domingo, 11 de dezembro de 2022

Projectos de Curto Prazo

 

Hoje vou inventar o Natal e, enfim, dar-lhe ser.  Consoante as reticências em evidência no post anterior, julguei acertado roubar um dia aos dias do café e vou postar, naturalmente desenvergonhada e fútil, os meus planos da pólvora. Vou, sei lá, procurar os lápis e o caderno onde faço anualmente uns rabiscos que envio a amigos benevolentes, cujos se esforçam por ver neles os meus desejos sinceros de quadra vivida em amor, não obstante ser um pouco nostálgico. Para efeito mais mágico – só recorrendo ao sortilégio da magia conseguem vislumbrar o Natal que lhes desejo naqueles breves riscos cheios de dedadas –, escrevo umas palavras com a caneta dos dias especiais e que não uso há bastante. Nada disto parece vital, mas acreditem, importa. A mim; e aos que não são mim e me gostam. Que é bem supremo haver ainda quem continue a dedicar-nos afecto sem cansaço. No caso, mais que do meu, será mérito do coração deles, mas pronto, mantêm o sentimento.

Também pondero dar um look de Natal à porta da rua e apor-lhe a coroa habitual, talvez com um laço de fita diverso; briosa como é, todos os anos exige variação e desenvolvimentos na beleza. Portanto, faço-lhe um penteado novo e preparo os livros para a estação dos correios.  Estou na rota certa. Depois, basta seguir na correnteza, o espírito implantou em profundidade, impedindo a morte súbita.

Estou aqui pensando se o Menino atendeu o meu pedido e, de boa mente, se dispôs a ajudar. Mas pode ter sido apenas do café.

Ó benditas madrugadas! Um dia ainda dou em poeta da cafeína.

 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Menino Jesus

 

Tens obrigação de saber que a vida não está fácil por aqui. Ok, inda não nasceste – oficialmente – e já eu venho com queixas e pedidos. É aceitável que penses assim. Acontece que me encontro invulgarmente desprovida de espírito natalício e venho por este meio dar-Te notícia do facto no intuito de me modificares, nem que seja um bocadinho pequenino. A Ti que tudo podes, custa-Te um esforço de mexer dedinhos de pé, oferecer-me qualquer coisa que bruxeleie e se regozige com azevinhos e laços, e Tu deitadinho nas palhas da manjedoira sem o burrito nem a vaquinha, nu e contente como se em pleno verão. Aceito que não tenhas nada a ver com a minha falta de sentimento e que o problema seja meu em exclusivo. Mas, tem dó, os dias correm demais e se o espírito me chega com muito atraso não dou conta. Já Te digo que está tudo inactivo. Que é como quem diz, não há presentes e os enfeites continuam nas caixas respectivas. Na minha rua as casas estão engalanadas há mais de uma semana. Fui de visita a uma amiga e havia coroas e azevinho a saltar pelos olhos; velas, musgo, laços, eu sei lá. Achei uma graça, mas não me moveu. Também fui a um almoço de Natal e há muito ano que não ia a nada do género. Pois olha que foi coisa bem desenxabida, não sei se volto. Mas parece que fui a única que desgostei; houve elogios em barda, o que é bom para os participantes, amaram.

