Foi
colocado na minha frente, colorido e apelativo. Era um saquinho pequeno, talvez
com riscas. Uma prenda. Para mim. Nessa manhã tinha vestido uma blusinha do avesso,
mas fui tão rápida na correcção que nem me lembrei de contabilizar o evento
como um prévio de presente. Mas ele veio, secreto, escondido em saqueta de bom
papel que quadrava lindamente e até talvez não lhe pertencesse de raiz. Na
raridade do momento, alvorocei. O facto de alguém andar a procurar – em casa, loja,
ou seja onde for – um artigo que me tenha por destino, deixa-me sem jeito e
sempre agradada e grata. Curiosa, espreitei o interior e vi uma caixinha
branca. Retirei-a. Li, Lilies of the valley, body lotion (o rótulo prometia,
as florinhas são lindas). Desrolhei. Cheirei o creme que me espreitava em preguiça
leitosa. Tinha odor agradável, parecia suave. Agradeci a avivar a recordação das
últimas façanhas com cremes de corpo. Contente da utilidade.
Mais
tarde, experimentei. Não é a loção que desejaria. Os lilies incorrem em
delacção. Em vez da nota floral, assumem com garra o plástico da embalagem. Também
acontece que não hidratam com o vigor do simples e diáfano nívea, “que não te
falte o nívea, que não te falte, que não te falte”. Contudo, a oferta surpreendeu-me.
Para bem. Portanto, guarde-se o efeito surpresa e gaste-se a loção. Além do
mais, a odisseia dos cremes de corpo permitiu-me recuperar o alcance diário do
meu amigo mais velho da secção, o always nívea.
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