sobrinha e minha mãe era a sua irmã preferida -. No mundo áspero dos homens, a sua ternura e desvelo enchiam-me o coração e faziam-me devota daquele amor que retribuía a mãos cheias. Mas, certo dia em que louvava o império austro-húngaro  e mais Sissi e Francisco José, meu tio atirou quase desdenhoso, olha que a história que tu leste não é igual à história que eles viveram. E, no meu pasmo essencial, deixou cair nódoa a alastrar: a imperatriz morreu assassinada e vivia a passear e separada do marido; havia muita gente que não gostava dela. Pensei que brincava. Mas negou, chegou mesmo a dizer-me que lhe tinha lido a biografia (explicou o que era uma biografia) e que o filme lhe fugia por muito lado.  Fiquei sem palavra. A mulher a sério não me interessava. Queria de volta a Sissi de Romy que meu tio partira e jazia sem conserto. Perguntei e perguntei. Mas o que ele contou desfez ainda mais a imagem. Não é fácil crescer.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Sissi

 

Fui ver Corsage. Por gosto à Sissi que Romy Scheneider ajudou a vender com tanto êxito.  Não vi qualquer dos filmes em que interpretava a mui original imperatriz, mas tenho pena. Acontece que, aos 8 anos, lia tudo que aparecesse sob os meus olhos (sob e sobre). Ora, Sissi, uma garota de sonho, explodiu-me nos livros da Colecção Cinema que minha tia caçula adquiria munida de espírito missionário. Depois de lê-los, abandonava-os em qualquer lado e não voltavam a interessá-la. Leitura acabada, a missão evaporava. Minha avó, na sua prática de analfabeta despachada, atirava-os para o carrinho onde passeara meu primo em bebé e que estava sem uso junto à capoeira das galinhas. Não era bem a capoeira, a carripana morria devagar na casota onde as aves dormiam, chocavam e meditavam. As galinhas são assim, têm horas de silêncio: empoleiram e ficam por lá pensando, olhos vagos. Será por terem tão pouca massa cinzenta que os pensamentos não repercutem na acção. Ou estarão apenas dormindo de olho aberto.

Portanto, minha gente, se queria ler, tinha de me sujeitar ao mundo. A primeira coisa que o mundo me exigia era a espera. A longa espera de ver minha avó azafamada com o panelão do almoço e mais o lume de chão que o alimentava. Nessas horas benditas, esgueirava-me sem esforço até ao que eu chamava a capoeira das galinhas e tentava destapar o depósito de livros. Minha avó teria certo pejo em deixá-los ao apetite dos galináceos e cobria a parte aberta do carro - nesse tempo, já descapotável retinto - com uma tábua que a inabilidade dos meus braços ajuizava ser de chumbo. O ex-carro de bebé era um artefacto rectangular, em tudo semelhante a uma banheira com rodas, excepto na pega onde me lembro de pôr as mãos para empurrar a cria de goela aberta, eu circundando a casa na esperança de emudecê-la. A segunda dificuldade era pôr à vista o tesouro. Talvez os livros nem fossem muitos, mas, mal conseguia arredar a tábua um nadinha e pôr-lhes a mão em anzol, parecia-me entrar num mundo imenso que lamentava não poder abraçar de mente limpa. Porque raras vezes tive ensejo de ver o tesouro na totalidade, a minha imaginação nadava no exagero e, para mim, eram volumes incontáveis. A terceira dificuldade, o cheiro a cocó de galinha, nauseava-me e suponho que seja móbil da pituitária esquisitinha que me possui. Mas era mister ler ali e estar atenta ao exterior. Minha avó proibia-me os romances como se fossem veneno. Se me apanhava em flagrante - acontecia de vez em quando -, tirava-me o livro sem cerimónias e arremessava-o para o lugar, apressando-se a fechar a gruta de Ali-babá com estrondo. Enfiava um carão severo e resmungava enquanto me punha fora da casota,  não te quero ali, a tua tia é maluca deixa tudo por todo o lado; aqueles livros não são para ti. Por vezes, chorava  a história interrompida, desejava a continuação. Mas nada demovia minha avó.  

Posto isto, como poderia eu esquecer aquela Sissi tão linda e o esplêndido Francisco José. Os livros da Colecção Cinema, tinham três ou quatro fotos do filme e precisei que minha mãe elucidasse que não eram dois bonecos perfeitos, mas duas pessoas. Fiquei ainda mais fã.

Mas a Sissi de Corsage é outra coisa. Já o nome indica. Lá iremos.

 

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Escorrências

 

A chuva fustiga-nos e ameaça tornar este Natal numa grande tristeza. Para muitos, é já  dolorosa verdade. Ficamos pendurados no écran, a olhar. Incrédulos e esparvecidos. Tanta desgraça. São casas inundadas, mobílias e electro domésticos a boiar e sem serventia, automóveis submersos. E gente que empurra à vassourada a água invasora, como quem esconjura a má sorte. São lares que não se parecem consigo, estabelecimentos e postos de venda que deixaram de o ser. E, proprietários ou locatários, ainda sem fazer conta ao prejuízo,  de vassoura em punho. A par desta paisagem de ruas que viraram rio caudaloso, de moradores abismados, “há casas onde a água chegou ao tecto”, de automóveis candidatos à sucata, há os velhos. Os velhos que perderam o seu lugar de muito ano e não têm a força necessária para o recomeço. Falta-lhes tudo – o lugar onde se sentam, a cama que lhes tirou o molde ao corpo, as gavetas da roupa, a televisão, a liberdade do seu pequeno mundo. A água varreu-lhes os rituais quotidianos. E agora? Agora dizem - inconformados e desiludidos - como aquele senhor de Rio Maior: “agora vou lá para o norte para casa de família”. E encolhia ombros cépticos. Ele sabe o que todos sabemos: que as casas e as famílias de hoje não contam com os velhos. Por muitos quartos que existam em casa, os velhos ocupam sempre um quarto de que se precisa para outra coisa. Mas, na maioria dos casos, nem sequer há quarto ou lugar para eles. Dormem no sofá da sala onde ninguém os deseja porque a tv é ali e não apetece deitar cedo (a eles parece tarde); ou, pior ainda, dormem no quarto de um dos netos. E depois ressonam muito alto, e durante a noite levantam-se, acendem a luz, levam a vida na casa de banho. As casas modernas– salvo as excepções que o dinheiro compra – não foram feitas a contar com os velhos. Os velhos são um peso que se disfarça com sorrisos iniciais e se empurra à mínima aberta. E depois há ainda os que são recebidos no anexo e dali não saem. Não importa se o frio é muito porque o tecto é de telha vã; carregam-nos de cobertores pesados e sem uso, naftalinas de fundo de roupeiro. Que os edredons ficam todos em casa, pertencem aos netos e filhos. Por vezes, deixam-nos entrar em casa e sentar à sua mesa. Em muitas outras, nem isso. Mas os velhos precisam espaço próprio em casa dos filhos, ou serão infelizes. Essa é uma das razões para desejarem a permanência no Lar que sempre repudiaram. Deixam de ser pesados. Não estorvam. Não sofrem o desamor daqueles a quem deram o melhor de si e que nunca na vida abandonariam.

Foi isto que vi naquele encolher de ombros.  O mau é ser verdade. Existir.