 Dada a circunstância, espero que ponhas o meu pedido entre o molho de cartas prioritárias, embora saiba que estiveste muito ocupado a dar a volta  - espero bem que tenhas resolvido isso enquanto andavas à mercê dos solavancos do caminho. Portanto, agora que estás a bem dizer pronto para o mundo, faz-me um favor, separa a correspondência e atende a premências maiores. Que, mal nasças, vais ver, depressa se Te acabam os coros de anjo e mais as visitas de pastores encardidos e a cheirar a ovelha e sujidade, olhos ainda ofuscados pelo brilho da estrela, porque, bem o sabes, não fora o aviso angelical, não saberiam os sinais da Tua chegada. E tens de reconhecer, uma estrela sobre o estábulo é luz a mais. Eu adorava ter sido um desses pastores amedrontados pelos anjos que anunciaram o Teu nascimento. Adorava ter corrido, meia estremunhada, a ver-Te nas palhas de Belém. Mas olha, nasci tão depois. Que posso fazer senão ir-Te adorando nos outros da vizinhança, os que Tu dizes que são Tu, e eu asseguro: não parecem. Perde-se o cenário, é certo. Mas olha que o cheiro a estábulo não é coisa que se recomende, tivemos uma vaca e um burro no barracão e aquilo não era agradável. Tu é que não Te lembras, mas, de certeza, Tua mãe Maria, quando se livrou da cocheira, encheu-se de contentamento. Só as palhas que se pegam à roupa e entram no corpo dão que fazer, asseguro-Te.

Desculpa o incómodo, Menino Jesus, mas é que não há mais a quem recorrer para este milagre de nada e que tanto me falta. Bem sabes que te escrevo em última instância, já tentei de tudo.

Estou certa que, no dia 25, vais ter um bolo de anos poisado numa nuvem e com muita estrelinha bebé em cercadura, mais o canto dos anjos a entoar os parabéns e os progenitores a acompanhar e bater palmas num orgulho legítimo. Olha, estive para Te enviar o “Happy Birthday” dos Beatles, mas também o perdi. E tanto que gostava daqueles quatro anjos a cantá-lo, pois se até achei que não cantavam menos ou pior que os Teus. Manda-me lá o espírito, que também ensejo comemorar-Te o aniversário. Vá lá…

 Um chi-coração de parabéns e dá por mim, a Teus pais e mãe, as melhores felicitações pelo bom gosto, és verdadeira preciosidade.

Sempre tua

Bea

 

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Paisagem de Fundo

 

É do conhecimento geral que o Natal deste ano vai ter um fundo triste. E não apenas pelas crises económica e energética que por aí vêm e não dão repouso ao espírito. Que os portugueses sempre viveram em crise, umas naturais e outras – quase todas –, de fabrico humano. A tristeza vem-nos de saber a injustiça de uma guerra aqui tão perto; de, sentados à mesa ou no sofá, em ambiente aquecido e de estômago confortado, observarmos diariamente os destroços humanos e naturais; tanta cidade arrasada, tanto edifício-esqueleto, ruas intestinas em impúdico esventramento. E a solidão das coisas apodrecidas, a falta das vozes de criança, o minguado de vida activa. Por essa Europa fora, quanta gente desirmanada e estrangeira à procura de uma identidade que lhe sirva, mesmo se fingida;  perguntando-se, eu a solo como sobrevivo, eu para que sirvo, quem sou assim separada por distância e má fortuna. E, na maior parte dos casos, existem com a morte no colo, carregam-na por todo o lugar. Pergunto-me se estarão vivos.

  Bem sabemos, há guerra noutros pontos do mundo, os inocentes são muitos mais. Lá, como na Ucrânia. As guerras são soberbamente desumanas e anti democráticas. Metódicas, derrubam os mais fracos e servem-se deles para combater; os fracos, leia-se, os de menor poder económico, não têm fuga ao destino, são, em bloco, carne para canhão. Quem promove a guerra visa a submissão e usa a autoridade pisando sobre o corpo de outrem, ignorando-lhe os direitos. Guerra é exercício inteligente do poder – há uma atractiva inteligência do mal -, força bruta e indevida de os homens roubarem uns aos outros o bem mais precioso e efémero que possuem.

Mas há ainda a vida de cada um, essa inamovível guerra pessoal atrelada ao sujeito. Injustiça que, em tanto caso, não foi escolhida e lhe cai em cima com fragor. Faz-nos bem saber destas coisas, vê-las, assistir-lhes?  De tudo que é contra o homem, não pode advir bem, e a impotência perante um mal irremediável amarfanha, retrai. O que dizer a quem, faça o que faça, se degrada a cada dia que passa. Não há letras para dizer um arco íris invisível. É tudo noite.

Então, colocamos as mãos frias entre as nossas, puxamos o aquecedor e  sobre ele estendemos a manta dos joelhos que acomodamos sobre pés e pernas, canalizamos o calor. E, enquanto alenta, sempre de mão na mão, contamos uma história engraçada. Até que lhe assoma um sorriso e mãos e pés aquecem.

Mas isto, é o quê?! Nada. É mar alto e não sabemos nadar.

domingo, 4 de dezembro de 2022

Percalço

 

Terminei o cachecol, rematei, cortei as pontas soltas.  Julgava eu que aprontara a oferta antes de tempo. Estava até contente comigo. E vai daí, vim a saber que o aniversário era hoje,  chegou-me um convite para amanhã: o tal café que não bebo. Pois digo-vos que fiquei tão atarantada que nem felicitei a aniversariante. Bonita figura.

Oxalá o presente agrade. Se não, que finja. Nem precisa ser completamente.

Sublinhados

 

As minhas desculpas ao calendário, mas ontem o Natal esfumou por inteiro, talvez antevendo a névoa de hoje, duvidosa de um improvável D. Sebastião-cadáver. Não me lembro se esfumou enquanto ouvia Lídia Jorge a conversar com Bernardo Mendonça e eu de mãos ocupadas no futuro de um cachecol; se foi à sua vida na cozinha e, farto de cheiros e clamores de panela, se resolveu em amuada brevidade de “vou ali e já venho”. Qualquer coisa. Também não sei se voltou; para abreviar hiatos e os aguentar na maior, compensei com um café. E agora, venha quando lhe der na bolha.

E dado ter-me faltado espírito para a escrita, veio-me à memória um trio que conheci em meus anos verdes que já não eram tão verdes assim. E posto que ao telemóvel deu para morrer nesta altura do ano (é que não dá jeito nenhum) e me faltam todos os contactos – nem o meu sei de cor – resta-me a outra memória. A lembrança é presença só com um vector, não existe diálogo entre lembrado e lembrador, e é grande pena.

Dos vinte e quatro aos trinta anos fui hóspede de uma senhora já de provecta idade (teria uns oitenta e tal quando a deixei). Era uma casa muito sui generis. O aluguel era em conta, mas, em casa, faltava quase tudo. Não tinha frigorífico, esquentador, máquina de lavar, …etc. Mas tinha a grande chance de a proprietária só a usar para dormir (entrava sempre depois de mim) e quanta vez nos vimos apenas ao fim de semana. Ou nem isso.  No fundo, era eu quem vivia ali em permanência. Viúva, a senhoria gastava-se literalmente a ser a empregada doméstica gratuita da única filha. Sem feriados ou dias santos.  Ponderada a situação, como nunca gostei de quem espiolhasse as minhas acções e em casa de meu pai nem sequer ainda havia luz eléctrica, avaliei que entre prós e contras a que estava habituada, era preferível ficar. Demo-nos como Deus e os anjos. Foram bons tempos, os nossos. O lugar geográfico era-me totalmente desconhecido e do que mais me lembro, talvez pela novidade que representou, era que, à semelhança do que sucede nos USA, as ruas tinham números em vez de nomes. Também me parece que jamais assistira a tão grande miscelânea de pessoas cruzando-se nas ruas. Vivia eu ali há mais de um ano, quando comecei a conversar, de varanda a varanda, com a filha dos vizinhos do lado. Era uma garota baixinha e amorosa, grandes olhos esverdeados, carinha de bebé, boquinha diminuta e aquelas bochechinhas de pele sedosa que apetece mordiscar. Frequentava o 12º ano e tínhamos uns cinco a seis anos de diferença. Mas demo-nos lindamente. Tão lindamente que chegámos a acampar juntas e fomos vezes sem conta ao cinema e à praia, víamos tv  em sua casa (filmes, filmes) e a mãe, uma doce senhora, conhecedora das minhas parcas condições de hospedagem, passou a dispensar-me, no frigorífico, algum espaço que eu tentava não fosse muito invasivo. Devo muito àquele casal, e a amizade com a filha foi panaceia num período em que a minha melhor amiga, seguindo a ordem natural das coisas, namorou e casou, a nossa amizade sofrendo o afastamento de que ambos os estados carecem. Aquela garota estava tão bem para mim e eu para ela que dávamos por nós a lamentar o ano que perdemos sem saber uma da outra sendo vizinhas.  Este post é um Deo Gratias a tanta gente que me compreendeu sem palavras e assim me deu a mão, aos que me ajudaram a ser fazendo-se próximos. A todos os que, cruzando o meu caminho se detiveram e incorreram em percurso conjunto, aos que me ensinaram, sem palavra expressa mas com exemplo, a dádiva de sermos uns com os outros.

Do fundo do meu coração, lugar onde moram comigo até à eternidade: Bem Hajam.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

A Força da Correnteza

 

 Como as noites cresceram.  Dezembro traz manhãs embrulhadas e sonolentas que nem parecem elas. Ora, mal o dia amadurece, logo num relâmpago desaparece. Então, as noites aproveitam e, contentes,  espreguiçam-se  pelo mundo, sorriem, é tudo delas. Esta situação de dias apoucados e fugazes transforma os planos de qualquer ser solar. E eu entro ao engano nas horas incompreendidas.  Senão vejam, quando julgo que são dez da manhã, é meio dia. E logo paro tudo porque, haja Deus, vem aí o almoço.  Mais duas horas de cozinha e imediações. Ora, às duas da tarde, o dia começa a murchar e vai caindo naquela melancólica sem vontade que atrai a noite suspeitosa. E é assim que me vou perdendo dias afora, na invernia que nos governa.

 Mas entreguemos à própria, a translação e rotação da Terra. Ela que se amanhe com as oscilações do eixo e o mais, que a nós já nos bastam as consequências (oxalá o planeta não siga a parvidade dos homens e se dê à loucura de um desvio na rota).

Hoje recebi a primeira visita de Natal. Fiz um bolo, pus a toalha na mesa, servi um chá. Esquecemos tanta vez essa necessidade de criar ambiente e estar com alguém que nos fita com prazer e atento ao discurso; a quem ouvimos, olho no olho. Alguém que é outro, diferente de nós. Mas a conversa flui e propicia convergências, pontos de toque, luzes pequenas que agarramos aqui e ali (creio que falei demais). E foi isto.

Foi isto e mais uma prenda de Natal (ainda tão poucas). E a lã que intenta ser cachecol e presente, mas que o sarilho do dia me impediu de experimentar  nas agulhas.

PS: ando cá a pensar que a Maria do presépio era pessoa pouco avisada. Então vai assim, num fim de gravidez, sem uns cueiritos nem uma camisinha para a criança. Ai valha-me Deus.  Ou será que Jesus se antecipou e nasceu de sete meses.  Não acredito, as imagens mostram-no perfeitinho e rechonchudo. Mau Maria.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Um Alisar de Folha

 

O calendário de Natal do ano passado começou a 8 de dezembro. O de 2020 não me lembro, mas hoje inicio o calendário de Natal 2022.

Ora bem. Atendamos aos pressupostos acerca da data: a festa da consoada é a minha preferida. Encaro-a como o lugar aprazível e familiar que nos  preenche nessa noite em que o Menino-Deus faz anos. Imagino que lá no etéreo haja festa rija e os intervenientes originais recordem esse dia aziago que acabou bem – isto de andar muito grávida de estalagem em estalagem não é brincadeira nenhuma. E depois um burro é vagaroso e as dores de parto, garanto, são terríveis. Bom, numa virgem não sei, mas imagino que sejam em tudo a mesma coisa. Tenho imensa pena de Maria. Calculo que estivesse mal comida, andasse a fazer a dilatação sentada no burrico, toda dobrada e dorida por inteiro - o primeiro filho fica-nos na memória. Pronto, era a mãe de Deus, mas ele lembrou-se de ser homem e lá sacrificou a pobre. No nascer e no morrer não a poupou. Maria bem mereceu a assunção,  elevar-se assim, inteirinha, com sapatos e tudo. Mas um Deus é necessariamente bom filho. Um Deus cristão, entenda-se, que por exemplo os deuses gregos eram terríveis de maus, estou a lembrar-me de um(a) que pontapeou com tanto afinco o filho que o deixou coxo para sempre (pobre Hefestos, já não lhe bastava este nome horrível, ainda teve de ser coxo e feio). É como se vê, a violência doméstica começou cedo e em alta patente.

Retornando ao tema, parece-me bem que no Natal de Jesus Cristo (Cristo seria apelido? E da mãe Maria, ou do pai José?), o mais feliz foi ele. Porque, vejam só: o pobre José, aflito por Maria se encontrar naquele belo estado, calcorreava sítio atrás de sítio, a pé, guiando o burro que devia estar como ele, cansado; entrava nas estalagens, ouvia as negas e continuava caminho num lugar que desconhecia. E os anjos, em vez de lhe dizerem qualquer coisita, não. Andavam todos lá para Belém, entretidos a escolher poiso no estábulo, como se não tivessem tempo para isso. O parto do primeiro filho demora um tempo desgraçado, dava-lhes até para voar ao céu e fazer uns gargarejos ou mudar a harpa. E já agora: estou ciente de que Jesus é filho de Deus. Mas vocês desculpem, o pai é quem cria e educa. Portanto, não me venham cá com a teoria de pai adoptivo e tal e tal. José era o pai. Ponto final. Por outro lado, penso que o sangue de Deus (pai natural e sobrenatural) corria nas veias do bebé de mistura com o de Maria. É bonito um Deus de verdade misturar o seu sangue com o de uma mulher. Mesmo que o resto seja por obra e graça do Espírito Santo. Julgo eu que Deus-Pai fez de propósito só para lhe dar algum trabalho porque nem os católicos se lembram do tal Espírito Santo que, desculpem lá a má língua, é uma figura muito apagada, parece-me que, literalmente, existe para fazer número. Pessoa, no amoroso poema dedicado ao seu Menino Jesus, arrasa-o (ao Espírito Santo). Um dia que me lembre ainda hei-de trazê-lo aqui.

Mas atenção, mesmo na descontra, tenho de reconhecer: alguém que vem ao mundo por amor aos homens só pode ser Deus. Um Cristo que prega o amor e se deixa matar pela humanidade tem de mim o que queira. É que nós não prestamos, temos por vezes alguns actos dignos e é só. O resto é ramerrão, mais do mesmo com muita calinada à mistura. Bem precisávamos ser resgatados. Para o amor. Não há no mundo coisa que valha mais a pena que dar a mão a quem precisa e, na medida do possível, conservar a inocência de alma (se quiserem, do espírito; ou mesmo da mente).

E hoje foi Natal, pois foi. Paguei um almoço que devia há tempos. Pagar, em linguagem pessoal é fazê-lo, agarrar nele e levá-lo lá onde o esperam. Que agradável sentir-me bem recebida. Havia na mesa uma toalha de linho antigo, daquele fiado em tear manual com florinhas bordadas a ponto cheio (nunca tinha visto e palpado um linho tão linho). E, melhor que isso, em homenagem ao almoço, as minhas meninas que já quase não mexem, desceram à vez a escada, sentadinhas na cadeira igual às que vemos na TV. E comeram o que lhes pus no prato e depois  servi a sobremesa. Para remate, por entre cuidados e fragilidades, levei uma a ver as suas flores in loco (não as visitava havia muitos meses). Deu-me uma data de beijos e ciciou quando lhe ajeitei a manta nas pernas - já só cicia -, assim sim, almocei uma coisa que me soube bem; e vi as minhas flores.

Digo eu, foi um bom Natal.